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O desafio de sustentar novos relacionamentos após a maternidade

Começar um novo relacionamento depois da maternidade é um grande desafio para muitas mulheres. Este não é mais um processo linear a dois que se resuma a conhecer e se apaixonar. Entra na equação um terceiro que pode ser determinante na quantidade de curvas que precisamos fazer até finalmente chegarmos lá.

Definitivamente, o início de um novo relacionamento pós-maternidade não é o mesmo que os anteriores. A decisão de incluir uma nova pessoa carrega responsabilidades que não são negociáveis. Há uma história que não pode ser apagada, que pode incluir cicatrizes emocionais e um tempo que não pertence apenas à vontade da mulher.

Diante desse cenário, não se trata apenas de encontrar alguém. Isso é fácil. Quando temos filhos, trata-se de integrar mundos distintos. Do lado de cá, há o medo de errar de novo e da exposição ao apresentar alguém. Do lado de lá, precisamos de alguém que entenda que o desejo disputa espaço com exaustão, logística e culpa.

Existe também o desafio da identidade. A mulher que materna frequentemente passa anos sendo reconhecida prioritariamente como mãe. Voltar a ocupar o lugar de parceira exige resgatar partes de si que ficaram em segundo plano. E isso pode gerar estranhamento e reativar inseguranças profundas.

Muitas mulheres relatam sentir que precisam provar algo: que dão conta, que são interessantes, que ainda são desejáveis. Outras vivem o oposto: sentem-se divididas entre o desejo de amar e a culpa por dedicar energia a algo que não envolve os filhos.

Um novo relacionamento após a maternidade pode não ser leve no início. Ele exige conversas difíceis desde cedo sobre tempo, limites e responsabilidades, e nem sempre o outro está disposto a tê-las, o que por si só já não é um bom sinal, fica a dica.

Por outro lado, temos uma vantagem: as experiências anteriores nos ensinaram pelo amor e pela dor, e quem já atravessou a maternidade tende a amar com menos idealizações e mais consciência.

Há também uma verdade pouco dita: os filhos não competem com o novo amor. Os amores são diferentes e os lugares ocupados também. O que gera conflito não é o afeto, mas a falta de clareza.

Quando essa mulher consegue sustentar que ela é mais do que mãe e que tem demandas que também vão além, algo se organiza com mais honestidade e mais segurança nas próprias escolhas.

Amar de novo depois da maternidade não é substituir nada. É permitir que a vida não se reduza a uma única função. E isso não diminui o amor pelos filhos.

Ao contrário, pode fortalecê-lo, porque uma mulher que se reconhece viva também fora da maternidade costuma se relacionar com menos ressentimento e mais inteireza.

Acredite, o maior desafio não é encontrar alguém. Somos bilhões de pessoas no mundo. Sempre haverá muitos alguéns a serem encontrados todos os dias. O maior desafio é interno mesmo. É despir-se dos próprios preconceitos, se reencontrar como mulher e se permitir desejar de novo.

Em qual parte do caminho você está?

Com carinho,
Raquel Pedrosa

Foto de Raquel Pedrosa

Raquel Pedrosa

Psicóloga clínica formada pela UFAL (CRP 15/3938). Mestre em Psicologia pela Universidade de Fortaleza. Professora universitária no Centro Universitário de Maceió.
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