Pandemia: casal trava batalha na Alemanha para o pai acompanhar nascimento da filha no Brasil

A psicóloga Kaanda Barros Ribeiro está grávida do primeiro filho. Com a pandemia do novo coronavírus, o companheiro, Christoph Sebastian Hauser, trava uma batalha junto à Embaixada do Brasil na Alemanha para conseguir a liberação de viagem e poder acompanhar o nascimento da filha Maria Ayla. É lá onde Christoph mora e trabalha, mas de onde acompanha diariamente a gestação de Kaanda, ‘conversa’ com a filha em chamadas de vídeo e faz planos para quando os três puderem se encontrar.   

Os dias são de muita ansiedade para a psicóloga, mas de muita confiança. Ela conversou com o  Eufemea a quem contou sobre sua vida e a profissão. 

“É a minha primeira gravidez, estou com 27 semanas e a gestação no aspecto físico tem sido muito tranquila. Emocionalmente falando, me sinto bem na maior parte do tempo, mas alguns dias estou mais sensível e me permito acolher isso também”, conta Kaanda.  

E relata a história de amor com o companheiro Christoph, o pai de sua filha.

“Ele é alemão e mora lá. Nos conhecemos aqui há mais de 2 anos e estamos juntos há 1 ano e meio. Quando decidimos pela gravidez sabíamos que poderia acontecer de ficarmos distantes nesse período, já que ainda moro aqui. Porém, o contexto da pandemia torna tudo mais difícil”, diz Kaanda. 

O plano, segundo ela, era de casarem na Alemanha em junho. “Eu iria passar um mês com ele. Agora já estamos desde janeiro sem nos ver e ele só virá em agosto e mesmo assim terá que ficar de quarentena por 14 dias. Teremos que preparar toda uma documentação para que ele possa vir e ficar no Brasil um tempo já que no momento não está permitido aos europeus viagens turísticas para cá”, relata.  

Kaanda diz que Christoph está com a passagem comprada “para 1º de agosto até 25 de outubro.  Mas temos que provar que ele é meu companheiro e pai de Maria Ayla para justificar. Ele virá para o parto e pós-parto inicialmente. Depois eu e Maria Ayla vamos morar lá. Devemos nos mudar em janeiro/fevereiro”, ela conta. 

“Ele gosta de cantar para ela” 

A distância, porém, não os impede de conversar todos os dias e de Christoph acompanhar a gestação de Kaanda e conversar com a filha.

Kaanda e Christoph se conheceram há mais de dois anos: “O contexto da pandemia torna tudo mais difícil”

“Nós nos falamos todos os dias por videochamada no WhatsApp e eu sempre incentivei que ele conversasse com ela, especialmente a partir do quarto mês de gestação quando o bebê já pode ouvir. Esses diálogos se intensificaram com os movimentos fetais. Ele gosta de cantar em alemão para ela e ela quase sempre se meche muito nesses momentos. É possível sentir que o vínculo afetivo está sendo gerado, mesmo com toda a distância física. Também procuro sempre que possível fazê-lo participar das consultas e exames de ultrassom, é uma maneira dele se fazer mais presente”.  

A psicóloga diz ainda que Christoph é engenheiro elétrico e trabalha na empresa Bosch, na Alemanha. “Eu irei morar com ele e nossa filha assim que ela tiver idade para viajar de avião, no quinto ou sexto mês de vida, ou seja, em janeiro/fevereiro do próximo ano. Analisamos que essa seria a melhor opção já que sou autônoma e possa realizar o meu trabalho à distância, então será mais fácil que eu saia daqui do que ele de lá”.  

Formada em Psicologia há mais de 8 anos, ela conta que atua e desde então “como psicoterapeuta com especialização na área perinatal que é uma área específica voltada para o estudo e cuidado com a mulher/mãe e sua família desde a preparação para engravidar, durante a gravidez, parto e pós-parto, oferecendo suporte psicoemocional para vivenciar esses momentos de profundas transições”. 

Também trabalha “como facilitadora de círculos de mulheres há mais de 4 anos numa perspectiva que une o trabalho terapêutico, constelação familiar e Sagrado Feminino. Neste tempo criei o grupo terapêutico para mulheres Ciclo Sagrado Feminino que acontece através de encontros mensais durante um ano na clínica SerHuno na Jatiúca”. 

“Agora, estou criando uma versão on-line e reduzida deste trabalho que será divulgado em breve. Além disso, conduzo o Programa Árvore: desenvolvendo facilitadoras de círculos de mulheres desde o início deste ano, voltado para mulheres que desejam aprofundar o seu autoconhecimento e se preparar para trabalhar com grupos femininos. Também sou uma das guardiãs da Jornada FloreSER que é um grupo de 4 mulheres que realizam juntas trabalhos terapêuticos e espirituais para mulheres através de rodas de conversa, workshops e retiros”, ela informa.