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Economista e secretária de Planejamento, Gestão e Patrimônio: Renata dos Santos destaca projetos para educação e mercado de trabalho em AL

Alagoas é o único estado em que há paridade de gênero nas secretarias. Das 27, 14 são comandadas por mulheres. O Eufêmea iniciou uma série de entrevistas com as secretárias que comandam tais pastas.

A oitava entrevistada é a secretária de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, Renata dos Santos. Ao Eufêmea, a economista fala sobre projetos para atrair o jovem às escolas e à qualificação visando o mercado de trabalho. Ela também destaca o projeto de Transformação Digital em Alagoas.

Quem é Renata dos Santos?

Tenho 41 anos, sou economista e mãe de uma jovem de 24 anos. Sou proveniente de uma família de classe média baixa. No entanto, mesmo assim, tive o apoio de uma estrutura familiar sólida que, aliada à educação pública, me ajudou a terminar os estudos de 2º grau e a ingressar numa universidade pública.

Me formei em 2006 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atualmente faço mestrado em Administração Pública pela Fucape Business School. Já trabalhei na Câmara de Vereadores do Rio, como assessora da comissão de orçamento. Na sequência, em 2007, trabalhei na Sefaz RJ por três anos. Logo em seguida, passei no concurso da Eletrobrás, onde atuei na diretoria financeira do órgão, liderando o Programa Luz para Todos pela área. Lá, fui a primeira mulher a ocupar o cargo de gerência deste setor.

Depois, fui por seis anos Secretária Especial do Tesouro, na Sefaz de Alagoas. E, hoje, à convite do governador Paulo Dantas, estou à frente da Secretaria de Planejamento, Gestão e Patrimônio, onde dou continuidade ao projeto de modernização das carreiras do estado, e início projetos com foco na transformação digital e no planejamento transversal de políticas públicas visando resultados.

Alagoas é o único estado com paridade entre homens e mulheres no secretariado. O que representa para as mulheres alagoanas?

Muita gente fala sobre equidade de gênero, mas o governador Paulo Dantas não ficou apenas no discurso e fez isso na prática. Isso é de uma importância enorme, principalmente por ser a primeira vez na história do país que há a equidade de gênero no alto escalão da administração pública. Nós, mulheres, temos uma capacidade incrível de dialogar sobre várias questões ao mesmo tempo, com um comportamento marcado pela gestão de uma forma mais empática e colaborativa. Isso acaba trazendo um grande ganho para a gestão e para o Estado em muitos aspectos.

Tenho certeza que essa diversidade vai trazer muitos resultados e transformações positivas para Alagoas. Além disso, ter mulheres em instâncias de poder que historicamente foi ocupada por homens inspira as novas gerações de meninas a acreditarem que elas podem ser o que elas quiserem.

Quando recebeu o convite para ser secretária, aceitou de primeira ou teve medo de assumir o cargo? Por que decidiu aceitar?

Foi um convite desafiador. Como toda mulher, eu também tenho um pouco de síndrome de impostora. Inclusive, inicialmente, passou pela minha cabeça recusar, mas foi um pensamento rápido, e logo decidi encarar o desafio que, com certeza, é o maior da minha vida profissional até agora. Na verdade, a conversa com um grande amigo fez toda a diferença, ao comentar com ele que eu estava com medo de aceitar o convite, ele me falou a frase que mudou tudo: “um homem com menor capacidade técnica que você já teria aceitado, por que você não acredita no seu potencial?” Hoje, já como secretária, devo confessar que está sendo muito gratificante. É interessante perceber como o fato de ter mais mulheres no governo realmente ajuda a ter uma dinâmica diferenciada, mais rápida e com mais diálogo, e eu me sinto honrada por ser uma dessas mulheres.

Quais projetos pretende desenvolver este ano?

O orçamento deste ano foi elaborado em 2022, então estamos com a continuidade das grandes políticas, como, por exemplo, os programas Cria, Vem Que Dá Tempo e o Escola 10, e com a garantia de recursos para finalizar todas as obras que estão em andamento. Além do processo de reestruturação de carreiras que nessa fase será voltada para a construção de trilhas formativas aderentes a cada uma das carreiras. É um grande desafio que visa trazer melhor qualificação dos servidores para uma melhor prestação de serviços às alagoanas e alagoanos.

Mas as demais áreas da Seplag estão a todo vapor. A área de planejamento já está trabalhando desde o final de 2022 para a construção do Plano Plurianual – PPA 2024-2027, prezando a transversalidade e modernização da gestão. Inclusive, da cadeia produtiva e com o desafio de ser um plano construído com maior participação social. Dei um desafio para minha equipe: fazer uma interação grande com a sociedade civil. A ideia é que além das tradicionais audiências públicas, a gente consiga colher com o cidadão os seus anseios e prioridades para articular maneiras de colocar isso no PPA do próximo ciclo.

Outro grande projeto que já estamos fazendo com o auxílio do instituto Unibanco é o projeto ligado às juventudes, pensado de maneira ampla e transversal com foco para atrair o jovem à escola e à qualificação visando o mercado de trabalho. Nosso objetivo é que esses jovens sejam agentes transformadores das suas áreas de vivências. O primeiro passo é a realização da pesquisa DATAJOVEM, planejada em conjunto com a SECTI, SELAJ, FAPEAL, UFAL, ONU Habitat e Instituto Unibanco. Os pesquisadores devem cair em campo em breve e ainda no primeiro semestre teremos um diagnóstico que demonstre quais são as juventudes que temos em Alagoas.

Queremos ouvir as juventudes, saber melhor quem são e suas reais necessidades, para que nossas políticas públicas sejam criadas de maneira ainda mais eficaz e alinhadas com as necessidades dessas pessoas.

E o grande projeto da Seplag para os próximos 4 anos é o projeto de Transformação Digital do Estado, que terá disponível US$ 150 milhões em investimentos que englobam capacitação, expansão de conectividade, renovação e modernização. Esse projeto fará com que Alagoas dê um salto no que se refere a inovação e gestão pública eficiente. O projeto tem apoio técnico do Banco Mundial, por meio do programa Progestão, e do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, por meio dos programas Profisco II e Transformação Digital.

Como você enxerga a mudança de presidente? Acredita que Lula olhará mais para mulheres e trará mais projetos?

Sim, acredito! É um governo que historicamente promove políticas públicas para o direito das mulheres, desde a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, com status de ministério, até o empoderamento das chefes de família através do cadastro prioritário em programas sociais, como o Programa Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Então essas e outras políticas me fazem acreditar que muito ainda será feito neste governo. A criação de diversos ministérios na atual gestão destinados para as ditas minorias já demonstra que nos próximos 4 anos teremos um presidente que olhará não só para as mulheres, mas para os negros e negras, para os deficientes, para os povos tradicionais, para a população LGBTQIA+, para as juventudes e outros tantos setores da sociedade brasileira que foram deixados em segundo plano nos últimos anos 4 anos e vocês tenham certeza que Alagoas estará antenada para caminhar em conjunto e na mesma direção do Governo Federal.

Rebecca Moura

Rebecca Moura

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas. Colaboradora do portal Eufêmea.