Violência contra mulher: artigo mapeia perfis das vítimas em Arapiraca; violência psicológica é a que registra mais casos

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A sexta edição eletrônica da Revista Esmal foi publicada nesta segunda-feira (30) e trouxe dados sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher em Arapiraca. No artigo que abre a edição, o juiz Alexandre Machado, a psicóloga Franciele Dias e a assistente social Jaqueline Lima fazem uma análise das principais variáveis que envolvem a violência doméstica e familiar contra a mulher na Comarca de Arapiraca no ano de 2020.

Com relação aos tipos de violência, o da violência psicológica consta em 96,7% dos casos, seguida da moral, com 80,2%. A física representa 40,7% dos casos e a menos observada, é a sexual com 8,2%.

No ano de 2020, as vítimas que solicitaram proteção da Lei Maria da Penha possuem, em sua maioria, idade entre 20 e 40 anos, sendo 32,6% entre 20 e 30 anos e 31,9% entre 30 e 40 anos, seguida de 19,8% das mulheres entre 40 e 50 anos e 3,3% delas acima de 50 anos. De todas as vítimas, 69,8% possuem filhos com o agressor.

Sobre a profissão das mulheres assistidas pelo Juizado da Mulher de Arapiraca, constam autônoma com 31,9%; do lar, 24,7%; servidora pública, 12,6%; CLT com 7,1%; desempregada com 7,1%; estudante, 6,6%; liberal, 3,3%; aposentada ou beneficiária com 3,3% e sem especificação de emprego 3,3%. 

Com relação ao bairro da residência da vítima, o que teve maior expressividade de Medidas Protetivas em Arapiraca foi o Planalto com 9,7% dos casos, seguido por Canafistula com 6,3%, Brasília com 5,7% e Olho D’Água dos Cazuzinhos com 5,1%. 

Acrescente-se, ainda, que a zona rural de Arapiraca, que conta com vinte povoados, abarca 16,6% dos processos, enquanto no município de Craíbas o percentual de medidas protetivas no ambiente rural é de 54,5%.

Em relação aos agressores, extrai-se que 73% são ex-companheiros das vítimas, 16,9% são atuais companheiros e 3,4% apontaram para outro tipo de relacionamento. 

Ainda quanto aos agressores, emerge do estudo que 98,9% são do gênero masculino e 83% deles já tinham histórico de violência, 15,4% não possuía registro nesse sentido e, em 1,6% dos casos, a vítima não soube informar. 

O mapeamento também mostra que “observando-se a expressiva porcentagem de os autores de violência doméstica serem ex-companheiros (73%), estudos como os de Costa (2009) apontam o indicador ciúmes como possível explicação para este dado, trazendo este sentimento como um comportamento emocional comumente emitido em função de preservar reforçadores em detrimento de um provável competidor rival”.

O artigo também analisa que a violência psicológica que consta em mais casos está diretamente ligada à relação de dependência emocional caracterizada como uma necessidade de ter o companheiro na posição de pessoa de referência. 

“A condição de violência psicológica é comumente confundida com cuidado e proteção excessivos do parceiro para com a sua companheira, assim, dificilmente é percebida no início do relacionamento, possibilitando, com o tempo, que as demais modalidades da violência doméstica apareçam”, diz um trecho do mapeamento.