Após caso de estupro de menina de 10 anos, pernambucana cria guia de como proteger crianças de abusos sexuais

Foi após perceber a repercussão do caso envolvendo o estupro e gravidez de uma menina de 10 anos que Larissa Braga, que mora em Recife, Pernambuco, decidiu criar uma estratégia virtual para proteger as crianças de abusos sexuais. Larissa também já foi vítima de abuso sexual e contou ao Eufemea que o caso da menina gerou gatilhos nela, mas que ela optou por transformar a dor em algo que pudesse ajudar outras crianças.

Larissa disse que o material surgiu com caneta e papel, montado como esquema de diálogo. “Coisas que diria facilmente aos meus filhos e que queria ter escutado quando fui vítima”. Mãe de Maria de 8 anos e José de 6, ela usou a estratégia com as crianças.

“Eles entenderam quando expliquei. A primeira reação foi de espanto, mas fui pontuando cada “slide” com eles e depois dava espaço pra eles me contarem o que entenderam, como eles absorveram aquilo”, explicou.

Ela disse que ensinar e informar é necessário, mas é preciso ouvir também as crianças. “Acho que a gente precisa estar presente na leitura, contar o que achamos sobre e abrir espaço pra eles manifestarem seus sentimentos”.

Por ter sido vítima de um abuso sexual, a mãe não quer que os filhos passem pela mesma situação. O trauma que ela viveu está até hoje presente na vida dela. “Ainda é um assunto complicado pra mim. Eu por muito tempo, até mesmo depois de consumir informações sobre, achei que tive culpa. É muito complicado esse processo todo. O que sei é que são marcas que vou carregar pra sempre”.

Por causa disso, Larissa tem outros projetos para contribuir para uma sociedade menos nociva.

“Eu me preocupo muito em como levar eles até as redes. No momento estou produzindo um, em parceria com uma psicóloga infantil, falando um pouco mais sobre os sinais que uma criança vítima de abuso pode nos dar”, contou.

Mas ela chama atenção também para o papel dos pais que não conversam com os filhos. O assunto, de acordo com ela, é considerado tabu. “A sexualidade em si ainda é um tabu e aliado a isso temos a ignorância. Muitas pessoas entendem que falar sobre esses assuntos é estimular sexualidade”.

Como surgiu o material?

Larissa demorou mais ou menos um dia para terminar o material. “Fui lendo e assistindo os vídeos dos fundamentalistas na porta do hospital. Li comentários que questionavam como abordar o assunto “abuso sexual” com crianças e tive o start. Finalizei o material pela manhã”, comentou.

Mas não é a primeira vez que ela cria um material para as crianças. Em outra oportunidade, Larissa criou um material sobre feminismo para crianças. Entretanto, segundo ela, os cards de como se pode proteger as crianças fizeram um sucesso que não ela não esperava.

“Eu enviei o material de como proteger as crianças para o pessoal do @seremosresistencia e eles respostaram, foi um boom. A maior parte das pessoas me enviaram mensagens agradecendo. A grande maioria dos feedbacks foi positivo”, contou.