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Já perdi as contas de quantas vezes escutei essa frase quando alguém comenta sobre o meu trabalho e sobre a Eufêmea. Confesso: é o tipo de fala que, à primeira vista, soa como reconhecimento. E, de fato, eu me sinto honrada quando escuto isso. Entendo que vem de um lugar de valorização, de quem enxerga crescimento, consistência e impacto.
E sim, eu também penso sobre expansão. O meu trabalho não precisa e nem deve se limitar geograficamente. Ele já atravessou fronteiras, alcançou outras pessoas, outros contextos. Eu reconheço isso.
Mas, ao mesmo tempo, essa frase me provoca. Até que ponto esse pensamento é positivo? E até que ponto ele revela um problema estrutural?
Porque, no fundo, o que ela sugere é que, para crescer, é preciso sair. Que o reconhecimento pleno ainda está fora e que o território de origem, por si só, não é suficiente para sustentar trajetórias de destaque.
Eu conheço muitos profissionais extremamente qualificados que precisaram deixar Alagoas para serem vistos, valorizados e melhor remunerados. Pessoas que só foram reconhecidas depois que cruzaram a fronteira do estado.
E isso, inevitavelmente, entristece.
Não porque sair seja um problema. Circular, expandir e ocupar outros espaços é legítimo e, muitas vezes, necessário, mas porque ainda parece existir uma lógica em que o crescimento está condicionado à saída e não ao fortalecimento do que já existe aqui.
Quando alguém me diz que “Alagoas se tornou pequeno”, eu escuto também uma outra pergunta, ainda não respondida: por que ainda não conseguimos fazer com que o estado seja grande o suficiente para quem constrói, cria e transforma daqui?
Sigo acreditando no alcance do meu trabalho para além de qualquer território porque talvez o desafio não seja caber em Alagoas, mas seja fazer com que Alagoas consiga, cada vez mais, caber em quem a constrói.