Pandemia leva população à automedicação e ao estoque de remédios; saiba os riscos

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O alerta vem do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL), que chama atenção para os riscos da automedicação. A entidade reforça o que para muitos pode até parecer algo repetitivo, mas não para quem trabalha nesse controle e sabe que consumir remédio por conta própria pode trazer complicações graves. Nesse período de pandemia, a situação se agrava e tem aumentado a preocupação dos profissionais da área.

“Não tem como saber se foi especificamente por causa da pandemia, mas percebe-se dois movimentos por parte da população: comprar produtos para estocar, dando preferência aos produtos que podem ajudar nos sintomas e o aumento de consumo de medicamentos que as pessoas julgam que previnem a infecção”, alerta Sabrina Neves, integrante do grupo de trabalho de ensino e pesquisa do CRF no Estado.

Na lista dos medicamentos que tiveram ‘explosão’ de vendas, ácido ascórbico, colecalciferol, dipirona sódica, hidroxicloroquina, ibuprofeno. E com eles, os riscos para o organismo e a vida.

“Os riscos são: provocar reações adversas, mascarar sinais e sintomas de outras doenças, inclusive do Covid-19. Se a pessoa fizer uso de medicamentos para o tratamento de uma doença crônica, os medicamentos usados por automedicação podem interagir com os medicamentos de uso crônico e prejudicar a doença de base”, afirma Sabrina Neves.

Sabrina Neves fala sobre riscos da automedicação

Alguns desses remédios podem ser comercializados sem receita, outros, em hipótese alguma. “Alguns sim, como os analgésicos e algumas vitaminas. Outros, como hidroxicloroquina são medicamentos que só devem ser vendidos mediante prescrição médica”, ela destaca.

De acordo com a farmacêutica, “tradicionalmente mulheres adquirem mais medicamentos. O motivo principal é que são, na maioria dos casos, responsáveis pelos cuidados da família. No entanto, homens e mulheres se automedicam com frequência parecida. Idosos, pelo uso crônico de medicamentos, tendem a se automedicar menos”, aponta.

Quanto ao uso de hidroxicloroquina, a profissional pontua as recomendações até aqui feitas pelo Ministério da Saúde (MS). “Havia um protocolo do MS recomendando o uso de hidroxicloroquina apenas para grupos de risco e casos mais graves. O que vimos nos últimos dias foi a recomendação oficial de uso da hidroxicloroquina para todos os casos de Covid-19”.

No entanto, ela ressalta que “esta recomendação não está fundamentada em evidências científicas robustas. Os primeiros estudos com hidroxicloroquina foram para pacientes em estado mais grave, aqueles internados, e a respeito do artigo francês, de um estudo cheio de erros, os demais indicam que não há eficácia da hidroxicloroquina. Já para pacientes menos graves, ambulatoriais, não havia evidência até uns dias atrás quando saiu um estudo grande que observou mais de 90 mil pacientes com Covid-19 leve e no início, em uso de hidroxicloroquina. Esse estudo concluiu que não há evidência de que a hidroxicloroquina seja eficaz no tratamento de Covid-19”, afirma.

O Conselho tem se empenhado nas ações, principalmente de conscientização, para mostrar às pessoas “que não há um medicamento que previna ou trate Covid-19. Que o uso de vitaminas deve ser consciente, pois seu excesso faz mal, que medicamentos como analgésicos e antitérmicos só devem ser usados se necessário. E que hidroxicloroquina, cloroquina e outros medicamentos que vêm sendo indicados para tratar Covid-19 não possuem eficácia comprovada. Seu uso não garante cura. Por isso mesmo precisa racionalizar o uso. É importante a avaliação por um médico”, pontua Sabrina Neves.

Quanto a venda em farmácias, ela destaca que “a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] já mudou a regulamentação de muitos desses medicamentos como foi o caso do Anita e da hidroxicloroquina, exigindo retenção de receita. Cabe as farmácias observar as regras de dispensação desses medicamentos e cumpri-las”, diz.