Nudez e exposição dos corpos femininos: empoderamento ou objetificação?

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Cresce nas redes sociais a ideia de que a hipersexualização e exposição dos corpos femininos estariam atreladas a formas feministas de empoderamento. São corpos que fazem parte de um padrão de beleza, com poses pensadas para esconder qualquer tipo de “defeito” (vide várias blogueiras ensinando como fazer fotos escondendo barriga, celulite, aumentando os seios, etc).

Esses corpos tidos como padrões invisibilizam uma nudez natural e uma discussão sobre body positive. “Meu corpo, minhas regras” virou um jargão feminista de marketing. Enquanto o Feminismo Liberal – libfem – prega que nudez é empoderamento, a sociedade, e até nós mesmas, objetificamos corpos femininos, aceitando as formas de dominação do capitalismo e do patriarcado.

Afinal, a indústria da beleza lucra com a ideia de que precisamos expor corpo cada vez mais perfeitos. Além disso, enquanto acreditamos que estamos exercendo nossa liberdade de fazermos o que quisermos com nossos corpos, reproduzimos uma hierarquia de poder onde nossa nudez é lucrativa tanto para homens quanto para a indústria pornográfica no geral.

A coisa se complica ainda mais quando vemos que, cada vez mais cedo, crianças e adolescentes estão expondo seus corpos sobre o manto do empoderamento e feminismo quando, na verdade, estão alimentando a pedofilia (por exemplo, Mel Maia).

Triscila Oliveira, uma escritora e ciberativista negra, explica bem quando diz que empoderamento não é nudez, até porque nossa nudez é lucrativa. Ela vai mais além, nudez de um padrão racista e excludente só serve para invisibilizar corpos e vivências pretas.

Empoderamento é sobre mover estruturas, assim como o feminismo é sobre luta e não sobre fotos mostrando os seios e a bunda. Empoderamento é questionar padrões de beleza, poder decidir sim o que fazer com o próprio corpo, mas sem reforçar toda uma estrutura machista, racista e classista de poder.

“Meu corpo, minhas regras” não é uma frase de empoderamento, é uma ideia individualista que o capitalismo se apoderou e transformou em um jargão de marketing. Você pode até achar que está sendo livre, mas o feminismo não gira em torno de escolhas pessoais, feminismo é sobre mover política e socialmente estruturas.