Mães de filhos LGBT falam em acolhimento e amor: “Se fere a existência do meu filho, serei resistência”

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“Falar de amor é o que eu mais gosto”. Quem disse isso foi a psicóloga Edsângela Palmeira, atual coordenadora da Ong Mães da Resistência Alagoas e mãe de um jovem gay de 26 anos, em entrevista ao Eufemea. Hoje, dia das mães, o portal traz a história de duas mulheres que são mães de filhos LGBT.

Edsângela é mãe do Anderson Palmeira e não esconde o orgulho de tê-lo como filho. Ela brinca dizendo que “o tirou do armário”.

“O chamei para uma conversa e o perguntei se ele era gay, e ele confirmou. A princípio foi um momento difícil porque me preocupei com o que a sociedade iria pensar, a violência e os preconceitos que ele poderia passar”, contou.

Foto: Cortesia ao Eufemea

No entanto, com o passar dos dias, a tristeza foi passando e ela percebeu que não precisaria se preocupar porque ele a teria para lutar a seu favor.

Ser mãe de um/a LGBT é travar uma luta contra a sociedade cisheternomativa, que impõe aos nosses filhes que se enquadre em uma caixinha binária. E as pessoas devem ser livres para amar e performar da maneira como se sentem a vontade”, explica.

Edsângela deixa um recado para as mães e pais que ainda não aceitam seus filhos. Ela pede para que eles amem e respeitem do jeito que eles são e se identificam.

“Porque elas/es continuam sendo suas/seus filhes. Não ligue para o que a sociedade fala ou impõe, somente ame, ame incondicionalmente. Porque elas/eles já enfrentam uma vida muito difícil lá fora, e nós precisamos é estar do lado delas/deles como uma mãe”.

Hoje, a psicóloga é ativista e caminha ao lado do filho para que o mundo seja menos violento e mais acolhedor.

“Nossa ONG tem um lema a qual busco todos os dias vivenciar caso me depare em alguma situação: Se fere a existência de meu filho, serei resistência“, destaca.

Acolhimento e apoio
Foto: Cortesia ao Eufemea

A vendedora Anadege da Silva Nogueira, de 55 anos, descobriu que o filho Paulo Sérgio era gay ainda quando ele era adolescente. “Foi um baque”, disse.

Mas ela explica que no início se preocupou com o que o filho enfrentaria na sociedade. “Eu não tive mais paz por causa do preconceito e tenho medo das pessoas mexerem com ele”.

Entretanto, Paulo encontrou em casa acolhimento e apoio da mãe. “Hoje ele tem um parceiro e eu ganhei um outro filho. Me dou muito bem com o parceiro dele”.

A vendedora também reforça que pais e mães devem amar, respeitar e estar ao lado dos filhos independente da classe, cor, religião e orientação sexual. “Precisamos estar ao lado em todas as circunstâncias”.