Na busca do prazer imediato e por acharem que não serão infectadas, pessoas se aglomeram, diz psicóloga

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Mesmo com os casos de Covid-19 em alta em quase todo o País, muitas pessoas têm se aglomerado em festas, bares, praias,  comércio, desrespeitando decretos de restrição, pondo a própria vida e a de outros em risco. Mas o que leva alguém a agir dessa forma em plena pandemia? Quem responde é Maria Cícera Oliveira Lima, neuropsicóloga, psicóloga clínica e especialista em home care.  

“O que explica esse comportamento é a dificuldade que o ser humano tem do autocontrole. Especificamente os jovens, pelo fato de estarem sempre em busca do prazer imediato”.  

Alegar que não aguentam mais o isolamento social tem sido uma ‘justificativa’ de muitos para descumprirem as medidas de proteção. Mas a psicóloga tem a explicação para esse tipo de comportamento, que na análise da profissional passa pela ideia de que não serão infectados. 

“Pelo fato de acreditarem que a doença não irá atingi-los, se comportam dessa forma, mesmo reconhecendo o perigo de contrair o coronavírus. Isso se explica como um mecanismo de defesa (negação da doença)”.  

Questionada se as pessoas  já não vivem mais o drama do luto, se tantas mortes no Brasil e no mundo já não abalam, Cícera Oliveira explica: “Aos poucos preferem negar essa possibilidade ao se comportarem como se a morte fosse algo bem distante. Na sociedade ocidental existe uma falsa crença de imortalidade como uma visão de que a morte é injustificada ou inesperada. Não é costume nosso nos preparamos para a morte, por isso que é negada”.  

Esse tipo de comportamento, diz a psicóloga, é “mais comum nos jovens, até porque eles preferem viver o momento presente (prazer imediato). Embora os idosos na maioria das vezes não querem morrer. Exceto aqueles que acreditam que são especiais e nada irá lhe acontecer (personalidade narcisista). Vivenciamos isso no Brasil com algumas figuras nacionais”.  

O relaxamento das medidas de proteção é frequente principalmente em que não passou pela experiência do contágio, como informa a profissional. 

“As pessoas que se comportam dessa forma, são as que não tiveram essa experiência e passam a acreditar que o vírus está bem distante delas”.  

Mas ao mesmo tempo que muitas pessoas se arriscam, elas também vivem a angústia da incerteza. “Para as pessoas que já sofriam algum transtorno mental será intensificado e virão à tona algumas patologias de ordem psíquica nesse momento de pandemia”.  

Quanto a futura geração pós-pandemia, se ela será mais consciente, mais solidária, a psicóloga responde que depende.   

“Umas podem se tornar mais conscientes e serem mais solidárias. Com a experiência tiraram alguma aprendizagem. Enquanto que outras continuaram negando a realidade e passando uma ideia de que acostumou com um sofrimento e viverá negociando, barganhando esse sofrimento”.