A ansiedade na maternidade nem sempre aparece como crise. Às vezes, vem disfarçada de preocupação excessiva, vigilância constante e insônia. A mãe ansiosa pensa demais, antecipa situações e, por isso, sofre com antecedência por coisas que ainda nem aconteceram. A tentativa de controle surge, geralmente, pela crença de que, se relaxar, algo ruim pode ocorrer. Para piorar, faz isso de maneira tão corriqueira que não percebe o quanto isso cansa. Mas acredite: isso, a longo prazo, custa um preço.
Adianto que a coluna de hoje não é um guia nem um passo a passo de como aprender a ficar calma e a controlar a ansiedade. Destaco ainda que a ansiedade faz parte de toda experiência humana. Precisamos dela para sobreviver, mas na medida certa. O texto de hoje é apenas uma lista de lembretes para você ler sempre que precisar. E, se for preciso, leia todos os dias, até entender.
Primeiro lembrete: nem todo pensamento é um aviso ou uma verdade. A ansiedade tende a transformar possíveis hipóteses em certezas: “E se acontecer?”, “E se eu não perceber?”, “E se eu errar?”. Pensar não é prever. Às vezes, é só o medo tentando se antecipar ao imprevisível.
Segundo lembrete: o amor não exige controle absoluto. A maternidade contemporânea vende a ideia de que a boa mãe é aquela que dá conta de tudo, cuida, prevê, organiza, regula, entre outros tantos atributos. Isso gera exaustão. Crianças não precisam de mães infalíveis. Precisam de mães suficientemente disponíveis, e não permanentemente tensas.
Terceiro lembrete, e um dos mais importantes: o cansaço altera a percepção. Vamos repetir juntas?
O CANSAÇO ALTERA A NOSSA PERCEPÇÃO.
Quando o corpo e a mente estão exaustos, a realidade se torna mais dura. O erro parece maior do que foi. A culpa cresce. A sensação de incompetência se intensifica. O que, em outro dia, seria apenas um contratempo passa a ser vivido como fracasso. Por isso, nem toda angústia precisa ser interpretada imediatamente, e reconhecer o efeito do cansaço é um gesto muito importante de autocuidado.
Há ainda um lembrete difícil, mas tão necessário quanto o anterior: você não controla tudo. A maternidade confronta a fantasia de onipotência. Por mais atenta que você seja, seu filho inevitavelmente terá experiências que escapam ao seu alcance. E está tudo bem. Ele vai aprender a se virar a cada situação. Faz parte do seu desenvolvimento e amadurecimento. Reconhecer isso não diminui o vínculo, mas minimiza o peso que você carrega.
Por fim, um lembrete silencioso: nem toda preocupação precisa de resposta imediata. Algumas pedem tempo, escuta e paciência. Pedem, sobretudo, acolhimento a si mesma, para compreender que a maternidade não deveria significar viver em permanente estado de prontidão e que errar é inerente a qualquer relação humana.
Se permita ser humana!
Com carinho,
Raquel Pedrosa