No Dia das Avós, mulheres falam sobre o desafio de ‘ser mãe duas vezes’: “Vida mais prazerosa”

Ser avó é ser mãe duas vezes, quem nunca ouviu a frase? Essa criança é dengosa porque está sendo criada pela avó, ela mima demais! Ah, colo de avó é mesmo bem especial. No Dia dos Avós, comemorado neste domingo, o Eufemea traz histórias da avó de primeira viagem, que tem no neto o porto seguro para momentos de incerteza, e das avós que viram a netinha nascer em plena pandemia. 

A aposentada Nancyra dos Santos Cahet é apaixonada por plantas, que cuida como se fossem os próprios filhos. Mas foi no nascimento do neto Guilherme Campos Cahet, o Gui, de 10 meses, que ela afirma ter encontrado “um amor diferente”, meio sem explicação. Mãe de Vanessa e Diego, ela conta que o nascimento do netinho despertou algo que jamais imaginaria existir e que é nesse amor tão sublime que tem encontrado forças para superar as adversidades da vida.  

“Ser avó é participar ainda mais da vida da minha filha, que me presenteou com um anjinho lindo”, diz Nancyra, para quem o nascimento de Gui mudou tudo. “Mudou toda minha rotina, deixando-a mais prazerosa. Agora tudo gira em torno do Gui”. 

No que estaria a diferença em relação a ser mãe? Nancyra responde: “Sou mãe de um casal, tive uma vida bem agitada e com muitas tarefas pra fazer, e ainda senti todos os altos e baixos de uma gestação. Já sendo avó só tem a parte boa, participo da rotina sem ter a obrigação de cumpri-la”. 

“Vejo o Gui todos os dias, passamos todas as tardes e parte da noite juntos. Com isso participo das refeições dele, banho, brincadeiras. O Gui gosta de dormir comigo; fazer dengo, esfregando o narizinho em minhas roupas; me chama pra passear do lado de fora da casa para ver as plantas; e sempre, enquanto come, pede pra eu deitar no colo dele pra ele fazer “carinho”. 

Nesse tempo de pandemia e de isolamento social, Nancyra diz que ser avó a fortaleceu. “Demais. Quando estou com o Gui não dá tempo para pensar em coisas que me deixem pra baixo. Olhando pra ele eu consigo enxergar uma perspectiva de dias melhores”. 

Moradora do Pinheiro, numa área atingida pelos estragos causados pela Braskem, Nancyra diz que o neto acaba sendo um porto seguro diante da angústia de ter que deixar para trás a casa, situada em local condenado.  

“O Gui é sempre motivo de muita alegria. Mas estou em um momento de muita aflição, lidando com o problema Braskem/ Pinheiro, que está nos causando o transtorno de “perder” nossa casa, a qual conquistamos com tanto esforço, e isso tudo tem agravado, ainda mais, meus problemas de saúde. A situação de minha casa me entristece e angustia muito. Hoje tenho um espaço pronto, confortável para o meu netinho. Mas do jeito que o processo está sendo conduzido por esta empresa o que me resta é a dúvida se seremos indenizados de forma justa, e se teremos um espaço igual ou parecido com nossa casa atual para todos nós e principalmente para receber nosso netinho”, ela relata. 

No meio das incertezas, as brincadeiras com o neto Guilherme são refúgio certo. “Aqui temos algumas árvores frutíferas, que plantamos, e o Gui ama quando vamos com ele colher frutas do pé. Sua paixão são as amoras. Tenho ensinado ele a observar as plantas e curtir as flores, que ele já dá “cheirinho”. Além disso, costumo brincar com o Gui de esconde-esconde, imitando os bichos, com os brinquedos dele, normalmente em cima da cama, por conta dos meus problemas de saúde, que limitam o tempo que aguento ficar com ele no braço. Pra que ele não sinta minha tristeza, me envolvo o máximo que posso nos cuidados com ele, alimentação, banho e hora do soninho”. 

Momento de tensão na pandemia 

Avós em plena pandemia, Maria do Carmo Flor e Edenilza Gomes Correia, falam dos momentos de tensão que passaram com o parto da filha e nora, respectivamente, a autônoma Bruna Flor da Silva, mãe de Valentina Flor Gomes Almeida, que neste domingo completa seis dias de nascida. Maria tem sete netos e Edneilza, um. 

Edenilza e Maria com a netinha Valentina, primeira filha de Bruna: “Amor e atenção redobrada”
“É um momento exclusivo, gratificante e emocionante na presença de Deus”, diz Maria sobre o nascimento de Valentina. “Me sinto triste por ser este momento de afastamento, mas estou sempre presente quando posso”, conta Edneilza.  

Maria diz ainda que o parto da filha foi de tensão redobrada por causa da pandemia. “Meu sentimento foi de mais amor e atenção”. Mas afirma que apesar da angústia vivida, ela está sempre presente na vida da filha, Bruna, e agora da netinha, Valentina.  

“Estamos sempre juntas cada dia mais e mais”, ela diz, ao contar que se relaciona muito bem com os demais netos. “Sempre que posso estou presente na vida deles, dando amor e carinho”. 

Bruna, mãe pela primeira vez, fala da alegria de dar mais um neto à família e da tensão que as avós passaram durante o seu parto em plena pandemia. “Foi um momento difícil, inclusive na minha gestação porque não tive o direito de ser acompanhada normalmente pelo meu esposo, minha mãe e família. Tive medo, mais sempre confiante em Deus e tomando os cuidados necessários”, ela conta, ao dizer que os dois dias que ficou no hospital “foram difíceis, pois a preocupação era com relação a este vírus”. 

Bruna destaca que a mãe sempre foi uma avó presente e que sem dúvida a participação dela e de sua sogra “é importante para o resto de minha vida e de minha filha pois avó é ser mãe duas vezes, sem dúvida.