Sequelas da Covid-19 afetam rotina de trabalho e a vida de técnica em enfermagem: “Bastante dificuldade”

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp

A técnica em enfermagem Anusca Carla Silva de Almeida,  tem 39 anos, trabalha no posto de síndrome gripal de Jacarecica, e em um hospital particular de Maceió. Em maio do ano passado ela foi diagnosticada com Covid-19, procurou ajuda médica e ficou 15 dias afastada do trabalho, na linha de frente de combate ao vírus. O que ela não imaginava era que sofreria com várias sequelas da doença, que até hoje se manifestam em seu corpo, o que leva a ser afastada das atividades sempre que os problemas aparecem.  

“Apresento bastante dificuldade na minha rotina porque eu sempre fui bem ativa, ágil e hoje passo uma semana super bem e a semana seguinte passo mal, com muitas dores, daí sou afastada da minha rotina de trabalho”, conta Anusca. 

Ela diz que não tem nenhuma comorbidade, mas que após dois meses e meio de ter sido infectada pelo vírus apresentou um quadro de pneumonia. Os médicos suspeitavam que se tratavam de uma reinfecção. “Mas não era ainda confirmada, então foi tratado como se fosse uma recaída”, diz a profissional. 

“Procurei um médico já no início mesmo, na emergência, onde fui afastada. Após isso, só sequência de médicos. Hoje está só se observando a cada sintoma que vai apresentando, tratando-se com as medicações, um antibiótico e observando, é o que eles me informam”, revela. 

Anusca conta ainda que foi encaminhada para vários médicos. “Para o pneumologista, cardiologista, para  o vascular, nefrologista, porque estou passando por uma bateria de exames, para investigação. Apresento várias semanas de náuseas, dores, fiquei com uma suspeita de pericardite, 20% do pulmão comprometido, muitas dores no corpo, celulite infecciosa nos membros inferiores e superiores, flebite, são várias sequelas que vêm se apresentando gradativamente ao longo dos dias”, ela informa. 

Hoje, a técnica em enfermagem revela: “Sinto ainda muita dor de cabeça, nas costas, no braço, perna e um leve desconforto respiratório, de vez em quando, muita náusea, tonturas, falta de ar e dormência no dedo, do membro inferior e uma dormência na língua, que é o que está em investigação hoje. Afetou um pulmão, que ficou com uma lesão de 25% e essa pericardite, que é a inflamação da membrana do miocárdio, mas que foi absorvida pelo organismo e hoje não tenho lesão nenhuma”. 

Contágio no trabalho 

O contágio, segundo ela acredita pode ter acontecido no trabalho. “Acredito que devo ter contraído no trabalho, mas como era um vírus novo, de pouco conhecimento e que estava se alastrando, não dava para precisar. Como na época não era suspeito qualquer paciente de Covid, só se tivesse apresentando algum sintoma gripal, então eu acredito que pelo contato com alguns pacientes eu deva ter contraído sim no trabalho porque eu saí debilitada já depois de dois plantões”. 

Ao sair do trabalho, em maio do ano passado, ela conta que sentia febre, coriza, muita dor no corpo e cefaleia. Diante do quadro, procurou a unidade de emergência, onde foi realizada uma tomografia. Apesar do problema, não precisou ficar hospitalizada.  

“Eu fiquei 15 dias afastada, retornei para o trabalho com algumas sequelas, cansaço, dor no peito, nas costas, mas fora isso estava bem, aparentemente. Não tive contato com os meus familiares, fiquei isolada numa casa durante 30 dias”. 

“Vírus silencioso e letal” 

À população, Anusca transmite uma mensagem de que se proteja, a si e ao próximo. “O que eu digo à população é que se proteja. Tenham cautela, consciência de que é um vírus bem silencioso e letal, que todos podemos nos contaminar e assim contaminar um parente, um colega ou até alguém desconhecido mesmo, que possa vir a não sobreviver”. 

 “Ter bastante responsabilidade, porque não é uma doença que a gente contrai e diz assim: ‘toma aqui uma pilulazinha e você tá bom’. Não! Requer cuidados, atenção e que é de uma gravidade impressionante, que pode acometer o ser humano e levar ele a óbito e assim todos nós saímos perdendo. Então é bom que a população se conscientize da gravidade e que deve ter todo o cuidado, porque você pode se reinfectar e ter um acometimento mais grave e passar por uma perda maior. Digo à população que se cuide e se proteja”.