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“Alagoas ficou pequeno pra você”: por que crescer ainda é sinônimo de sair do estado?

Estou no Instagram: @raissa.franca

Já perdi as contas de quantas vezes escutei essa frase quando alguém comenta sobre o meu trabalho e sobre a Eufêmea. Confesso: é o tipo de fala que, à primeira vista, soa como reconhecimento. E, de fato, eu me sinto honrada quando escuto isso. Entendo que vem de um lugar de valorização, de quem enxerga crescimento, consistência e impacto.

E sim, eu também penso sobre expansão. O meu trabalho não precisa e nem deve se limitar geograficamente. Ele já atravessou fronteiras, alcançou outras pessoas, outros contextos. Eu reconheço isso.

Mas, ao mesmo tempo, essa frase me provoca. Até que ponto esse pensamento é positivo? E até que ponto ele revela um problema estrutural?

Porque, no fundo, o que ela sugere é que, para crescer, é preciso sair. Que o reconhecimento pleno ainda está fora e que o território de origem, por si só, não é suficiente para sustentar trajetórias de destaque.

Eu conheço muitos profissionais extremamente qualificados que precisaram deixar Alagoas para serem vistos, valorizados e melhor remunerados. Pessoas que só foram reconhecidas depois que cruzaram a fronteira do estado.

E isso, inevitavelmente, entristece.

Não porque sair seja um problema. Circular, expandir e ocupar outros espaços é legítimo e, muitas vezes, necessário, mas porque ainda parece existir uma lógica em que o crescimento está condicionado à saída e não ao fortalecimento do que já existe aqui.

Quando alguém me diz que “Alagoas se tornou pequeno”, eu escuto também uma outra pergunta, ainda não respondida: por que ainda não conseguimos fazer com que o estado seja grande o suficiente para quem constrói, cria e transforma daqui?

Sigo acreditando no alcance do meu trabalho para além de qualquer território porque talvez o desafio não seja caber em Alagoas, mas seja fazer com que Alagoas consiga, cada vez mais, caber em quem a constrói.

Foto de Raíssa França

Raíssa França

Cofundadora do Eufêmea, Jornalista formada pela UNIT Alagoas e pós-graduanda em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade. Em 2023, venceu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Nordeste e o prêmio Sebrae Mulher de Negócios em Alagoas.
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