Eu ouvi, esses dias, que pauta de mulher não dá dinheiro. E quando eu falo em “pauta de mulher”, eu estou falando das pautas que atravessam a Eufêmea. A Eufêmea fala sobre violência, autonomia, saúde, trabalho, direitos, desigualdade, empreendedorismo, negócios, histórias inspiradoras… fala de vida real. É o jornalismo acontecendo.
Mas será que todo mundo — inclusive o mercado publicitário — quer isso?
Porque o que eu tenho visto, na prática, é uma contradição. O discurso do mercado é de posicionamento, propósito, diversidade. As marcas dizem que querem se conectar com causas, com impacto, com transformação social. Mas, quando chega a hora de investir, muitas ainda recuam diante de conteúdos que tensionam, que denunciam, que expõem desigualdades.
É como se existisse uma linha invisível: pode falar de mulher, desde que seja leve, aspiracional, bonito. Desde que não confronte e não incomode.
Quando a gente fala de violência, de desigualdade salarial, de sobrecarga, de direitos reprodutivos, de racismo, de maternidade real e isso deixa de ser “confortável”. E é justamente aí que parte do mercado se afasta.
Não porque não exista público ou não exista relevância, mas porque ainda existe um medo de se associar a pautas que exigem posicionamento de verdade.
E aí vem o rótulo: “isso é ativismo”.
Porque chamar de ativismo, muitas vezes, é uma forma de deslegitimar como negócio. É uma forma de dizer que aquilo não cabe no orçamento de mídia, que não performa, que não converte, mesmo quando os dados mostram o contrário.
Mas a pergunta continua: o mercado não investe porque não dá retorno ou porque ainda não sabe — ou não quer — lidar com o tipo de retorno que esse conteúdo gera? Porque impacto também é valor. Construção de marca e confiança também são valor.
E a Eufêmea constrói isso todos os dias.