Na busca por perfeição, enfermeira teve anorexia e perdeu 12 quilos: “Tomava chá nos horários da refeição”

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A enfermeira Viviane Machado de Lima, 34 anos, estava no primeiro ano dedicado ao então vestibular e se julgava na busca pela perfeição, que começou pela imagem, como ela conta. O caminho, porém, acabou lhe trazendo consequências graves. Viviane teve anorexia, que durou anos até que ela conseguisse ficar bem. Ela conversou com o Eufemea, a quem contou como tudo aconteceu.  

“Tive anorexia em 2005. Anotava tudo que eu comia, tomava chá nos horários da refeição, minha menstruação ficou irregular, tinha dificuldade de concentração. Perdi em torno de 10 – 12kg”, lembra Viviane, que pesava entre 50 a 52 quilos. 

Ela conta ainda que chegou a desmaiar, o que deixou sua mãe muito angustiada diante da situação, diz que não precisou de internação hospitalar e que foi na psicologia que encontrou a ajuda para superar o problema. “Fiz acompanhamento com psicóloga e nutróloga. Na época não consegui uma consulta com psiquiatra e segui o tratamento só com dois profissionais citados”. 

“Passei anos constrangida por ter anorexia, me julgando por não ter percebido em que momento mudou de emagrecimento para adoecimento e responsabilizo a busca pela perfeição por isso”. 

Hoje, Viviane tem outra visão do que importa e diz que é preciso: “Descobrir quem somos, quais são nossos limites, nossas potencialidades e fraquezas. E assim buscar o nosso melhor em relação ao que fomos ontem, e não em relação aos outros”. 

Passados cinco anos da anorexia, Viviane relata que fez uma lipoaspiração. “O procedimento foi discutido com minha família e com a terapeuta. E sim, o procedimento me deu mais segurança quanto a minha autoimagem”. 

Misto de fatores 

Para falar sobre o que é e como se manifesta a anorexia, o Eufemea também ouviu a psicóloga Zaíra Rafaela Lyra Mendonça, presidente do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas. 

“A anorexia é um transtorno alimentar conhecido como anorexia nervosa. As causas desse distúrbio são bastante singulares, por mais que se estude, se debruce sobre isso, a gente vai entendendo que é um misto de fatores que levam o ser humano a desenvolver”,  ela explica. 

O transtorno, como alerta a psicóloga, pode resultar em um processo de morte. “É um estado grave do adoecimento do corpo, por falta de ingestão de alimento. E se você não ingere alimentos, fica sem nutrientes, fraco, debilitado fisicamente. Sem ingerir alimentos, o nosso corpo sucumbe, porque o combustível do corpo é a comida”, afirma Zaíra Lyra. 

Presidente do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas, Zaíra Lyra afirma que é um conjunto de fatores que leva à anorexia

“Se a determinação da doença é multifatorial, o tratamento também deve ser. Ou seja, tratamento com psiquiatras, psicólogos, nutrólogos, nutricionistas. Exige colaboração por parte de diversos especialistas e, principalmente, colaboração da pessoa que está acometida com o distúrbio”, orienta. 

Quanto à proporção de gênero, se mais homens ou mulheres são acometidos pela anorexia, Zaíra Lyra revela que há alguns anos a ciência identificava, e os consultórios clínicos, quadros anoréxicos mais em mulheres. “Hoje em dia, já tem se revisto um pouco essa afirmação, principalmente no ciclo vital, na adolescência, no qual já se diagnostica e se percebem muitos homens também com sintomas e sinais de anorexia nervosa”, ela informa. 

Cobrança 

A cobrança de valores, comportamentos e condutas, muitas vezes antagônicos com a nossa condição de estarmos no mundo como seres humanos, como afirma a psicóloga, pode levar à doença.  

“A gente fica sempre em busca de algo que não está em nós, de um modelo idealizado, inclusive. Já se sabe, e as obras de arte literárias estão aí para nos provar, que o padrão de beleza flutuou e modificou ao longo da nossa existência enquanto humanidade. O que é bonito hoje, não foi o que era bonito há um século, mulheres robustas, de seios fartos. Inclusive, hoje em dia, em culturas diferentes, padrões de beleza diferentes. A mulher brasileira é diferente da japonesa, que é diferente da mulher norte-americana”.  

É no bem-estar das pessoas, afirma Zaíra Lyra, que a Psicologia foca e se preocupa. “Bem-estar afetivo, mental. A forma de combater o mal-estar. Primeiro, a gente precisa identificar se aquele mal-estar é fruto da não aceitação do meu corpo e por que eu não aceito. É todo um processo de autoconhecimento, de problematização sobre suas questões emocionais, demandas e necessidades. A gente precisa entender: para quem eu estou direcionando o meu corpo? Para essa sociedade ou para mim? O meu corpo pertence a quem? A mim ou à sociedade?”. 

“Então eu preciso estar muito atenta a quais são as necessidades básicas humanas, as minhas necessidades singulares e aí sim eu vou poder me amar e estabelecer maneiras de acentuar meu amor próprio, meu autocuidado”.