Morreu neste sábado (4) Ana Paula de Oliveira da Silva, de 43 anos, vítima de feminicídio em Maceió. Ela estava internada desde o dia 26 de junho no Centro de Atendimento ao Queimado (CAQ), do Hospital Geral do Estado (HGE), após ter 63% da superfície corporal atingida por queimaduras provocadas pelo ex-companheiro, Carlos Henrique Onofre dos Santos. O feminicida foi preso e permanece à disposição da Justiça.
O caso aconteceu em uma área de mata na região conhecida como Favela da Coca, no bairro Tabuleiro dos Martins. De acordo com as investigações, Ana Paula foi levada até o local pelo agressor e teve o seu corpo incendiado.
Durante o período de internação, a equipe médica informou que as queimaduras atingiram as córneas da paciente, provocando a perda da visão. Além disso, ela sofreu lesões graves que exigiram acompanhamento de diferentes especialidades.
“A superfície corporal queimada é de cerca de 63%. Ela tem queimaduras graves. Foi avaliada por oftalmologistas e, infelizmente, houve perda das córneas. Ela também sofreu perda de grande parte da língua e segue sendo acompanhada”, afirmou a cirurgiã plástica Anna Lima, do CAQ, em entrevista à TV Asa Branca Alagoas.
Inicialmente, a Eufêmea publicou, com base em informações da Polícia Militar, que Ana Paula havia sofrido queimaduras em 90% do corpo. Posteriormente, o dado foi corrigido após confirmação da equipe médica responsável pelo atendimento, que informou que as lesões atingiram 63% da superfície corporal.
Carlos Henrique Onofre dos Santos foi preso após procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro dos Martins. Segundo a polícia, ele apresentava queimaduras na perna direita e tentou fornecer uma identidade falsa, mas foi reconhecido e detido.
O caso

“Ele foi comprar gasolina, planejou tudo e voltou. Minha mãe esperou enquanto ele se arrumava e saiu caminhando com ele. Quando chegaram a uma área de mato, próximo ao Distrito Industrial, ele arrastou minha mãe pelos cabelos, jogou gasolina e ateou fogo nela. Depois foi embora e deixou minha mãe queimando”, relatou.
Mesmo gravemente ferida, a vítima conseguiu lutar pela própria vida. Ainda de acordo com Amanda, a mãe tentou apagar as chamas sozinha e, sem conseguir andar, rastejou até a rodovia em busca de socorro.
“Ela só tentava se proteger do fogo. Saiu se rastejando até a pista, onde os carros pararam para ajudá-la. Foi a população que prestou os primeiros socorros”, disse.