Combate ao machismo, racismo e desenvolvimento da favela são prioridades de Olívia Santana, em Salvador

Foto: Amanda Oliveira

Mãe, negra, pedagoga, militante das causas sociais e candidata à Prefeitura de Salvador pela coligação “Experiência, Amor e Raça” (PCdoB/PP). É assim que se define a candidata Olívia Santana. Ela é mais uma entrevistada da série de reportagens do Eufêmea  com as candidatas às prefeituras do Nordeste.  

Ao Eufêmea, Olívia disse a trajetória política dela começou com ela sendo vereadora por 10 anos, ocupando cargos da gestão municipal e estadual. 

Em 2018, Olívia foi a primeira mulher negra eleita deputada estadual na Bahia, com mais de 57 mil votos por todo o estado. 

“Atualmente estou presidenta da Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e sou candidata a prefeita de minha cidade. Como filha do povo, sei que posso fazer mais pelos soteropolitanos, através de uma gestão participativa com igualdade para todas e todos”, reforçou Olívia.

Propostas da candidata

Olívia carrega uma série de propostas consigo. Caso seja eleita, Olívia pretende corrigir distorções, combater sempre o racismo, o machismo e outros preconceitos e discriminações que embaraçam a vida das pessoas negras, das mulheres, da comunidade LGBTQI+, das pessoas com deficiência na capital baiana.

“Vamos propor um desenvolvimento integrado da cidade, que inclui a dinamização de todos os segmentos da indústria e de serviços com potencial de geração de trabalho, emprego e renda. Incentivaremos o desenvolvimento local nos bairros, através do estímulo à economia popular e solidária”, enfatizou.

Além disso, ela quer levar o desenvolvimento para as favelas e fortalecer os bairros populares como espaços geográficos ao mesmo tempo mais autônomos e mais integrados a toda cidade.

“Vamos implantar o Favela Importa, que vai revitalizar as áreas de vulnerabilidade social, ampliar o acesso à internet em bairros da periferia, revisar as linhas de transporte urbano, construir mais de 16 creches. Nosso investimento será para elevar o padrão de desenvolvimento de Salvador de uma maneira mais ampla e coletiva”.

Na área de educação, Olívia quer  promover a melhoria da qualidade do ensino com infraestrutura, inclusive de internet e tecnologias, valorizando os profissionais da educação. “Esse novo modelo envolve desde a educação na primeira infância até a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a fim de superar os indicadores de analfabetismo, inclusive dos pais e mães dos estudantes da rede municipal”, explicou.

Ela também quer ampliar a cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) para 75% da população de Salvador, contemplando 100% da população dos territórios com os piores indicadores de saúde. “Além disso, regular o acesso das usuárias e usuários aos serviços de atenção especializada, como exames, e fortalecer a vigilância epidemiológica”.

“A pauta das mulheres está em todos os eixos do programa”

Segundo Olívia, a pauta das mulheres está em todos os eixos do programa, através de propostas para fomentar a diversidade e garantir os direitos das soteropolitanas. 

Veja a resposta dela abaixo:

No seu plano de governo, o que você pensa em fazer pelas mulheres? Quais são os projetos?

A pauta das mulheres está em todos os eixos do meu programa, através de propostas para fomentar a diversidade e garantir os direitos das soteropolitanas. Elas são a maioria da população da capital baiana, 54,7% do total de habitantes. É importante priorizar políticas públicas voltadas às mulheres para promover mudanças sociais. Minha candidatura foi lançada com a “Primavera das Mulheres”, evento pautado na apresentação de programas e projetos destinados a esse segmento da sociedade.

Durante minha trajetória política adquiri experiência no atendimento às demandas da população feminina. À frente da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM) conseguimos implantar, em parceria com outros órgãos, a Ronda Maria da Penha, um importante programa de combate à violência contra a mulher. Como presidenta da Comissão de Mulheres da ALBA, conquistamos, por conta do aumento dos casos de agressão na pandemia, a Delegacia da Mulher Digital. A partir da luta junto com a Defensoria Pública da Bahia, os coletivos de mulheres e toda a Rede de Proteção à Mulher do Estado.

Por isso, vou continuar apoiando essa rede com a instalação de centros de referência e atenção às mulheres vítimas de violência em diversas regiões da nossa cidade, além de implantar, por meio de gestão compartilhada, a Casa da Mulher Brasileira, um espaço de acolhimento integral para mulheres que sofreram agressões ou estão em situação de vulnerabilidade.

Na educação, a ampliação e construção de novas creches vão garantir que as mães tenham onde deixar seus filhos para trabalhar. Para a saúde, tenho como proposta a construção da Maternidade Municipal. Já nas áreas de emprego e renda, pretendo incluir medidas para a superação das desigualdades de gênero, classe, raça, etnia e geração nas ações de qualificação profissional e tecnológica.

Vou implementar também políticas voltadas às mulheres negras, como o Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (Fiema), criado por mim quando estive na gestão da Secretaria Municipal da Educação e que foi abandonado pela atual gestão.

Não basta apenas ser negra

E Olívia também pensa em ampliar a participação das mulheres na política. De acordo com ela, nessa eleições, nós estamos diante de um novo cenário na política nacional. “Conquistamos avanços, como 30% de cotas para candidaturas de mulheres e 30% do Fundo Eleitoral de campanha para pessoas negras, tudo isso fruto da luta dos movimentos sociais”.

A candidata disse que tem orgulho da trajetória nesses fóruns que contribuíram para ampliar oportunidades e garante que é dessa forma que luta no combate às desigualdades. 

“Estar no lugar que ocupo é inspirar outras meninas, outras mulheres que querem mudar a realidade em que estão inseridas. Hoje vejo mulheres candidatas que dizem que se inspiram em mim e sei o quanto isso importa na construção de representatividade. Mas não basta apenas eleger mulheres ou pessoas negras, é preciso conjugar a eleição dentro de uma agenda do campo democrático”.

Conforme a candidata, é preciso trabalhar pela emancipação, para que mais mulheres ocupem espaços de poder em todos os ambientes, em todos os partidos. “Mas nosso desafio não para aí. Queremos mulheres com pautas avançadas e comprometidas com a transformação estrutural da sociedade em favor da igualdade. O discurso da sororidade é importante, mas a prática é fundamental”.