Um pequeno lembrete antes de começar: elas não existem.
Eu sei. É decepcionante, porque é muito atraente seguir as redes sociais delas e ter a esperança de que um dia chegaremos lá.
Admiramos aquela mulher que acorda antes dos filhos, prepara um café da manhã nutricionalmente impecável, trabalha, brinca, lê histórias, mantém a casa organizada, cuida do casamento, faz atividade física e ainda encontra tempo para aparecer no Instagram com o cabelo arrumado e uma legenda sobre presença e conexão. Enquanto você, às 8h17 da manhã, ainda não teve tempo de escovar o cabelo e já perdeu a paciência porque alguém derramou leite no sofá.
Mas a verdade é que essa mãe perfeita das redes sociais não existe, porque nenhum sujeito é feito apenas daquilo que aparece em uma fotografia ou em um vídeo. O que existe é uma mulher ali, com uma história de vida que é só dela. Com medos, desejos, contradições, inseguranças, conflitos e limitações. Foi criada por alguém. Aprendeu determinadas formas de amar. Carrega experiências que você não conhece. Tem dias bons e dias péssimos. Mas nada disso cabe em um carrossel de sete slides.
Nas redes sociais, a subjetividade foi substituída pela curadoria. Selecionamos a roupa bonita, o café na mesa, a criança sorrindo, a frase certa e o momento em que tudo parece funcionar. O choro ficou fora do enquadramento. A discussão com o marido também. A culpa, a irritação, a dúvida e a vontade de ficar cinco minutos sozinha foram convenientemente deixadas para depois. E então olhamos para aquela imagem e pensamos: “Por que eu não consigo ser assim?”
É importante lembrar que aquela mulher, assim como todos nós, também está sendo atravessada pelas expectativas do nosso tempo. A sociedade das redes sociais criou um novo tipo de maternidade performática. Não basta cuidar, é preciso demonstrar que se cuida bem. Não basta amar os filhos, é preciso mostrar que o vínculo é excepcional e, se possível, fazer uma fotografia bonita e editada no final para mostrar.
A maternidade virou conteúdo e, quando tudo pode ser publicado, surge a tentação de transformar a própria vida em vitrine. O problema é que ninguém consegue sustentar uma vida eternamente em uma vitrine e, por isso mesmo, para o bem da sua saúde mental, você não precisa de uma mãe perfeita para seguir se comparando. Em vez de viver admirando o recorte que a outra escolhe mostrar, foque na sua própria experiência. Pergunte o que faz sentido para você, para os seus filhos, para a sua família e para a mulher que você é.
Lembre que a maternidade não é uma prova a ser gabaritada. Não existe uma versão universalmente correta de como ser mãe. Existe apenas você, com sua história, suas possibilidades, seus limites e suas escolhas. Faça o melhor com isso.
Com carinho,
Raquel Pedrosa