Body shaming: por que o peso de uma mulher sempre vira assunto e ela é alvo de ataques?

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Oii Bonitas, hoje vamos falar sobre um assunto muito importante e que nos últimos dias foi muito comentado nas redes sociais, o Body Shaming. Venham descobrir o que é esse movimento que mexe com a autoestima de muitas pessoas.

O body shaming significa, literalmente, “vergonha do corpo”. Ao contrário do que se possa imaginar, essa vergonha do corpo é causada não pela própria pessoa, mas sim, por terceiros em relação à sua aparência, por meio de comentários ofensivos, comparações maldosas e ataques preconceituosos com a aparência. Em geral, são ataques vistos comumente nas redes sociais.

Há alguns dias, a cantora Camilla Cabello, de 24 anos, foi fotografada de biquíni em uma praia de Miami, nos Estados Unidos. Esse simples fato, de uma mulher de forma natural e sem o “corpo perfeito” – aquele idealizado e cultuado por muitas pessoas de forma inalcançável e irreal, porém, cobrado por uma grande parte da sociedade machista e intelectualmente incapaz de enxergar que tais padrões não existem – vitimou a cantora, que passou a ser alvo de ofensas devido à sua beleza natural, pois sua forma física não agradou os olhares daqueles que ainda cultuam o “corpo perfeito”.

(Foto: The Grosby Group)

O que a cantora passou foram ataques de “Body shaming”.

Pois bem, a internet ainda é um dos lugares mais cruéis de disseminação do ódio gratuito. Como falei acima, o simples fato de uma mulher famosa estar na praia de biquíni, na sua forma natural; sem phostoshop, filtros ou edições, casou (e causa) ataques preconceituosos e ofensivos de forma gratuita – digo causa, pois Camilla não é primeira e, infelizmente, não será a última mulher a sofrer ataques pelo simples fato de expor seu corpo de forma natural na praia.

Temos os casos das atrizes e cantoras brasileiras Cléo Pires e Preta Gil que já foram vítimas diversas vezes desses ataques que questionam seus corpos. Tais ataques de body shaming vem associados a ataques “gordofóbicos” – Cléo passou por um processo de distúrbios alimentares e que acabou desenvolvendo compulsão alimentar fazendo com que ela engordasse.

Nesse processo, Cléo mudou a sua aparência física e foi muito criticada, recebendo ataques preconceituosos pelo ganho de peso. Em uma entrevista para o Fantástico, em 2019, Cléo falou sobre os ataques que sofreu pela sua aparência. “Não é normal você ser julgada por causa da aparência”.

Preta Gil também já foi alvo de vários comentários maldosos devido ao seu corpo. Em seu Instagram ela levanta a bandeira da importância do “body positive” e a luta contra esses padrões irreais de beleza impostos. Preta lançou uma coleção de biquínis e em uma das campanhas ela faz referência ao movimento do “corpo livre”. Em sua publicação do Instagram, ela postou uma foto sua toda editada e, na sequência, postou uma foto do seu real corpo, no qual escreveu. “Quem me vê hoje pode achar que eu sempre tive essa relação mais liberta com meu corpo, mas nem sempre foi assim. O processo de autoamor para mim e minha geração não foi fácil, sou de uma época em que não tinha outra alternativa a não ser o padrão. O único corpo possível era magro e sarado. Eu tentei me enquadrar nesses padrões, mas adoeci meu corpo e minha alma. Foi uma longa jornada até aqui.

Passei a me amar, amo meu corpo do jeito que ele é. Sei que a maturidade me ajudou, por isso eu digo e repito para você que é jovem, não perca seu tempo tentando se enquadrar em um padrão que só vai te adoecer. Busque se amar, se respeitar e enxergar a beleza em todos os tipos de corpos, inclusive o seu próprio!”.,

Foto: Redes Sociais

Vivermos presos na bolha da ilusão do “corpo perfeito”, além de nos punir diariamente com cobranças irreais, talvez, nos prive do mais importante: o autoamor. Digo isso, porque vivi uma experiência esta semana – que inclusive me inspirou a escrever este texto -, no qual vi que viver liberto de padrões irreais nos faça mais felizes do que imaginemos, mesmo que, para isso, ainda tenhamos que enfrentar os preconceitos escancarados pelos cantos dos olhos.

Essa semana eu fui ao shopping e me encontrava na parte de cosméticos de uma loja de departamentos. Enquanto escolhia uns produtos, se aproximou uma senhora que, sem qualquer vergonha, dizia estar no alto de seus 52 anos de idade (essa foi, talvez, a primeira coisa que me disse, antes mesmo de seu nome) e me pediu ajuda para escolher uma base, a qual não marcasse suas linhas de expressão, já que me dizia ser muito vaidosa com a aparência. Fui ajudá-la e, em um dado momento, ela pegou uma blusa dessas curtinhas de barriga de fora conhecida como cropped. Era bem estampado e curtinho. Ela o pegou nas mãos, olhou para a vendedora e disse “- Será que me serve? Achei lindo!”.

A vendedora disse que sim, mas percebi que naquele momento ela fez um julgamento negativo na escolha da cliente, por ser uma mulher de 52 anos comprando um cropped. Digo isso, pois no exato momento, a vendedora olhou para o lado e deu uma risada para colega de canto de boca, como a dizer “Ela ainda acha que é jovem para usar uma roupa dessas?”, como a dizer, ainda que sem essa intenção, que aquele corpo, já mais velho, não poderia ficar exposto por uma roupa tão aberta. O que quero contar com esse pequeno relato é que às vezes nós cometemos “body shaming”, gordofobia ou ataques preconceituosos de forma deliberada, como se fosse algo comum. 

Talvez, se vivêssemos a liberdade de não julgar o corpo alheio, não julgaríamos nosso próprio corpo e nossa forma de beleza, que tanto nos individualiza. Talvez, assim, nos aceitaríamos mais como esta jovem senhora de 52 anos que, naquele dia, – mesmo diante de julgamentos velados sobre suas escolhas -, saiu feliz da loja de departamentos, com um cropped na mão e uma base que esconderia um pouco de suas rugas. Talvez ela, na sua liberdade – que para muitos seria falta de senso de juízo com a própria idade – tenha a resposta para viver em paz com seu próprio corpo.