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Milagrosas? O que está por trás das dietas que prometem resultados rápidos

Cecília Calado e Rebecca Moura

“Eu sempre me achei com mais peso do que eu realmente tinha. Mesmo usando o tamanho 38, sempre via uma barriga que não devia estar ali. Cresci tendo pavor de engordar, e isso era o suficiente pra testar vários truques milagrosos.” O relato é da advogada Luana Melo, mãe de três filhos que sofre com a pressão social por padrões estéticos.

Por trás da promessa de resultados rápidos para emagrecer existe uma série de riscos para a saúde física e mental.

Ao Eufêmea, a advogada relata que experimentou diferentes abordagens, como chá de hibisco, contagem de calorias, exclusão de carboidratos e até dietas baseadas no tipo sanguíneo.

“As mais marcantes na minha vida foram algumas vezes que fiquei muitas horas sem comer, fazendo jejum e passei mal! Não consegui dormir com tanta dor de cabeça e com o corpo muito fraco”, relata.

Diagnosticada com transtorno de ansiedade, Luana enfrenta recaídas em momentos de descontrole emocional.

Depois do parto de seu bebê, sem consultar profissionais ela aderiu ao jejum intermitente usando um aplicativo. Foi uma experiência frustrante de fome intensa e dificuldade mental associada.

“Com menos de 2 meses do parto, eu não me reconhecia no meu corpo […] Com o amamento, sinto muita fome, e a guerra de braço mental foi difícil de administrar”, desabafa a advogada.

A persistência no jejum teve consequências: seu bebê tinha cólicas fortes e chorava mais intensamente. Luana estabeleceu então uma relação direta entre sua dieta restritiva e o desconforto do filho.

Atualmente, Luana controla a ansiedade com medicação e adota uma abordagem consciente sobre alimentação. Ela relata que planeja retomar o acompanhamento com uma nutricionista e reconhece a importância do suporte profissional.

“Todas as dietas que fiz seguem o mesmo padrão: me acho gorda, procuro uma dieta que diz dá resultado e perco uns quilos, mas voltam depois”, conclui.

Quais as consequências?

A nutricionista clínica Stelina Azevedo, explica que estratégias muito restritivas, com a exclusão de grupos alimentares essenciais, podem levar a deficiências nutricionais, desequilíbrios hormonais e até problemas metabólicos.

Pós-graduada em fitoterapia, formação em saúde da mulher e modulação intestinal, Stelina enfatiza a importância de uma abordagem equilibrada, “com uma alimentação variada e adaptada às necessidades individuais”.

A busca por resultados rápidos, muitas vezes, leva mulheres a recorrerem a suplementos ou medicamentos sem orientação profissional. Stelina ressalta que essa decisão deve ser cuidadosamente guiada por um profissional de saúde, evitando efeitos colaterais prejudiciais.

“As mídias sociais, frequentemente, promovem padrões de beleza inatingíveis, gerando comparação constante e insatisfação corporal. A facilidade de acesso à informação propaga soluções rápidas, nem sempre baseadas em evidências científicas sólidas.”

Papel da nutricionista

Stelina enfatiza o papel crucial da nutricionista nesse processo, destacando a elaboração de planos alimentares que levem em consideração as preferências e necessidades individuais.

O objetivo desses planos não se limita em metas imediatas, mas em promover a saúde a longo prazo.

A nutricionista lembra que, além disso, é realizada uma educação nutricional continuada, com uma compreensão mais profunda sobre a importância da alimentação e da nutrição para a saúde.

“A importância de todos os nutrientes, de fazer escolhas alimentares conscientes, para ter um corpo mais saudável, um peso adequado, para prevenir doenças crônicas, tipo diabetes, doenças cardiovasculares e até mesmo a obesidade.”

“Não existe solução rápida”

Contrapondo à busca por soluções rápidas e definitivas, destaca-se a importância de uma abordagem gradual e modificação consistente dos hábitos de vida. É o que Sabrina Neves, farmacêutica e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) explica.

“Não existe solução rápida, definitiva e segura para perda de peso que não passe por um processo de modificação de hábitos de vida. Medicamentos podem ser importantes, se utilizados com a indicação clínica correta e dentro de um tratamento multidisciplinar”, afirma Sabrina.

A farmacêutica também alerta sobre a variedade de tratamentos disponíveis no mercado, desde chás a suplementos e medicamentos, muitos dos quais carecem de evidência científica de eficácia.

Quando questionada sobre os cuidados necessários, Sabrina enfatiza a importância de buscar informações em fontes confiáveis. Além disso, ela encoraja a procura por profissionais de saúde para um acompanhamento adequado no processo de perda de peso.

“Muitas vezes esses produtos não são registrados como medicamentos são. Boas fontes de informação são o site da Anvisa e os documentos oficiais do Ministério da Saúde”, orienta Sabrina.

Buscar profissionais capacitados

Essa discussão destaca a importância não somente da boa alimentação, mas também dos cuidados com o corpo. “A primeira coisa deve ser buscar profissionais capacitados para fazer um melhor acompanhamento”, explica Klayce Abreu, personal trainer e especialista em treinamento para grupos especiais e gestantes.

A busca por um corpo saudável e em forma exige uma abordagem cuidadosa e personalizada.

“Cada corpo responde de um jeito, algumas pessoas podem ter limitações ou doenças que outras não têm, e para ter um treino personalizado, é necessário observar essas individualidades”, afirma Klayce.

A personal trainer destaca a importância de escolher um profissional de acordo com o perfil da mulher, considerando modalidades esportivas ou métodos de trabalho que mais se identifiquem.

A presença de um profissional durante os exercícios é enfatizada por Klayce, pois permite corrigir movimentos mal executados, prevenindo lesões. Para aquelas sem condições financeiras de ter um acompanhamento presencial, a personal trainer destaca que muitos profissionais oferecem opções de consultoria online.

“É essencial manter hábitos saudáveis independente da época do ano. Uma alimentação saudável aliada ao exercício físico é fundamental para gerar energia, disposição e manter a imunidade”, conclui.

Rebecca Moura

Rebecca Moura

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas. Colaboradora do portal Eufêmea.