Jovem ganha prótese nova e realiza sonho de entrar no mar sozinha e andar de salto

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A estudante de enfermagem Rafaela Reis Rocha tem 22 anos e nutre sonhos e planos como toda jovem de sua idade. Ter uma carreira de sucesso e oferecer uma vida melhor para os pais estão entre seus objetivos. Mas o que para muitos pode parecer bobagem, para ela foi algo com o que esperou ao longo de sua vida: entrar no mar sozinha e andar de salto. 

Rafaela mora em Vila Velha (ES) e viu recentemente sua história de superação, como define, ganhar as redes sociais, ao fazer uma vaquinha eletrônica para conseguir uma nova prótese para a perna direita. Foi só postar nas redes, que rapidamente viu surgiu o começo da mudança. 

“Já tinha feito o orçamento de uma prótese e precisava arrecadar 21 mil reais e com apenas 24 horas conseguimos o valor de 25 mil reais”, ela diz. De Manhuaçu (MG), ela se mudou para Vila Velha para estudar no curso de enfermagem.  

Rafaela conversou com o Eufemea, a quem contou sua história de luta e superação.  

“Eu faço enfermagem na UFES [Universidade Federal do Espírito Santo], tenho uma irmã mais velha, e divido apartamento com uma amiga e meu namorado. Eu fiz a vakinha online porque tinha que trocar a minha prótese, já que ela está em uso há 7 anos e não se comportava ao meu ritmo, mesmo com as manutenções sendo feitas regularmente. E como minha mãe está desempregada, e a única renda que temos é a do meu pai, não tínhamos condições de comprar uma prótese nova”, disse. 

Rafaela: “Eu sei que pode parecer bobo para as pessoas, mas sempre sonhei em entrar no mar sozinha”. Fotos: Arquivo pessoal

A jovem nasceu com uma malformação. “Descobrimos o que eu tinha somente quando nasci, que era uma malformação congênita chamada hemimelia fibular, que consiste no meu caso na ausência completa da fíbula, osso longo que junto da tíbia é responsável pela sustentação corporal”, diz. 

Ela conta ainda que não tinha o pé totalmente formado, possuindo apenas três dedos e sem a formação do calcanhar. “Além disso, tinha uma diferença de tamanho de 5cm da perna direita para a esquerda que foi se agravando com o passar do tempo devido ao meu crescimento, chegando a uma diferença de 17cm quando amputei a perna. E nos exames pré-natais não foi possível ver essa deficiência que eu possuía”. 

“Os médicos falavam da possibilidade de fazer cirurgias para alongar os ossos, mas no meu caso não teve sucesso. Somente quando troquei de médico foi que ele falou com meus pais e comigo que o único recurso era a amputação”.  

A primeira cirurgia veio quando ela tinha apenas seis meses e a última, com 14 anos, quando amputou a perna. 

Sem condições financeiras para bancar uma nova prótese, ela viu nas redes sociais o caminho para buscar ajuda. “O curso que faço na UFES é de período integral, com isso não consigo trabalhar e dependo dos meus pais. Eles fazem o possível para continuar me mantendo em outra cidade para conseguir terminar meu estudo. Algumas atividades, como academia e pilates, tive que parar devido à pandemia e por minha mãe ter ficado desempregada”, revela Rafaela, ao dizer que não tem nenhum outro caso na família. 

Superação 

Foi na adolescência, diante do olhar da sociedade, que ela conta que sofreu até se redescobrir. “Eu sempre convivi muito bem com a minha deficiência física principalmente quando criança, mas com a adolescência e entendendo a maldade da sociedade e os olhares que tinha na rua eu passei a me esconder, só usava calças largas e saias longas para tampar a órtese que usava na época”. 

“Com os problemas de saúde que vinha sofrendo com a diferença de tamanho de uma perna para outra eu resolvi amputar, e mesmo essa decisão tendo sido feita por mim, ainda sofri um pouco até me aceitar de verdade como me aceito hoje. Eu sempre digo que a amputação foi uma libertação pois pude usar as roupas que sempre quis, e que as minhas amigas e primas usavam, como shorts, saias e vestidos”. 
A primeira cirurgia veio quando ela tinha apenas seis meses e a última, com 14 anos, quando amputou a perna

O Eufemea perguntou como Rafaela se sente hoje. “Me vejo como uma mulher normal, que mesmo com as dificuldades que tenho na vida sempre consigo conquistar o que quero, e muitas pessoas me ver como superação e uma mulher forte e guerreira”, ela disse. 

Alegre, ela conta da discriminação e sentimento de piedade estampado no semblante das pessoas. “Discriminação sim quando faço algo que é meu direito como pessoa com deficiência física, já o sentimento de dó eu sentia mais quando era mais nova ou quando conto a minha história de vida para a pessoa. Me incomoda sim, porque eu não me vejo como uma pessoa incapaz de realizar atividades rotinas do dia a dia”. 

Mas tudo para Rafaela se resume na palavra superação. É com essa determinação que acreditou e conseguiu concretizar seus maiores sonhos.  

“Eu sei que pode parecer bobo para as pessoas, mas sempre sonhei em entrar no mar sozinha e andar de salto. Ambos já consegui realizar graças à prótese nova! Eu planejo me formar na faculdade e ter uma carreira de sucesso para conseguir dar uma vida melhor aos meus pais, e realizar mais alguns sonhos que temos juntos”.