Por que novo coronavírus afeta e mata mais homens que mulheres? Infectologista explica

Foto: Marcial Guillén/EFE

Por que o coronavírus está infectando e matando mais homens que mulheres no mundo todo? Os números intrigam os cientistas. Desde que a pandemia da  Covid-19 se espalhou logo se soube que os mais velhos e pessoas com doenças associadas, as chamadas comorbidades, são grupo de risco para o vírus. Porém, com o passar do tempo e à medida que o surto da doença avança, os números mostraram que homens são as principais vítimas.

Tendência observada inicialmente na China, onde a pandemia começou e depois em países como a Itália, França, Alemanha. Ao Eufemea, a médica infectologista Raquel Guimarães disse que “no Brasil a proporção de óbitos entre homens é de 60%”.

“Estudos mostram que os aspectos biológicos entre os sexos e o estilo de vida podem explicar a diferença. As doenças crônicas como diabetes, doenças cardíacas em pacientes hospitalizados mais prevalentes no sexo masculino, o comportamento com relação ao hábito de beber e fumar fragiliza os pacientes”, Os fumantes tocam a boca com maior frequência e existe a possibilidade de  compartilha bebidas e cigarros”, explica a especialista, que possui residência médica no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo,  com área de atuação em infectologia hospitalar

De acordo com a médica, “outras condições comportamentais mostram que os homens higienizam as mãos com menor frequência e não vão ao médico com regularidade”.

Ela pontua ainda que “tanto os homens como as mulheres,  mesmo aquelas que são moradoras do interior, têm oportunidades semelhantes de acesso ao sistema de saúde, porém as mulheres são mais assíduas às consultas médicas”.

As pesquisas mostram ainda, ressalta Raquel Guimarães, “que as mulheres têm um sistema imunológico mais forte e revelam infecções com maior facilidade, pois o cromossoma X contém um grande número de genes relacionados à  imunidade. Esses genes decodificam a proteína que detecta o vírus”.

Além disso, segundo a médica, “outras pesquisas descobriram que o estrogênio,  hormônio sexual mais prevalente no sexo  feminino, poderá proteger as mulheres no desfecho da infecção. Por outro lado, a testosterona, o hormônio  sexual masculino, tende a ser imunossupressor. Em resumo: todos os dados sobre risco, capacidade de recuperação, graus de infecção ainda estão sendo estudados”.

Em Alagoas, Raquel Guimarães afirma não conhecer pesquisas “sobre a preferência do vírus pelo sexo masculino, mas os números de casos relatados diariamente mostram que os pacientes do sexo masculino estão em torno de 58%”.

Brasil e Alagoas em números

No final de março, o Ministério da Saúde divulgou dados sobre óbitos pela Covid-19 no Brasil e mostrou que 68% das vítimas eram do sexo masculino e 32% do feminino. Na Itália, relatório sobre as pessoas afetadas pela doença demonstrou que os pacientes na UTI eram, em sua maioria, homens (82%) com idade mediana de 63 anos. Segundo o levantamento, boa parte também tinha problemas cardiovasculares ou respiratórios prévios. Até o fechamento dessa matéria, havia

Já o último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, divulgado até o momento que a matéria foi publicada, mostra que dos 10.837 casos com confirmação laboratorial para Covid-19. São oram confirmados 461 óbitos por Covid-19 confirmados em território alagoano, mas quatro deles eram de pessoas residentes em Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina e Bahia, tendo como vítimas três homens e uma mulher. Dos 457 residentes em Alagoas, 254 eram do sexo masculino e 203 do sexo feminino. Os números são de 1º de junho.