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A vida não é para ser vivida. É para ser bem vivida.

Hoje, enquanto refletia sobre a vida, uma frase surgiu com muita clareza na minha mente: a vida não é para ser vivida. É para ser bem vivida.

Naquele instante, percebi que viver bem tem muito menos relação com as circunstâncias e muito mais com a forma como olhamos para elas. Na Terapia do Esquema, chamamos essas lentes de esquemas: padrões construídos, principalmente, a partir das nossas experiências de vida.

Escrevo isso porque também vivi essa transformação. Durante muitos anos, mesmo quando a minha vida estava objetivamente bem, ela parecia pesada. Existia uma ansiedade constante, uma sensação de que eu precisava estar sempre antecipando problemas, evitando conflitos ou correspondendo a expectativas. Eu não conseguia simplesmente descansar, não conseguia relaxar e, muitas vezes, tampouco aproveitar os momentos bons.

Hoje eu entendo que isso estava muito ligado a esquemas como vulnerabilidade ao dano e à doença, defectividade e vergonha, busca de aprovação, autossacrifício e padrões inflexíveis. Esses esquemas influenciavam minhas escolhas quase sem que eu percebesse.

Eu me movimentava muito mais para evitar o sofrimento do que para viver plenamente. Cuidava de tudo e de todos, buscava aprovação, tentava controlar o que fosse possível e acreditava, de forma silenciosa, que descansar era um risco.

O padrão inflexível alimentava todos os outros. Sempre havia algo a fazer, algo a melhorar, algo que exigia a minha atenção. E, quando vivemos assim, até os momentos felizes passam despercebidos, porque a mente nunca consegue repousar no presente.

Foi quando comecei a cuidar da minha criança interior que esse olhar começou a mudar. Ao compreender as minhas feridas emocionais, reparar as necessidades que ficaram sem resposta e fortalecer o meu adulto saudável, fui percebendo que não era a vida que estava mudando. Era a forma como eu me relacionava com ela.

As dificuldades continuaram existindo. As perdas, os desafios… tudo isso segue fazendo parte da vida. Mas elas deixaram de ser a única paisagem que eu conseguia enxergar.

Hoje consigo me permitir descansar sem culpa. Consigo aproveitar momentos felizes sem a sensação de que estou esperando a próxima dificuldade. Consigo sentir gratidão de forma mais genuína. Me conectar com o presente e perceber a beleza que existe, mesmo em dias imperfeitos.

Isso não significa viver uma vida sem dor. Significa desenvolver um olhar capaz de reconhecer o sofrimento sem deixar que ele esconda tudo o que também é bom, belo e verdadeiro.

Talvez seja exatamente isso que significa viver bem. Não esperar que a vida deixe de doer, mas construir uma forma mais saudável de caminhar por ela.

Por isso, hoje, aquela frase continua fazendo todo o sentido para mim: a vida não é para ser vivida. É para ser bem vivida.

E viver bem é uma escolha, que começa quando decidimos cuidar da forma como enxergamos o mundo. Porque, quando transformamos nossas lentes, não mudamos apenas a maneira de ver a vida. Mudamos a maneira de vivê-la.

Foto de Natasha Taques

Natasha Taques

Psicóloga clínica (CRP-15/6536), formada em Terapia do Esquema pelo Instituto de Educação e Reabilitação Emocional (INSERE), Formação em Terapia do Esquema para casal pelo Instituto de Teoria e Pesquisa em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental (ITPC).
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