Alagoas tem a primeira trans negra vacinada contra Covid no Brasil: “Uma mistura de sentimentos”

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É de Alagoas a primeira trans negra vacinada no Brasil contra a Covid-19. Monalisa Rocha, 45 anos, trabalha na linha de frente, no setor de serviços gerais na unidade de saúde que atende os pacientes com coronavírus, no município alagoano de Santa Luzia do Norte, e no mês em que se celebra a visibilidade trans recebeu a primeira dose do imunizante, o que vem sendo lembrado como um passo importante na luta pela inclusão e respeito à dignidade que deverá ser seguido por outros estados. 

 “Trabalho há um ano e meio nessa unidade e para mim foi um sentimento muito bom. Me senti lisonjeada, feliz, esperançosa. Foi uma bateria de sentimentos, nem sei explicar… foi uma sensação incrível, maravilhoso”, diz Mona, como também é conhecida, ao falar sobre o que representou a vacina para ela e também em ser a primeira trans negra imunizada. 

Ela conta que temia muito contrair coronavírus porque na unidade que trabalha chegam muitas pessoas contaminadas. “Nossa, quem não teme pegar esse vírus!?”, indaga Mona.  

“O meu maior medo não era nem tanto pegar. Era pegar e transmitir para minha mãe e para as pessoas que eu amo. Essa era a minha maior preocupação”. 

“Orgulho grande” 

Monalisa diz ainda que foi informada que seria vacinada pela secretária de Saúde da cidade e o diretor da unidade onde trabalha.

Monalisa trabalha no setor de serviços gerais na unidade de saúde

“Para mim foi um orgulho muito grande. Você não imagina a sensação, a felicidade que eu senti quando fui comunicada que seria a primeira trans negra a ser vacinada. Foi uma sensação de alívio, de esperança. Eu não esperava, mas Deus é tão maravilhoso na vida da gente que eu só tenho a agradecer. Espero que venha logo pra todo mundo e que todo mundo fique feliz como eu estou”, diz. 

Apesar do preconceito que enfrenta, ela considera natural ser transgênero e confessa se sentir feliz em trabalhar na unidade de saúde onde atua. “Todo mundo me respeita, da maneira que tem quer. Nunca faltaram com respeito. Não tenho o que reclamar. Amo trabalhar lá, a equipe da saúde, enfim, não tenho problema nenhum com isso”. 

“Respeito é a palavra” 

Secretária de Saúde de Santa Luzia do Norte e assessora técnica da área de planejamento da Secretaria Estadual de Saúde  (Sesau/AL), a enfermeira Josefa Cláudia Gomes Figueiredo revela que quando pensaram na Monalisa não sabiam que ela seria a primeira no Brasil. Mas que seria uma representatividade importante para o município já que esse mês é o mês da representatividade trans.  

“A escolha se deu pela representatividade que ela tem para toda equipe que trabalha com ela. Foi uma decisão coletiva. Monalisa além de ser uma mulher, trans, negra, também apresenta algumas comorbidades de saúde o que também nos levou a priorizar a escolha”. 

A secretária lembra ainda que “durante toda a pandemia Monalisa nunca pensou em abandonar o serviço, mostrou-se estar sempre disposta ao trabalho e na linha de frente junto com os outros profissionais, foi sempre parceira e lutadora”. 

Secretária de Saúde de Santa Luzia do Norte Josefa Cláudia Gomes lembra que durante toda pandemia Monalisa sempre esteve na linha de frente

Ela diz que no quadro de funcionários tem apenas a Monalisa como trans e fala sobre o significado da palavra respeito. 

“A vacinação da pessoa trans demonstra para nós que, independente da opção de vida de cada um o importante é o respeito entre a equipe é que a assistência ao paciente seja a melhor possível. Então respeito é a palavra. Precisamos respeitar as adversidades”.