Nordeste pede fim da violência contra mulher; em Maceió, manifestantes vão ao Judiciário nesta quarta

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O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Violência contra a Mulher, celebrado nesta quarta-feira, 25, será marcado em todo o Nordeste por atos e ações que alertarão a sociedade e os governantes que viver uma vida sem violência é um direito humano. Em Maceió, a mobilização está marcada para as 15h, com concentração no antigo Produban, no Centro, em caminhada até o Tribunal de Justiça, na Praça Deodoro. 

“Este ato é o resultado de uma articulação que vem acontecendo desde março quando iniciou a pandemia, entre o UNFPA ONU (Fundo de População das Nações Unidas) e diversas entidades de defesa das mulheres no Nordeste por conta do crescimento da violência durante a pandemia”, informa Paula Lopes, coordenadora da ONG Centro de Defesa dos Direitos da Mulher, uma das organizadoras do movimento. 

Segundo ela, a mobilização propõe chamar a atenção da sociedade e dos gestores a respeito da violência contra a mulher a partir da implementação de políticas públicas para mulheres.

“Estaremos em cortejo do calçadão do comércio até a frente do Tribunal de Justiça, onde ouviremos familiares de vítimas e sobreviventes da violência, assim como mulheres dos movimentos sociais”, diz Paula. 

 Dois documentos foram elaborados e serão encaminhados a autoridades competentes, como destaca a organizadora: a Carta das Mulheres de Maceió, no qual colocamos as principais pautas para proteger e melhorar a vida das mulheres, e outro para o Judiciário de Alagoas”. 

O movimento também irá entregar aos candidatos de 2º turno à Prefeitura de Maceió uma carta compromisso em que pedem apoio para um conjunto de medidas que constituam políticas públicas para as mulheres.
Os números da violência não param de aumentar e de acordo com Paula Lopes são  alarmantes.

“Até agosto tínhamos 18 mulheres fatalmente silenciadas pelo feminicídio em Alagoas, sem contar os casos de estupro e de violência doméstica que não param de crescer, e ainda assim são subnotificados. Não podemos mais aceitar a violência como coisa normal, queremos a garantia de que nossas mães, irmãs, filhas e amigas vão poder contar com uma rede de proteção forte e efetiva se passarem por uma situação de violência”, afirma Paula. 

Paula Lopes, coordenadora da ONG Centro de Defesa dos Direitos da Mulher: “Vítimas em sua maioria são mulheres entre de 15 a 45 anos, negras, pobres e com pelo menos dois filhos”

“Epidemia da violência” 

Ela diz que “as vítimas em sua maioria são mulheres entre de 15 a 45 anos, negras, pobres e com pelo menos dois filhos, mas há violência contra a mulher em todas as classes sociais, e os maiores agressores são os companheiros ou ex-companheiros. As pessoas mais vitimadas com a violência sexual são meninas de 0 a 17 anos, e os maiores agressores são familiares, parentes ou pessoas ligadas à família”. 

“A epidemia da violência sempre existiu, mas ela tem mais visibilidade hoje porque hoje podemos falar sobre isso e denunciar, e há alguns anos a mulher que sofria violência tinha obrigação social de continuar convivendo com seu agressor”. 

Paula Lopes considera que “o maior remédio contra a violência é o investimento em políticas públicas de prevenção e promoção da igualdade e oportunidades,  somadas à proteção das mulheres. Falta aplicação de verbas nessa área”, finaliza. 

O que representa o 25 de novembro

No dia 25 de novembro de 1960, as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, conhecidas como “Las Mariposas”, foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. Elas lutavam fortemente contra aquela ditadura e pagaram com a própria vida. Por conta disso, em 1999, a Organização das Nações Unidas instituiu esse dia como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher.