Hospital da Mulher: música e amor como coadjuvantes no tratamento de crianças com Covid-19

Apreensão, ansiedade e dor deram espaço a sorrisos, palmas e até dancinha, ensaiada no leito hospitalar onde crianças com Covid-19 ou suspeitas de terem contraído o vírus recebem tratamento contra a doença. A musicoterapia foi a forma encontrada pela equipe da UTI Pediátrica do Hospital da Mulher Dr.ª Nise da Silveira (HM), em Maceió, para ajudar na recuperação das crianças e auxiliar também os familiares no momento de angústia e incerteza. Deu tão certo, que a equipe já prepara novas ações.  

A enfermeira Ana Carolina Menezes, da equipe multiprofissional do hospital, conversou com o Eufemea, a quem contou como surgiu a ideia e falou sobre os resultados.   

“No mês de agosto, em uma ação da psicologia, foi realizada uma atividade com musicoterapia que foi bem aceita. Com isso, já vendo a existência de artigos explicando a ação terapêutica que ajuda no reestabelecimento da saúde, vi uma possibilidade de unir a terapia com acessibilidade para as crianças, juntando o útil ao agradável, como as atividades da equipe multidisciplinar com a interação criança/família”, conta Ana Carolina. 

A UTI Pediátrica do Hospital da Mulher deu espaço à música, que ajuda no processo de tratamento das crianças. Fotos: Divulgação

Segundo a profissional, a música ajuda na recuperação do paciente por oferecer “melhor interação com o tratamento, acessibilidade, melhor adaptação ao ambiente, interação com a equipe multidisciplinar, movimentação”. 

E ela explica que “como a criança fica num ambiente que a maior parte do tratamento ela está deitada ou realizando movimentos de baixo impacto, com a música, vem atividade de respiração e canto, e endorfina, que traz o relaxamento ao corpo, sensação de bem-estar”. 

O resultado, conta Ana Carolina, é muito positivo. As crianças não apenas gostam, como interagem. “Com certeza, eles dançam, mesmo que sentadas no leito, cantam as músicas que conhecem, batem palmas e os familiares se emocionam em ver a interação, e ainda em saber que aquele momento é para causar bem-estar a eles, em ver o sorriso da criança num momento de apreensão/ansiedade, por um resultado positivo ou uma melhora até a alta hospitalar”. 

Equipe multidisciplinar na ação com as crianças: “Percebemos que diminui a ansiedade delas em um ambiente fechado e apreensivo”

Ana Carolina diz ainda a percepção de melhora no quadro clínico se dá principalmente no controle da ansiedade das crianças. 

“Percebemos que diminui a ansiedade delas em um ambiente fechado e apreensivo. Faz com que tenham maior confiança no local e tratamento que está sendo realizado com eles”. 

Ana Carolina Menezes, enfermeira

Os familiares, diz a profissional, também participam, sendo este é um momento “indispensável para eles”. 

Atualmente, segundo Ana Carolina, a pediatria do hospital está com 10 crianças, sendo cinco suspeitos e cinco confirmados com Covid-19.

“Hoje estamos com crianças de 1 ano e 4 meses a 10 anos, mas nossa faixa é de recém-nascido a 13 anos”, ressalta.

A ação ocorreu na semana do Dia das Crianças, mas outras iniciativas estão sendo preparadas. “Na verdade, foi uma semana de atividades, além da musicoterapia, realizamos roda de conversa  com as acompanhantes sobre como diminuir a ansiedade nesse momento de internação da criança com Covid, pintura em face, visita dos palhaços da equipe do sorriso de plantão e contação de histórias, mas a musicoterapia abrange muito mais que o tratamento deles. A equipe ficou muito animada em participar também”. 

Musicalizando Vidas 

A equipe é multidisciplinar, composta por enfermagem, serviço social, psicologia, farmácia e médica. “A equipe do Musicalizando Vidas ficou encarregada do repertório, porém nos dias em que eles não participaram, ficou a cargo da criançada escolher e com base nas preferências deles, que escolhemos o repertório, mas englobando do mundo do bita, a galinha pintadinha e Xuxa, que não poderia deixar de tocar devido a infância das mães e familiares, além da preferência da equipe”. 

Os familiares também participam: “Este é um momento indispensável para eles”

As ações prosseguem. Tudo para auxiliar no tratamento e nos resultados. “Continuamos entregando os presentes que arrecadamos com os colaboradores de todo o hospital, lembrancinhas personalizadas com lanches, esses entregues na admissão do paciente na UTI. E como lembrança do período na unidade, um bonequinho de marshmallow e um bloquinho de pintar com lápis de cor. Todas as lembranças foram frutos de doações da própria unidade hospitalar. Sem a ajuda da equipe, não conseguiríamos fazer a metade do programado”, diz Ana Carla.

De acordo ainda com a enfermeira, a musicoterapia será realizada uma vez ao mês “e no próximo mês, junto a ação do novembro roxo, voltado à prematuridade e banho de ofurô para os que tiverem condições de realizar. Terapias voltadas para os bebês”.  

Os profissionais não medem esforços para transmitir amor às crianças; atualmente, 10 estão internadas, sendo cinco suspeitos e cinco confirmados com Covid-19