Vereadoras de Maceió contam quais são os maiores desafios de ser mulher e estar na política

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A Câmara Municipal de Maceió (CMM) tem a bancada feminina mais jovem da história. As quatro integrantes têm entre 21 e 35 anos, e ocupam cargos eletivos pela primeira vez. O Eufemea conversou com as vereadoras sobre o desafio de ser mulher, estar na política e o conselho que elas dão para outras mulheres que também têm o desejo de ingressar na política.  

 Igualdade de gênero 

 Aos 35 anos, a advogada Gaby Ronalsa (DEM) afirma que o maior desafio é a igualdade de gênero, que apesar da popularização dos debates, combate ao machismo e ao assédio é uma das grandes lutas. 

Para Gaby Ronalsa, “coragem, persistência e muita certeza do que você quer, são alguns dos atributos que as mulheres que querem ingressar na política devem possuir”

 “As mulheres têm mais dificuldade de entrar e chegar a cargos de chefia, e ganham menos que os homens cumprindo a mesma função”, ela lembra. 

Na opinião da vereadora, ter “coragem, persistência e muita certeza do que você quer, são alguns dos atributos que as mulheres que querem ingressar na política devem possuir”.

Gaby Ronalsa faz um apelo às mulheres para que “participem de movimentos, se engajem em causas, mesmo que ainda tímidas, a presença cada vez maior de candidatas é algo fundamental para o fortalecimento da democracia”, diz. 

“A representatividade feminina é extremamente necessária quando pensamos nas lutas pelos direitos das mulheres em um contexto que ainda há muito preconceito, exclusão e violência contra as mulheres.” 

Gaby Ronalsa

Determinação e voz 

A advogada Olívia Tenório (MDB), de 28 anos, afirma que são muitos os desafios em ser mulher e estar na política e que ainda existem muitos preconceitos.  

Eleita vereadora aos 28 anos, a advogada Olívia Tenório entende que é preciso que as mulheres incentivem outras mulheres

“Um ranking elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que o Brasil ocupa o 154º lugar em representação feminina nos parlamentos mundiais, com 55 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados ocupadas por mulheres, o que equivale a apenas cerca de 10% do total. Aqui em Maceió o resultado não é muito diferente, apenas 4 mulheres ocupam lugares na Câmara Municipal, sendo 25 vagas”, diz Olívia. 

Olívia Tenório

O resultado, ela ressalta, “deixa o Brasil na retaguarda em termos de representação feminina nos parlamentos, atrás de países como Afeganistão e Arábia Saudita”. 

“Para mim, o maior desafio da mulher na política é quebrar essas barreiras que envolvem questões culturais, políticas, sociais, econômicas, institucionais e estruturais. Apesar de a mulher estar cada vez mais presente em todos os segmentos e de muitas serem chefes de família, ainda vemos uma sub-representação absurda nas esferas de Governo do Brasil. Apesar de já estar provado e comprovado que países/estados/municípios ou cargos representados por mulheres tendem a ter um nível de desenvolvimento e aprovação maior.” 

Conselho da vereadora para as mulheres que desejam ingressar na política: ”Sim! Ingressem! Se engajem! Faça valer a sua vontade, determinação e voz. Preciso que as mulheres incentivem outras mulheres. Por muitos anos as mulheres não tinham direito a voz, a vez, a nada. Não podiam nem votar e até para viajar precisavam da autorização do marido”.

Olívia entende que “as coisas vêm mudando, embora ainda lentamente, mas o meu conselho para aquela mulher que gosta e se sente atraída a pleitear um cargo político é que elas devem, sim, fazê-lo. Devemos mostrar que somos capazes de fazer tudo que quisermos, sem discriminação de gênero.” 

Aliança feminina 

Em seu quarto mandato como vereadora da capital e com vários projetos e leis aprovadas voltadas à pauta feminina no currículo, Silvania Barbosa (PRTB) acredita que a maior barreira a ser vencida é conquistar a confiança de outros políticos, até mais do que a do eleitor.  

Em seu quarto mandato como vereadora, Silvania Barbosa afirma que as mulheres precisam brigar por mais representatividade

“O espaço das discussões é predominante masculino, e é preciso de firmeza nos posicionamentos para garantir meu lugar de fala e espaço na carreira pública” e acrescenta que “precisamos brigar por mais representatividade. As mulheres não podem ser coeficientes nos partidos, elas precisam ser protagonistas em suas legendas”, diz. 

Silvania Barbosa

O conselho da vereadora para mulheres que desejam ingressar na política é  seguinte:  “Coragem, perseverança e personalidade são características necessárias. Acredito na força e na aliança feminina como principais aliadas do nosso sucesso”. 

Machismo 

A vereadora mais jovem de Maceió, a estudante de Relações Internacionais Teca Nelma (PSDB), de 21 anos, conta que o principal desafio é lidar com o machismo, que ainda é muito presente em todas as esferas sociais e na política não é diferente. Ela afirma que a única forma de desfazer esse problema estrutural e cultural é cada vez mais mulheres participarem ativamente e ocuparem os espaços de poder. 

Eleita aos 21 anos, a estudante de Relações Internacionais, Teca Nelma orienta: “Mesmo diante das adversidades, não desistam”

“Essa resistência dos homens e dos partidos políticos em si, não se trata apenas de sexista. É um mecanismo masculino de proteção do poder. A entrada de mulheres acirra essa competição para os homens que já estão inseridos na política, até porque tradicionalmente as mulheres tendem a ser mais qualificadas”, diz Teca. 

Outro fator importante que colabora para essa segregação, ela acrescenta, “é o fato de a mulher, tradicionalmente, não ser esperada nesses espaços, não apenas por uma questão histórica, mas também cultural de que a mulher deveria, supostamente, apenas ficar em casa e cuidar da família.” 

Conselho da vereadora para as mulheres que desejam ingressar na política: “Mesmo diante das adversidades, não desistam. Precisamos continuar lutando para apoiar essas candidaturas e não só cumprir com os números”. 

“É muito triste quando vemos candidaturas de mulheres laranjas. Esse apoio, ao contrário do que muitos pensam, vai além de apenas aceitar a candidatura, mas significa repasse de recursos, tempo no horário eleitoral e, principalmente, dar visibilidade para essas candidaturas. Muitas dessas mulheres trabalham dentro e fora de casa, são mães solteiras e enfrentam uma tripla jornada de trabalho para sustentar as famílias. E é desse tipo de suporte que precisamos oferecer.  É preciso abrir espaços para nós, não apenas na política, mas em todo contexto social.” 

Teca Nelma