Potinho pós-pandemia e higienizador: estudantes do Ceará lançam projetos contra a Covid

Enquanto as aulas presenciais seguem suspensas nas redes pública e privada do Brasil por causa dos decretos de isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus, no município de Carnaubal (CE), a comunidade escolar se desdobra para levar conteúdo aos estudantes e mantê-los engajados, além de incentivá-los a exercerem a cidadania. A Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Antonio Raimundo de Melo lançou os projetos “Potinho pós-pandemia” e o “Jovem Empreendedorismo” e vem mostrando que apesar da distância é possível, sim, manter a educação funcionando, mesmo diante das dificuldades enfrentadas. 

Destaque com o programa Delivery Armelo, divulgado pelo Eufemea e que virou notícia no Caldeirão do Hulk, que usa mototaxistas para entregar as lições na casa dos alunos que não têm internet, a unidade de ensino sai na frente e planeja com os projetos o retorno às aulas presenciais. O Eufemea conversou com os educadores para saber como funcionam as iniciativas.  

“Os professores combinaram com a turma de alunos quais seriam as possíveis metas, sonhos e objetivos quando tudo isso acabasse. Surgiu o Potinho pós-pandemia. Todos customizaram pequenos potes para toda semana irem depositando dentro pedaços de papéis com anotações sobre sonhos e metas”, conta a Mahra Danyelly Pinto Farias, uma das coordenadoras da escola. 
Os potinhos, serão abertos quando as aulas presenciais forem retomadas e neles os alunos colocam seus sonhos e metas

O potinho, ela diz “será aberto quando as escolas retomarem as aulas presenciais ou de forma híbrida. Os resultados esperados são alunos resilientes que sonham um futuro promissor, fortalecendo a esperança dentro de cada um. Essa ação acontece nas aulas de formação para cidadania que fazem parte do Projeto Diretor de Turma da rede estadual do Ceará. Não há coleta. Eles guardam em casa para quando retornarmos. Haverá uma aula de acolhida e socialização do mesmo”, informa a professora. 

Empreendedorismo virtual e cidadania 

Outro projeto que vem incentivando os estudantes é o Jovem Empreendedorismo. O professor Francisco Marnon de Oliveira Melo da disciplina Química e Eletiva de Empreendedorismo, da 1º, 2º, 3º séries e EJA ensino médio, coordenou a iniciativa.  

“O projeto Jovem Empreendedorismo surgiu de uma parceria da Junior Achievement com a Seduc-CE (Secretaria de Educação) para proporcionar a estudantes do ensino médio a experiência prática em economia e negócios, na organização e na operação de uma empresa”, ele conta. 

De acordo com o educador, o projeto “é desenvolvido em duas tapas: Jovem Empreendedor I e Jovem Empreendedor II, divididas em dois semestres e realizadas na escola em jornadas semanais com duração de 1h40 para despertar o espírito empreendedor nos jovens ainda na escola, estimular o desenvolvimento pessoal, proporcionar uma visão clara do mundo dos negócios e facilitar o acesso ao mercado de trabalho”. 

Ao chegar na escola, estudantes encontrão higienizador produzido pelos próprios alunos na disciplina de empreendedorismo, que teve até Oscar dos melhores de 2020

Participam 44 estudantes na formação e nesse período, o educador informa que  foi preciso uma adaptação, “utilizando o ensino a distância (aulas síncronas e assíncronas), para estimular os alunos a criarem soluções para este cenário do Covid-19 e que possamos desenvolver o protagonismo dos nossos jovens neste momento de tantas incertezas”, diz Marnon. 

Foi através de grupos de WhatsApp, aulas remotas no google Meet, atividades impressas no Delivery Armelo e google Classroom que o projeto foi desenvolvido, como revela  o educador. “Para aumentar o engajamento neste desafio à distância, dividimos a turma em grupos, integrando o máximo possível de alunos, onde cada grupo tinha um líder responsável pelas ideias de negócio, e motivados pela oportunidade de fazer parte dos 20 melhores projetos no cenário Covid-19. A equipe selecionada participará do programa JA Startup 2020 com mentoria da JA Ceará”. 

