Padrão de beleza: “Não faz sentido nos compararmos quando somos pessoas diferentes”, diz psicóloga

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De acordo com uma pesquisa divulgada em dezembro de 2019  pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), no ano de 2018 o Brasil registrou a realização de mais de 1 milhão de cirurgias plásticas, além de 969 mil procedimentos estéticos não cirúrgicos. Esses números fizeram com que o nosso país se tornasse o campeão entre os países que mais realizam procedimentos estéticos no mundo. 

Para falar sobre o assunto, que repercutiu com a morte da influenciadora digital Liliane Amorim, de 26 anos, por complicações de uma lipoaspiração, no Ceará, o Eufemea conversou com a psicóloga Sarah Karenina sobre como o padrão de beleza afeta a vida das mulheres e as impede de se autoaceitar.  

“Os padrões de beleza vão afetar nas percepções que temos de nós mesmas e de outras pessoas, principalmente as mulheres mais jovens e adolescentes. Por elas ainda estarem amadurecendo, podem ser gerados sentimentos de angústia, ansiedade e tristeza, chegando a minar prazeres e bem-estar de situações sociais, como ir à praia, por exemplo”. 

Sarah Karenina, psicóloga

 O padrão de beleza é uma herança histórica e ainda é sustentado através das mídias, da moda, desde os espartilhos que tinham como objetivo reduzir a cintura e manter o tronco ereto, controlando as formas naturais do corpo e conferindo a ele mais elegância. Mas ainda assim, o espartilho era acusado de causar dezenas de doenças como curvatura da espinha, deformidade das costelas, deslocamento dos órgãos internos, doenças respiratórias e circulatórias, abortos, traumas.  

 “Com o constante crescimento de digital influencers, a beleza acaba sendo colocada como um produto, nos comparamos com fotos que foram editadas e tiradas minuciosamente vendo o melhor ângulo a melhor iluminação. O que acaba não sendo saudável para nós”, afirma Sarah. 

Sobre a constante busca pelo corpo perfeito, a psicóloga diz:  “O padrão de beleza imposto é perfeito e a perfeição nunca vai ser alcançada. É muito triste e muito sofrimento pensarmos e tentar nos encaixar em um padrão perfeito e impossível. Vira uma corrida sem fim”. 

Mulheres que já estão dentro desse padrão ainda se submetem a procedimentos estéticos e acabam colocando sua vida em risco. Como foi o caso da influenciadora Liliane Amorim. 

“Precisamos entender que os padrões foram construídos ao longo da história e que eles não fazem mais sentido. Não faz mais sentido lutarmos contra os efeitos naturais da nossa idade. Não faz sentido nos comparar quando somos pessoas diferentes, únicas. Cada pessoa tem sua particularidade. Não precisamos e não seremos iguais”, orienta a psicóloga sobre como iniciar o processo de autoaceitação.  

Ela ainda acrescentou: “Se você está percebendo que está sofrendo, que não está conseguindo desapegar dessa ideia do padrão e isso gera um prejuízo na sua vida, é importante procurar o profissional da psicologia.”