Especialista fala sobre importância de oratória para candidatas: “a dificuldade de fazer um bom discurso pode prejudicá-la”

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Entrar na política não é tão simples quanto parece. É preciso estudo, dedicação e algo que é muito importante, mas que poucas mulheres levam em consideração: a oratória. A capacidade que uma política tem de se comunicar é de extrema importância para a carreira dela e até para obter o resultado positivo nas eleições.

Ao Eufemea, a advogada, jornalista e especialista em oratória, Meline Lopes, fala sobre a importância das técnicas de oratória como uma das principais formas de alcançar esses objetivos de uma mulher que quer entrar na política. Segundo ela, a dificuldade em ter uma boa comunicação e fazer um bom discurso, causa consequências negativas para a candidata.

Segundo Meline, a forma como as mulheres costumam ser educadas geram prejuízos ao longo dos anos.

“Isso por vir de uma sociedade, na qual mulheres são naturalmente mais oprimidas, retraídas para falar opiniões e vontades. De modo geral, fomos educadas para não ser aquela mulher que fala alto, para ser recatada, que não se expõe. Assim, acabamos passando para a vida adulta como essa pessoa”, destaca.

A profissional reforça que encontra muitas mulheres buscando participar da política e ter voz nesses espaços, mas encontram dificuldades devido ao passado de opressão em que foram criadas.

“Vai muito além de pensar na parte técnica do discurso. O primeiro passo para convencer é a gente acreditar naquilo que está dizendo. É se ver como essa força motriz capaz de mudar algo e que tem potencial para isso”, comenta.

“A comunicação é estratégia”

Sobre os ensinamentos do curso de oratória, Meline explica que as técnicas variam de acordo com o público e o local, no qual será direcionado o discurso. “Cada oportunidade de fala deve ser utilizada de uma maneira. Se vou fazer a campanha nas redes sociais, preciso me comunicar de uma forma para aquele público que está mais ativo nas redes sociais e possui, em sua maioria, entre 18 e 35 anos”.

“Se vou me comunicar em um palanque, no meio do povo, em um bairro, na periferia, eu tenho que me comunicar de uma outra maneira. Então, tenho que adequar a minha forma de comunicação a esta plataforma que estou utilizando para ser ouvida”, diz.

Ela ressalta ainda a necessidade de adequar-se ao público que irá ouvir aquela fala. “Não adianta querer pegar as técnicas de oratória e aplicar para tudo da mesma forma. Preciso adequar as técnicas aos vídeos nas redes sociais e também para falar ao vivo com as pessoas, para que eu gere conexão e me aproxime. Até mesmo com a vestimenta”.

“É como se nós fossemos diversos personagens diferentes. Não é fingir algo que não sou, mas é ter várias versões de si para se conectar com aquele público que eu desejo. Isso é uma arte e desenvolver não é fácil”, menciona.

Meline afirma que até mesmo políticos de carreira, há anos em cargos públicos, começaram a olhar para a comunicação e a oratória de outra forma. “Começar a bradar e a falar no calor da emoção, não é assim que funciona. É preciso se adequar, vestir inúmeros papéis. A comunicação é estratégia e tudo é pensado para gerar conexão”.

A advogada explica que durante os cursos também precisa ser referência para as mulheres. “Penso na forma como olho, movo as mãos para não demonstrar que eu estou tímida ou desconfortável com a situação. Por mais que eu esteja, eu tenho que movimentar as mãos dessa forma, eu tenho que usar a postura dessa forma. Os meus pés têm que apontar desse jeito para passar a comunicação que eu desejo, de segurança, de firmeza”.

Falta de bom discurso pode prejudicar a candidata

Para Lopes, no meio político, a dificuldade em ter uma boa comunicação e fazer um bom discurso, causa consequências negativas para a candidata. “Se a gente não fala bem, não se expressa bem, não conseguimos levar para as pessoas a nossa proposta de campanha e nossa essência. Isso porque a gente tende a votar em quem nos convence sobre seus ideais e propostas”.

“Então o discurso deveria definir os rumos de uma campanha. O discurso é tão importante que através dele consigo perceber se um candidato está mentindo, se ele está faltando com a verdade, se está desconfortável com aquilo que está falando. Preciso me apropriar da minha fala e dos meus gestos para que eu consiga convencer as pessoas sobre aquilo que eu estou falando”, enfatiza.

De acordo com Meline, a pessoa que não domina o discurso e a comunicação não verbal, acaba não convencendo e sai prejudicada nesse processo.

“Às vezes a candidata tem apenas dez segundos em um horário eleitoral. Como vai convencer as pessoas nesse tempo? Existem estudos que mostram que levamos de oito a quinze segundos para definir se a pessoa vai prestar atenção na gente ou não. E isso é basicamente manipulado pelo nosso gestual, então perceba o poder disso nesse processo”.

“Se a gente acredita no que estamos dizendo e se prepara, tanto nos aspectos verbais como não verbais, na postura, na expressão do rosto. A gente acaba se convencendo na nossa própria postura. Então esse poder de convencimento pode vir de fora para dentro também. Precisamos ter consciência disso e se preparar para a partir daí também convencer os outros”, conclui.