“Educação sexual no currículo escolar não é para ensinar sobre sexo”, reforçam especialistas

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Foto: Internet

Um levantamento realizado pelo Instituto Datafolha divulgado na semana passada ouviu a opinião dos brasileiros sobre temas ligados à educação. Para 73% dos participantes, educação sexual deve estar no currículo escolar. O Eufemea ouviu duas especialistas em sexualidade para falar sobre a importância do tema e esclarecer dúvidas.

A educadora e terapeuta, Laylla Brandão, afirma que a educação em sexualidade pontua a psicoeducação sobre o próprio corpo, sobre os papeis de gênero e principalmente sobre o autoconhecimento do que é correto ou não.

“Além de pontuar direitos sociais e relacionamentos interpessoais como evitação de abuso sexual, doenças sexualmente transmissíveis e proteção sexual. Cada criança/adolescente aprenderá conforme sua fase e o que permeia sua realidade”, explica.

Segundo ela, a grande importância dessa discussão na educação é ofertar a possibilidade de reflexões e permissividades, além de pontuar nossa atuação enquanto cidadãos.

“Sexualidade como um tabu”

Especialista em sexualidade Laylla Brandão

A especialista esclarece que a educação oferta conhecimento e permite abordar pontos importantes da convivência social. “Não ensinamos penetração, mas sim reflexões e auxílio sobre dúvidas que permeiam crianças, jovens e adultos”.

“Educamos sobre a vida, como educamos sobre a matemática, sobre a história do nosso país e mundo. Nada difere a educação em sexualidade. O problema está em ainda termos a sexualidade como um tabu que não deve ser ensinado nem exposto a ninguém. Afinal, pais não educam, por não terem sidos educados. Não temos como ofertar o que não temos”, destaca Laylla.

De acordo com a educadora, discutir o tema dentro das escolas possui grande importância na identificação de casos de estupros e assédios entre alunos. “A educação fala sobre convivência social e permissividade. Refletimos sobre propriedade corporal, logo entendemos que o acesso ao nosso corpo, que é só nosso, é a partir de permissões e igualdade de compreensões”, diz.

“Com base em dados atuais, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), divulgou o número de 4.486 denúncias de violação de direitos Humanos e 18,6% são de violência sexual. Não estamos falando apenas de educação nas escolas, mas de educação social”, reforça.

Etapas para a educação sexual

Milka Freitas, educadora sexual

Para a educadora sexual, Milka Freitas, a educação sexual é importante não somente nas escolas, mas também no ambiente familiar, mas pontua que é necessário seguir algumas etapas.

“Quando a gente vai falar sobre a educação sexual nas escolas o ideal é que as pessoas comecem primeiro pela docência. Desde os profissionais da limpeza até da merenda e todos os setores que constituem a instituição educacional. Depois as famílias e só então crianças e adolescentes”, explica.

Segundo ela, é necessário que haja toda uma rede de apoio preparada para orientar os mais jovens. “Se eu começo a fazer palestra, oficina ou qualquer discussão na qual vou falar sobre sexualidade e depois vou embora daquele ambiente, as crianças vão estar cheias de dúvidas depois que eu sair. Então é preciso ter uma equipe e uma família preparada pra responder e orientar”, afirma.

Falta da educação sexual

Com relação às pessoas que acreditam que a educação sexual é incentivar o sexo entre os mais jovens, a educadora diz que, na verdade, ela evita que os adolescentes tenha relações sexuais desprotegidas e de forma antecipada.

“Segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), as primeiras iniciações, as primeiras fases, os primeiros incentivos de formas irresponsáveis acontecem dentro de casa. E não é com a educação sexual, é pela falta da educação sexual”, destaca.

A especialista cita questões hormonais próprias da adolescência e da pedofilia como pontos que ressaltam a importância da educação. “São discussões que a educação sexual traz e que precisa trazer não somente para o adolescente, mas todo o contexto familiar”.

Como exemplo, ela cita que a partir dos 11 anos, os meninos contumam ser incentivados a ver pornografia. “Não faz sentido dizer que a educação sexual estimula o sexo uma vez que as pessoas que são contra a educação sexual nunca tiveram educação sexual e praticaram sexo de qualquer forma, provavelmente muito precoce”.

Educação sexual auxilia na identificação de violências

Ainda conforme a especialista, a educação sexual ajuda na identificação de casos de estupros assédios entre alunos, principalmente quando o estudante se sente confortável para conversar.

Um ponto que ela destaca é a problemática ao falar de estupro, aborto, assédio sexual e moral colocando apenas as pessoas do gênero feminino para se defenderem e terem consciência de uma relação tóxica. “O gênero masculino vai estar sempre praticando porque é induzido que é livre pra fazer essas violências”.

“Quando eu tenho uma escola estruturada e a gente traz essas discussões não de forma pontual, mas de forma transversal, a gente descobre pessoas que sofrem violência dentro de seus lares ou com pessoas que seriam para lhe resguardar”, conclui Milka.