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“Em busca de mim”: o livro de Viola Davis que me fez chorar e repensar a minha própria história

 (Foto: Dario Calmese/Reprodução/Instagram)

Eu já sabia que a atriz Viola Davis tinha uma história incrível, mas não imaginava que ela me atravessaria de tantas maneiras e me faria chorar ao longo da leitura do livro Em busca de mim”, escrito por ela. Já no primeiro capítulo, me vi chorando e relembrando a minha própria história. Como jornalista que sempre amou histórias, não tem como não reforçar: a nossa história é a maior força que temos.

Li a história de uma mulher negra que sofreu bullying na escola, chamada de feia e preta constantemente. Cresceu em um lar marcado pela violência doméstica, pela fome, pela falta de oportunidades e até pela falta de higiene. Mas, por outro lado, tinha o amor e o apoio das irmãs, uma delas repetia constantemente que elas venceriam através dos estudos.

Li a história de uma mulher que precisou se sacrificar diversas vezes, que decidiu seguir o coração para ser atriz, mas encontrou inúmeras dificuldades pelo caminho. A história de uma mulher cuja família foi marcada pela dependência química e que sofreu abuso sexual. A história de uma mulher que sentiu na pele o racismo em diversas áreas da sua vida.

Mas também li a história de uma mulher que falou abertamente sobre o quanto a terapia a ajudou, sobre o amor que recebeu do marido, a adoção da filha e a sensação de, enfim, começar a vencer na vida. Ela fala sobre merecimento, sobre Deus, sobre a sensação de ver as coisas darem certo e sobre acolher aquela criança de oito anos que foi espancada por ser chamada de “feia” e “preta”.

Poxa, quanta coisa! E quanta dessa história me atravessou! Me atravessou pela identificação, por me ver em alguns recortes e por sentir que alguém também passou pelo que eu passei, mas que eu ainda não tive coragem de contar. Em vários momentos, eu me perguntava: como Viola sobreviveu a isso? Ela mesma se questiona em diversas partes do livro. Mas também me peguei pensando: como eu sobrevivi a tanta coisa da minha história?

O ano ainda não terminou, mas já posso dizer que este foi um dos melhores livros que li em 2025. Não sei se outro será capaz de causar tudo o que esse causou em mim. Não sei se consigo descrever o que essa leitura fez comigo, mas sei que ela me conduziu a um processo diferente de cura. Enquanto lia, eu me vi recolhendo meus pedaços e abraçando a minha criança ferida.

É isso, Viola. Eu sempre admirei e me inspirei em você. Mas não tinha noção do quanto a sua história atravessaria a minha. Agora entendo: não é só sobre ler a sua trajetória, é sobre me reconhecer nela e, de alguma forma, também me curar através dela.

E para quem não leu ainda… deixo como dica!

Estou no Instagram: @raissa.franca

Foto de Raíssa França

Raíssa França

Cofundadora do Eufêmea, Jornalista formada pela UNIT Alagoas e pós-graduanda em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade. Em 2023, venceu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Nordeste e o prêmio Sebrae Mulher de Negócios em Alagoas.
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