Primeira mulher eleita na história do Crea/AL anuncia programa para identificar lideranças femininas

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Uma vitória histórica e que aponta para um novo rumo na entidade que é uma das mais tradicionais e renomadas do País: o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL). Pela primeira vez terá uma mulher na presidência, a engenheira civil Rosa Tenório, eleita num processo para lá de disputado para o triênio 2021 – 2023.

Passado o pleito, ela agora se prepara para colocar em prática o que planeja e sonha para a entidade, juntamente com os conselheiros e equipe que com ela estarão, mas também com as categorias que compõem o Crea. E esses planos incluem uma gestão não apenas participativa, de diálogo, mas de espaço para a mulher. 

O Eufemea conversou com Rosa Tenório, que falou sobre seus projetos para o Crea/AL e o que representa, na visão dela, ser a primeira mulher a presidir a entidade. 

“O fato de ser mulher nunca foi para mim nenhum limitador, nunca tive nenhuma dificuldade. Desde a época do colégio que eu era líder de turma, fiz curso de oratória e fui eleita a oradora (risos). Então, eu acho que é muito de personalidade mesmo, de forma muito tranquila, muito simples. Acho que é uma coisa natural, do meu perfil mesmo. Sou uma pessoa muito agregadora, que busca harmonizar”. 

Rosa considera que não é preciso passar por cima de nada nem de ninguém para alcançar objetivos. “Essa vitória foi da construção coletiva. Acho que tudo é fruto de minha história de vida. Tenho 52 anos, a mesma idade do Crea, que faz 52 anos em dezembro, eu fiz em fevereiro. Acho que a história de vida nossa, a história profissional, o currículo é meu portifólio profissional e isso foi um diferencial nessa campanha também, além das mulheres, da adesão dos profissionais tanto de construtora, como liberal, autônomo, entenderam esse novo modelo técnico, de construção coletiva”, ela diz. 

Defesa da sociedade 

Para o  Crea, Rosa Tenório afirma que levará “um pouco mais da academia, discussões mais técnicas. A gente tem um resgate para fazer. Uma das nossas missões também é a defesa da sociedade. Quando a gente faz a fiscalização do profissional, a gente também está fazendo a defesa da sociedade”, ela afirma, ao ressaltar que não possui nenhuma vinculação político-partidária.  

“Nada contra, mas não sou vinculada a nenhum partido político. Também não tenho nenhuma dificuldade em dizer que eu me relaciono com todas as alas, seja direita, esquerda, do centro. Já trabalhei em governos de todos os modelos, e sempre com esse viés mais técnico”, pontua. 

Foi esse perfil técnico, como avalia Rosa, que a fez conquistar os que nela votaram. “Quando ligo para agradecer, o que mais tenho ouvido é: ‘quem agradece somos nós de você ter se disponibilizado para estar no Crea’. A presidência do Crea é um cargo honorífico, não é remunerado. Sem querer me vangloriar, mas é bacana você ouvir isso”.  

“O que é eu mais pedia era que se a minha vitória fosse para que eu pudesse elevar o Crea, fortalecer, valorizar o profissional, a sociedade e fosse bom para mim, então que eu vencesse, porque essa vitória não mudaria absolutamente nada a minha vida.  Agora, estando posta a vitória, encaro como um desafio, talvez o grande desafio da minha vida”.  

Responsabilidade redobrada 

No Conselho, são  cerca de 10 mil profissionais de todas as engenharias, as geociências, técnicos de segurança no trabalho e tecnólogos. “Pode-se dizer que em janeiro de 2021, a Rosa não será só engenheira civil. Será presidente de todas as modalidades de profissões do nosso Conselho, o que é uma responsabilidade muito grande”, ressalta. A  responsabilidade, ela diz, aumenta enquanto mulher. 

“Sendo a primeira mulher candidata e eleita presidente do Crea, um Conselho onde apenas 12% dessa representatividade é do gênero feminino, eu me coloca numa responsabilidade também muito grande na defesa da mulher alagoana. A mulher vai ser mais vista, mais cobrada”. 

É de uma forma natural que a presidente eleita do Crea afirma que tocará sua gestão enquanto mulher. “Não é uma coisa que diminuísse em nenhum momento da minha vida. Já fui controladora geral do Estado, presidente do Conselho Nacional e incontáveis vezes eu já participei de mesas como convidada ou dando palestra, 11 pessoas e apenas eu no meio. Muitas vezes. Quando tinha mais de uma mulher era uma coisa rara e eu sempre fazia questão de citar essa questão de gênero. E a gente levar essa ‘novidade’ como uma coisa natural”. 

Programa Mulher 

Nos seus planos de trabalho ela anuncia a implantação no Crea/AL do Programa Mulher, “exitoso já em nível federal, implantado no passado no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, o Confea, e visa resgatar, identificar lideranças femininas. Um resgate mesmo da mulher dentro da Engenharia. A ideia é que a gente busque no Confea em Brasília e possa implementar em Alagoas”. A mulher terá, portanto, participação efetiva no Crea, como assegura Rosa Tenório.  

“No nosso Plenário aqui em Alagoas nós temos 30 conselheiros. Atualmente, dos 30 só dois são mulheres. Nesta eleição, fomos seis mulheres eleitas nos Creas do Brasil, mas há ainda um distanciamento, um caminho a percorrer, mas não quero tratar isso de forma diferente, porque acho que a gente é igual. Mas certamente a gente vai abrir espaços e tratar com igualdade os iguais e diferente os diferentes, que a sociedade assim vê”. 

Agregar e buscar harmonia são metas da presidente eleita do Crea, como ela afirma. “Foi uma eleição bem disputada. Então, eu tenho uma quantidade de pessoas que discordam de alguma coisa, por algum motivo. Eu vou tentar entender o porquê disso e tentar harmonizar, agregar. Estas são as palavras de ordem, porque com isso a gente fortalece ainda mais o Conselho”, entende Rosa, ao dizer que a eleição passou e que “é hora de desarmar o palanque. O discurso é esse. Não tem outro. Quem me conhece sabe disso”, ela afirma. 

Esse, na visão dela, é o grande diferencial da mulher. “A mulher tem o olhar mais sensível, agrega, é diferente. Tenho uma responsabilidade enorme por ser essa diferença. Serei incansável na luta e defesa de todos os profissionais. Buscarei o impossível para não decepcionar o voto de ninguém. Nem quem não votou em mim. Por onde passo, gosto de entrar e sair pela mesma porta, gosto sempre de deixar os ambientes onde chego melhores do que quando eu cheguei, nem que seja de harmonia. E é esse mesmo espírito que eu levo em 52 anos de vida e 30 anos de trabalho que eu quero levar para o Crea”.