A prisão do influenciador Babal Guimarães, reincidente em crimes de violência contra mulheres, gerou polêmica não apenas pelo teor do caso, mas também pela postura adotada por sua advogada de defesa, Karol Toledo, que tentou impedir o trabalho da imprensa durante a apresentação dele à delegacia.
Após a repercussão, a advogada, que também é presidente da Comissão Especial da Mulher da OAB de Penedo, publicou stories agradecendo o apoio de quem reconhece sua atuação como criminalista e afirmou estar sendo atacada por cumprir seu papel. “Como advogada, tenho um compromisso profissional com a lei e com os meus clientes e fiz um juramento quanto à minha profissão”, escreveu.
Mas existem alguns pontos que preciso trazer aqui. Organizei em três para facilitar a leitura.
Primeiro: Babal não foi preso por um crime isolado. Ele tem três casos de violência doméstica nas costas. É um agressor reincidente que representa o retrato de um sistema que, muitas vezes, permite que homens violentos voltem às ruas com facilidade.
A sensação de impunidade diante desse caso é gritante, ainda mais em um momento em que mulheres estão sendo agredidas e mortas diariamente. Compreender esse contexto é essencial para entender o que vem a seguir.
Segundo ponto: quem o defende é uma mulher. “Ah, mas advogada pode atender todo mundo.” Sim, pode. A Justiça não impõe limites sobre quem uma profissional deve defender. Mas aqui não estamos falando apenas de prerrogativas legais. Estamos falando de narrativa, de símbolo, de posicionamento.
E eu, que além de jornalista sou estrategista de narrativas, não posso ignorar o que essa escolha comunica. Cada escolha nossa comunica algo, você pode querer ou não.
Alguns podem até dizer que é bobagem, que “não tem nada a ver”. Mas quando você escolhe representar uma bandeira, especialmente uma tão urgente quanto a defesa das mulheres, espera-se coerência. Assumir uma função como presidente da Comissão Especial da Mulher da OAB não é apenas ocupar um cargo. É assumir um compromisso público, simbólico e ético com as pautas que atravessam a vida de milhares de mulheres.
O que essa escolha representa para outras mulheres que sofreram violência? Se o caso, por si só, já escancara a sensação de impunidade, imagine o impacto de ver uma mulher se colocando publicamente ao lado de um agressor reincidente da forma como foi feito: uma mulher que o abraça ao chegar na delegacia, nega que ele responda a uma pergunta e tenta impedir que uma jornalista da TV Pajuçara registre a apresentação do acusado.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, inclusive, repudiou o ato e reforçou a importância de garantir a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação. Além disso, tratava-se de uma delegacia, um espaço público onde o exercício do jornalismo deve ser assegurado.
Terceiro e último ponto: Estamos falando, mais uma vez, de um homem que responde por três casos de violência contra mulheres, que ganhou liberdade mesmo após agredir, e que não deveria ter voltado às ruas com tamanha facilidade. Apesar do episódio de hoje, o foco continua sendo ele: o agressor.
O nome é Babal. O crime é violência contra a mulher e é preciso que a gente lembre disso…A sociedade está cansada de ver tantos “Babal” cometendo crimes e ganhando as ruas. Não dá mais para aguentar e fingir que está tudo bem.
Se a Justiça não está do nosso lado, quem estará? Se um agressor reincidente consegue liberdade, que chance têm as mulheres de sobreviver?
Nós queremos viver.