Os resultados são de encher os olhos. “A nossa miniempresa Empree-Higienizer com o produto final que foi o higienizador de mãos e calçados produzido com materiais acessíveis e de baixo custo, foi premiado num evento que batizaram como ‘Oscar Jovem Empreendedor 2020’ em que nossa equipe –  formada pelos alunos Aline Farias, Vitória Veras, Ianna Sampaio, Kauã Chaves, Ana Tyssia Eleotério e Soldhalas – se destacou em 4 categorias do Oscar como melhor apoio a sua escola, melhor solução para vencer o Covid-19, melhor projeto na dimensão de sustentabilidade ambiental e miniempresa destaque”. 

O projeto, segundo Marnon, “foi prototipado pelos alunos e monitorado pelo professor. A ideia surgiu de um pai de nossos alunos membro da equipe, que logo foi aperfeiçoado e projetado pelos mesmos, sendo o diferencial a higienização dos calçados afim de contribuir com o trabalho de proteção e prevenção da Covid-19 nas comunidades escolares, familiares, comerciais e principalmente a proteção de todos os alunos e funcionários da nossa escola quando for possível o retorno às aulas presenciais”. 

Na avaliação do professor, esse tipo de iniciativa contribui para a cidadania. “O estudante desenvolve conceitos relacionados ao desenvolvimento sustentável e à sustentabilidade, que fornece condições para que eles possam refletir criticamente sobre os problemas socioambientais, na experiência prática da economia tão influenciadora no dia a dia dos mesmos, introduzir a importância de tomar sábias decisões financeiras que permitam destacar-se em suas comunidades e a lidar com suas emoções”.

“Somos uma escola de tempo integral, então a realização de um projeto com essas características faz acontecer a concretização do objetivo de nossa instituição, que é garantir aos nossos educandos o seu desenvolvimento em todas as dimensões”, destaca Marnon . 

“Gratidão em poder ajudar” 

Antonia Aline Silva Farias, 18 anos, cursa o terceiro ano do ensino médio e foi uma das participantes da equipe que desenvolveu o higienizador de mãos e pés para o retorno às aulas presenciais. Ela também conversou com o Eufemea. 

Aline cursa o 3º ano do ensino médio e se sente gratificada em poder ajudar para a não-propagação do vírus

“Por conta do momento em que estamos vivendo tivemos que nos readaptar, e vendo o perigo e a falta de cuidados adequadas em nossa cidade, tivemos a ideia de criar algo que ajudasse nesse período tão delicado. É muito gratificante ver algo criado por nós ajudando na proteção de tantas pessoas. Depois de todas as dificuldades que tivemos que enfrentar, o sentimento agora é de gratidão por ver nosso projeto dando tão certo”, diz a jovem. 

E descreve como funciona o higienizador. “Ele tem dois pedais que são pressionados, fazendo assim a higienização dos pés e mãos”, diz ao falar que para realizar o projeto foi preciso que se encontrassem presencialmente. 

“Fizemos primeiramente uma videoconferência, foi onde tivemos a primeira ideia, que não deu certo e tivemos que mudar. Com a ajuda do pai de um dos integrantes da equipe, criamos o nosso projeto atual. Marcamos um encontro pessoalmente, discutimos alguns detalhes necessários para o funcionamento e então criamos o protótipo”, ela relata.  

Questionada sobre as perspectivas com o projeto, Aline responde: “Esperamos poder contribuir para a não-propagação do vírus, e ajudar o máximo de pessoas possíveis da nossa cidade, e se Deus quiser, também de outras cidades. No momento que estamos enfrentando, o melhor para todos seria algo para auxiliar na proteção, e ajudar para que tivéssemos uma volta segura às atividades cotidianas”, avalia.  

Quanto ao curso eletivo de empreendedorismo, ela é só elogios. “Faz um ano que eu faço esse curso. O empreendedorismo me faz lembrar muito inovar, criar algo, transformar ideias em negócios, aprimorar também ideias já existentes”, afirma. 

“Vai me ajudar desde a criar métodos novos de estudo até futuramente em minha carreira profissional, em meu caso quero ser fisioterapeuta, me ajudará no momento que eu decidir abrir minha própria clínica”, afirma a estudante.