Representação feminina em AL deve continuar baixa: “Entrave são os próprios partidos”, diz cientista política

2020 é ano de eleição. E apesar de vermos em Alagoas que algumas mulheres já se lançaram como pré-candidatas, a representatividade feminina deve continuar baixa este ano. Essa é a visão da cientista política, Luciana Santana que fez uma avaliação do cenário no Estado.

Atualmente, Alagoas conta com cinco deputadas estaduais na Assembleia Legislativa e cinco vereadoras na Câmara. Para as eleições deste ano, apenas duas mulheres vão participar da disputa para administrar a capital.

Na avaliação da cientista política, a participação das mulheres na política, especificamente atuando em cargos eletivos ainda que venha aumentando, aos poucos, ainda é muito baixa no Brasil.

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Segundo Luciana, faltam incentivos possam ampliar o sucesso eleitoral das mulheres. 

“Os desafios são muitos, temos uma sociedade ainda muito machista, na qual a divisão social do trabalho ainda está engatinhando, pouco espaço para as mulheres no âmbito dos partidos, pouca visibilidade para que tenhamos mais mulheres conhecidas e competitivas na disputa eleitoral”, reforçou.

Porém, ela disse que não possível desanimar, mas é necessário que se conquiste espaços que possibilitem êxitos. “As cotas de gênero (Lei 9.504 de 1997) foi um avanço, bem como a resolução n° 23.604 do TSE que determina a destinação de 30% do dinheiro do fundo partidário para mulheres, foram incentivos importantes”, destacou.

Luciana disse que ainda é cedo para afirmar se teremos uma mudança expressiva nas eleições. “Porque temos paralelamente uma nova regra que não permite coligação para eleições proporcionais que provavelmente vai reduzir o número de partidos nos legislativos, e não garante melhora na representação de mulheres”.

Quando se fala no cenário nacional, é possível ver um leve aumento de mulheres eleitas. Em 2014, foram escolhidas 190 mulheres para assumir os cargos em disputa, o que equivalia a 11,10% do total de 1.711 candidatos eleitos. Já no último pleito, as 290 eleitas correspondiam a 16,20% do universo de 1.790 escolhidos, um crescimento de 5,10% com relação à eleição anterior.

“Espera-se que esse cenário seja observado também na eleição deste ano. Mas para isso será necessário empenhos das candidatas, dos movimentos de mulheres e principalmente dos partidos”, reforçou a cientista política.

Em Alagoas, segundo Luciana, o número de mulheres disputando cargos majoritários é sempre muito menor do que homens. “Esse cenário precisa se alterar”, disse.

De acordo com a cientista política, uma das saídas para esse crescimento é ocupar espaços no legislativo também é um caminho importante para ampliar a representação de mulheres na política. 

“Como a campanha ainda não começou há tempo para que os partidos adotem estratégias que possibilitem ampliar a visibilidade de candidaturas femininas. As candidatas mulheres podem e devem pressionar seus partidos e suas lideranças partidárias”, finalizou.