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Mãe, LGBT e procuradora-geral de AL: Samya Suruagy destaca compromisso com a advocacia pública e protagonismo feminino

Foto: Assessoria

Alagoas é o único estado em que há paridade de gênero nas secretarias. Das 27, 14 são comandadas por mulheres. O Eufêmea iniciou uma série de entrevistas com as secretárias que comandam tais pastas.

A décima primeira entrevistada é a procuradora-geral do Estado, Samya Suruagy. Ao Eufêmea, ela destaca uma gestão focada na valorização de pessoal, qualidade de trabalho e bem-estar da advocacia pública de Alagoas. A procuradora geral também expôs a implantação de um novo sistema de tecnologia.

Confira a entrevista completa abaixo:

Quem é Samya Suruagy?

Samya é primeiro do que tudo parte integrante de uma família linda, formada pela minha filha, Sâmara, minha esposa Ingrid e meus cinco cachorrinhos. Atrelado a esse pequeno núcleo familiar tenho irmãs, irmãos, sobrinhos e muitos, muitos amigos, que faço questão de tê-los por perto. Essa é a Samya: integradora, amiga e festeira. Sou procuradora do Estado de Alagoas há 21 anos, cargo que conquistei com muita dedicação e sacrifício. Hoje estou como procuradora-geral, uma missão que me foi confiada no início de 2022. Essa é a Samya profissional, workaholic e extremamente exigente.

Alagoas é o único estado com paridade entre homens e mulheres no secretariado. O que representa para as mulheres alagoanas?

Estamos vivendo uma quebra de paradigma dentro de um Estado com fortes características machistas e patriarcais, cujo poder político esteve sempre centralizado nas mãos dos homens. Ao escolher um secretariado formado com tantas mulheres, o governador Paulo Dantas afirma nossa competência, nos fortalece e marca um momento histórico para o alagoano. O Governo do Estado está dando o exemplo para a sociedade atual e para as novas gerações, de Alagoas e do Brasil. Vivemos um tempo em que a paridade de gênero não precisará ser mais uma luta e vamos relembrar que fomos um exemplo.

Para você, qual a importância de ocupar um espaço majoritariamente masculino?

Não é diferente da grande maioria das mulheres deste país. Eu sempre estive em ambientes de trabalho com predominância masculina. Foi assim quando fui policial militar, professora e como procuradora de estado. Sou a segunda mulher a ocupar o cargo de procuradora-geral, diante de dezenas de procuradores-gerais. É um momento importantíssimo porque estou passando por esse cargo motivando outras mulheres a buscarem seus lugares de destaque, e seu lugar de fala aqui dentro da PGE. Venho trabalhar todos os dias para entregar o melhor do meu melhor e assim mostrar a grande relevância do comando feminino para o crescimento da nossa instituição e do nosso Estado.

Quais os projetos pretende desenvolver este ano?

Como Procuradora-geral do Estado eu iniciei uma série de mudanças na PGE. Desde que assumi esse cargo eu procurei pautar a minha gestão focada na valorização de pessoal, na qualidade de trabalho e bem-estar daqueles que fazem a advocacia pública de Alagoas, sejam procuradores ou servidores. Estamos fazendo uma grande reforma no prédio da Procuradoria, compramos novos mobiliários, computadores e iremos implantar um novo sistema de tecnologia. Paralelo a tudo, nosso eixo de trabalho é mais próximo dos gestores e servidores estaduais, com diálogo sempre aberto para alcançarmos o melhor para Alagoas. Aqui destaco, que a PGE, hoje, uma instituição que conduz tudo isso com 70% dos cargos de chefias ocupados por mulheres. Orgulhamos-nos demais de contribuir com o protagonismo feminino na gestão e na política.

Como você enxerga a mudança de presidente? Acredita que Lula olhará mais para mulheres e trará mais projetos?

O Brasil precisava e merecia essa mudança política. Durante os últimos quatro anos vivemos um retrocesso em todos os setores deste país, e, em especial, no que se refere ao respeito às igualdades. A vitória do presidente Lula vem com muita esperança de termos projetos que olhem para os brasileiros, independente de cor, raça e gênero. Uma regra que nunca deveria ter sido deixada de acontecer. Estou confiante nesse novo mandato, que vem carregado de muita responsabilidade. O presidente Lula terá que fazer o melhor, por todos aqueles que o reconduziram ao cargo, e, também, por todos aqueles que ainda precisam ser convencidos a romper a barreira do preconceito, da violência e do autoritarismo. Estamos no caminho certo.

Quando recebeu o convite para ser secretária, aceitou de primeira ou teve medo de assumir o cargo? Por que decidiu aceitar?

Medo jamais. Sou movida a desafios. Mas no primeiro momento ponderei para fazer uma análise dos meus vinte anos de PGE. Boa parte dessas duas décadas foi dedicada à coordenação da Procuradoria de Licitações e Contratos, quando pude contribuir para o crescimento estrutural do Estado, garantindo a legalidade das obras e dos contratos. Nos oito anos da gestão do então governador Renan Filho – o maior em execução de grandes obras de hospitais, escolas, centros de segurança e estradas – eu estava na condução dos trabalhos. Essa minha atuação motivou o convite feito pelo governador e eu aceitei. Desde então a missão é mais abrangente e desafiadora, mas sigo com o propósito de fazer mais pelo Estado de Alagoas, e pela PGE.

Rebecca Moura

Rebecca Moura

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas. Colaboradora do portal Eufêmea.