O hábito da leitura está diretamente associado a uma melhor qualidade da saúde mental. E quando essa prática acontece em grupo, os benefícios podem ser ainda mais significativos. Em Alagoas, algumas mulheres decidiram transformar o amor pelos livros em um espaço de acolhimento e troca: criaram clubes do livro como uma forma de se conectar, compartilhar vivências e fortalecer vínculos através da literatura.
Conhecer novas literaturas
Criado em 2018 por Gabriela Melo, o clube do livro Renascimento Literário nasceu com a proposta de incentivar a leitura fora da zona de conforto e promover debates a partir de diferentes perspectivas literárias. As reuniões acontecem mensalmente em cafeterias de Maceió e reúnem leitoras e leitores interessados em compartilhar impressões sobre as obras escolhidas.
A empresária de 28 anos explica que a iniciativa surgiu da dificuldade em encontrar espaços para discutir literatura.
“Sempre gostei de ler e, com o tempo, senti falta de pessoas com quem pudesse conversar sobre os livros que lia. Então reuni alguns amigos e criei um clube que nos tirasse da zona de conforto literária, possibilitando conhecer novas literaturas”, conta Gabriela.
A escolha das obras acontece por sorteio entre os membros que participaram da leitura e do encontro anterior. Segundo Gabriela, os encontros costumam ser marcados por debates intensos, mas respeitosos.
“As discussões são sempre calorosas e o tempo varia de acordo com a leitura. Todos que desejam falar são ouvidos”, afirma.
Mais do que um espaço para troca literária, o clube se tornou um ambiente de acolhimento. “Temos muitas mulheres participando, e ouvimos histórias de vidas muito diferentes. Esses momentos nos trazem conforto e a liberdade de desabafar. Para além das impressões literárias, nos escutamos, acolhemos e apoiamos umas às outras”, destaca.
As divergências de pensamento fazem parte da dinâmica, mas são conduzidas com empatia e respeito. “Sempre ouvimos todos os lados e incentivamos as pessoas a deixarem as diferenças de lado, quando possível. Quando não é, mantemos o respeito. Sabemos que cada um tem sua rotina e suas demandas fora do clube, então empatia é fundamental para que o grupo funcione”, pontua.
Incentivo à leitura e à produção autoral feminina
Foto: Cortesia ao Eufêmea
O Clube de Leitura Maceió foi criado por Vanessa Mota no fim da pandemia, como uma forma de retomar o hábito da leitura em grupo. A proposta começou com encontros virtuais, mas rapidamente migrou para o formato presencial, promovendo um espaço de troca, escuta e incentivo à leitura integral das obras.
Segundo Vanessa, a curadoria dos livros sempre levou em conta recomendações da crítica especializada, premiações literárias e títulos long sellers. No entanto, em 2024, o clube inicia uma nova fase, com um olhar ainda mais voltado à autoria feminina.
“Este ano o nosso clube vai ganhar uma cara mais autoral, incentivando as mulheres a escrever e produzir suas próprias obras”, afirma.
Para democratizar o acesso à leitura, a seleção dos títulos também considera obras disponíveis em formatos digitais ou audiolivros, permitindo que mais participantes acompanhem as leituras.
Vanessa acredita que o impacto da leitura é transformador. “Sem medo de errar, o contato com a leitura é um catalisador de mudanças. Tivemos a oportunidade de ler juntas Mulheres que Correm com Lobos, que resgata a mulher autêntica dentro de cada uma de nós. Foi uma experiência de autoconhecimento e fortalecimento da empatia.”
Apesar do engajamento do grupo, ela reconhece que ainda há desafios culturais na disseminação do hábito de ler.
“A leitura ainda é vista como uma atividade elitista. A maior dificuldade é cultural, porque o brasileiro não tem o hábito da leitura de forma natural”, explica.
Para tornar os encontros mais acolhedores e atrativos, o clube aposta em um ambiente afetuoso, com chá, coffee break e livros cuidadosamente selecionados.
Mais do que um momento de lazer, o clube também provoca reflexões sociais e políticas entre as participantes.
“A leitura abre nossos olhos para vários assuntos. Fomenta reflexões profundas e aumenta nosso encantamento pelo mundo e pela existência”, conclui.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Alagoas e colaboradora no portal Eufêmea, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Sinturb de Jornalismo em 2021. Em 2024, obteve duas premiações importantes: primeiro lugar na categoria estudante no 2º Prêmio MPAL de Jornalismo e segundo lugar no III Prêmio de Jornalismo Científico José Marques Melo.
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