Marina Ferro: ela largou o emprego e criou uma marca especializada em tie-dye 100% feminina

Foi com a intenção de colocar um toque de personalidade e cor em peças próprias que surgiu, em 2011, a Marina Ferro Handmade. A marca alagoana é especializada em tie-dye (técnica de tingimento artístico de tecidos) e traz cor e muito estilo para quem compra. Quem comanda a marca de sucesso é Marina Ferro, 31 anos, nascida em Santos (SP), mas que têm Alagoas no coração. Hoje, por trás da empresa, existe uma equipe formada 100% por mulheres.

Marina conversou com o Eufemea e contou sobre sua carreira de empreendedorismo que foi recheada por desafios, empoderamento e amor. A história de Marina é uma inspiração para quem pensa em largar tudo para seguir os sonhos. A marca dela não ficou apenas no Estado, mas ultrapassou fronteiras e foi parar no exterior.

“Comecei usando a técnica do tie-dye como brincadeira em shorts jeans. Aquela história que a amiga gostou e pediu; depois, a amiga da amiga, e assim foi”, contou Marina.

Na época, Marina trabalhava como jornalista e tentava conciliar a marca com a profissão. Entretanto, segundo ela, foi preciso ir além. “Eu tinha que me dedicar a marca e eu não estava conseguindo como gostaria. Então, tomei a coragem de empreender e me tornar apenas a diretora criativa da MFhandmade”, disse.

Engana-se quem acha que a decisão foi fácil. Marina tinha um filho, estava divorciada e não tinha dinheiro em caixa. “Mas aí eu fui construindo aos poucos, investindo com fruto do trabalho”.

Para que Marina deixasse o trabalho como jornalista, o apoio do namorado – hoje noivo dela – foi fundamental. “Ele morava em São Paulo e veio para Maceió. Ele me deu muita força para que eu saísse do meu trabalho de jornalista e me dedicasse 100% a marca. É positivo quando temos alguém que nos apoia”.

A empresária largou a carreira como jornalista e o noivo deu o suporte para que ela focasse no negócio. “Ele me disse que estava do meu lado para isso e eu aceitei. É muito importante ter alguém que te apoie”.

Desafios no processo de crescimento

Marina enfrentou alguns desafios durante o crescimento da sua marca. Um dos principais foi a parte financeira/administrativa da empresa. 

“É muito difícil aqui no Brasil a gente colocar em prática, principalmente os artistas que não têm esse apego grande à parte burocrática. A gente gosta de criar, não gosta disso de burocracia”. 

Ela contou que muitas pessoas falaram para ela que essa parte burocrática, só um homem resolveria. “Como se eu precisasse de um homem pra resolver a parte financeira. Mas eu nunca quis trabalhar com homens por trás, sempre acreditei no poder feminino. Não precisa ser um homem para essa parte financeira”.

Esse problema foi sanado com a chegada da sócia, que hoje toma conta da parte administrativa. “Ela é ótima no que faz e super me ajudou nesse processo”.

A mão-de-obra na capital também foi um desafio para a empreendedora. “Como eu faço tudo desde a criação das peças, então a mão-de-obra era bem difícil de achar. Aqui em Maceió também é difícil encontrar matéria-prima e eu preciso sempre viajar”, disse.

A empresa de Marina hoje é 100% feminina e conta com mais de 10 mulheres empreendendo juntas. A MFhandmade produz todos os produtos desde o papel, até costura, toda fase de pintura – 100% feita-à-mão -, controle de qualidade, e a chegada ao cliente. “Eu admiro demais a minha empresa que só tem mulheres trabalhando com excelência. Desde a parte de vendas até a criação. A gente se une de uma forma bem bacana. Vendemos para todo Brasil e para o exterior”

Valorização da marca

Marina está com a marca há 8 anos em Maceió, lugar onde começou. Embora tenha passado algumas dificuldades com a aceitação do público que via o tie-dye como algo hippie, a empresária conseguiu mudar essa realidade.

“O que eu creio é que as pessoas em Maceió, embora seja um lugar totalmente praiano, olharam por muito tempo como se o tie-dye fosse algo hippie”, comentou.

Por outro lado, Marina também teve apoio e a aceitação de muitas pessoas dentro da cidade. “Consegui com o tye-die mudar um pouco esse cenário e vejo esse crescimento a cada dia. O tie-dye é para todos, super democrático para todas as idades e tribos. Dessa forma consegui expandir minha marca e torná-la mais acessível”, disse.

Ela acredita que hoje existe uma mudança no comportamento das pessoas em Maceió que valorizam a moda, diferente do passado. “No passado, procurei pessoas para fazer parceria e que queria que vestisse a roupa, mas que diziam que era roupa de hippie. Hoje em dia essas pessoas já me procuram por causa da moda, sabe? Foi a moda que trouxe isso”.

Recentemente, a empresária lançou um site para atender os clientes de todo o Brasil. Para pós-pandemia, Marina disse que vai ser a vez da nova loja/ateliê que fica pronta no mês que vem. 

“De fato, sonhei, acreditei e continuo acreditando na moda autoral/intuitiva, na moda como propósito e, acima de tudo, na arte. Essa é a grande magia”, finalizou.