Mães de primeira viagem relatam dores e delícias da maternidade: “É esse amor que nos sustenta”

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Foto principal: Mariana e Melina

A chegada do primeiro filho é marcada por um mix de sentimentos. Neste dia das mães, o Eufemea ouviu histórias de mães de primeira viagem que compartilharam as delícias e as dores da maternidade.

A arquiteta Ana Clara Costa estava com o casamento marcado quando descobriu que estava grávida. Segundo Ana, isso mexeu com o emocional dela. “A gravidez da Mariana não foi planejada, mas eu sou cristã e acredito muito em Deus, e sabia que Ele tinha um propósito para mim”.

Pouco tempo depois, ainda grávida, Ana se deparou com a pandemia. Ficar longe da família foi a parte mais difícil. “Na minha família sempre tem uma tradição de que a filha fica sob os cuidados da mãe e é perfeitamente normal, é o que chamamos de rede de apoio. E eu não pude ter isso porque a minha família não podia ficar indo na minha casa”.

Para ela, a gravidez teve um misto de medo, ansiedade e tristeza por não ter quem se ama por perto. “Mesmo tendo o meu esposo eu me sentia sozinha porque estávamos em isolamento”.

Ana Clara e Mariana. Foto: Cortesia

Ana chegou a se contaminar com a covid-19 enquanto estava grávida e isso fez com que Mariana nascesse prematura. “Ela nasceu de oito meses, já entrando no nono mês, mas mesmo assim foi considerada um pouco prematura”. O susto tomou conta da arquiteta, mas Mariana se recuperou e ficou bem.

Amor incondicional

Segundo Ana, os seis primeiros meses são intensos, uma “verdadeira luta”. Ela também falou sobre a romantização da maternidade. 

“Eu acredito que a mulher recebe o dom de ser mãe, mas a mulher está propícia a ser julgada quando não quer ser mãe, e nós precisamos respeitar isso. Porque a minha vida inteira eu sonhei ser mãe, mas a gravidez de Mariana não foi planejada e eu achava que não tinha esse dom por causa do psicológico que ficou abalado. Os seis primeiros meses foram difíceis”, explicou.

Ana Clara disse que apesar dos desafios da maternidade, no final é gratificante porque é um amor inexplicável. “Tem dias que você está estressada, cansada, mas no final de tudo é gratificante. Quando você acompanha a descoberta dela parece que o amor só cresce. É esse amor que nos sustenta”.

“Ser mãe é não fazer nada completo”

A gastróloga Mariana Amorim, de 25 anos, passou por inúmeros problemas durante a gestação: 12 descolamentos de placenta, pressão alta, infecção, baixas taxas hormonais, hematomas e inúmeras internações.

“Eu já me encontrava em nível de exaustão extrema”, disse. A filha dela, Melina, veio ao mundo prematura. 

Foi aí que a luta de Mariana e Melina começou. As duas foram para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Melina se recuperou rapidamente, milagrosamente e é o meu exemplo de superação”. Foram dias delicados, mas também de muito apoio da família.

Hoje em dia, apesar de todo susto que as duas passaram, Melina cresce de maneira saudável e feliz.

Ao Eufemea, Mariana disse que Melina a ensina. “Eu acho que eu nem merecia tanta bondade de Deus me mandar uma criança tão especial como ela. Ela me ensina todos os dias”.

Segundo Mariana, ela vai demorar “uma vida inteira para descobrir o propósito de Melina na terra e na vida”.

“Ela é tão grande, tão cheia de amor, que eu não entendo. Eu olho para ela e não entendo. Tamanha inteligência, alegria. Vou demorar uma vida inteira ao lado dela para entender o propósito dela”.

A gastróloga disse que ser mãe de primeira viagem é aprender a todo instante.

“Eu digo que ser mãe de primeira, de segunda, de terceira, é não fazer nada completo. É só fazer. Nenhum dia termina 100%, a gente termina de 60% a 80%. Tem dias que não somos uma boa mãe, e é um dia após o outro. É se dedicar, ter paciência. Não tem como definir dizer, é só um dia após o outro”.