“Não é um universo fácil de trabalhar, mas é encantador”, diz cofundadora de startup de tecnologia para mulheres

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A alagoana Gesyca Santos, 34 anos é cofundadora da startup Mulheres Connectadas que surgiu de uma dor dela e da sócia Alessandra Pontes, que transitavam no mesmo ambiente de trabalho, mas em projetos distintos. No início de 2020 — bem no começo da pandemia — Gesyca e Alessandra resolveram juntas as suas inquietações, expertises e habilidades para criar uma startup de Tecnologia social.

Ao Eufemea, Gesyca contou que o propósito do Mulheres Connectadas é “conectar mulheres que transitam pelos ambientes de empreendedorismo, ciência, tecnologia e inovação”. Além disso, Gesyca também comentou sobre os desafios que enfrenta como mulher, entre eles o machismo e o racismo.

Para que elas possam realizar negócios e que sejam monitoradas em sua jornada empreendedora por meio de uma plataforma digital.

“Através de uma plataforma que coloca em evidência seus produtos desenvolvidos dentro da universidade, como também, possibilitar essas cientistas a negociar o seu produto por meio da plataforma”, explicou.

A cofundadora contou que um dos serviços que elas oferecem é o Selo Mulheres Connectadas por meio de um diagnóstico situacional relacionado a promoção de igualdade de gênero, tendo como base agenda 2030 da ONU; Mapeamento de talentos na área de tecnologia e inovação, além, de consultorias, mentorias e palestras”, comenta.

Gesyca Santos e Alessandra Pontes. Foto: Cortesia

E por mais que muitas pessoas ainda achem que tecnologia não é lugar para mulher, Gesyca está aí para mostrar o contrário. Ela contou que começou a se interessar por tecnologia na faculdade quando teve a oportunidade de interagir com programas de computadores possibilitando o desenvolvimento e análise de território por meio de mapas temáticos. Mas só em 2015 que ela entrou no universo do empreendedorismo, tecnologia e inovação.

“Esse universo não é fácil de trabalhar, porém, é encantador. Quando enxergamos as possibilidades de caminhos que a tecnologia pode nos levar, tenho a convicção que esse universo me escolheu, pois nunca tinha imaginado trabalhar com tecnologia e muito menos desenvolver, criar soluções para a sociedade”, afirma.

Ela também ressaltou que sua jornada foi bem intensa e que entre 2016 e 2017 criou, juntamente com mais dois colegas, a startup Fábrica de Bot, onde Gesyca desempenhou o papel de Gestora de Negócios.

A startup lhe proporcionou experiências incríveis, uma delas foi a participação na competição, “Projeto em Ação”, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento do Estado de Alagoas, na ocasião, levaram o primeiro lugar de “Ideia Mais Inovadora”.

Confira outras conquistas de Gesyca:

  • Em 2017 participou da competição tecnológica “Design Thinking: Ideias Inovadoras para o Agronegócio” promovido pelo Sebrae Alagoanas onde levou o primeiro lugar;
  • Em 2018 participou do processo de Incubação de Empresas ligada ao programa de Inovação Tecnológica da Universidade Federal de Alagoas com a referida startup;
  • Em 2019 juntamente com mais três colegas criou a 19colab com o foco em desenvolvimento de soluções customizadas;
  • Entre 2019 e 2020 trabalhou em uma empresa de Software House;
  • Em 2020 criou a startup Mulheres Connectadas junto com sua sócia Alessandra Pontes. 

‘’No decorrer da minha jornada me fiz compreender a importância da tecnologia na vida das pessoas que não se resume apenas a um telefone ou uma máquina capaz de raciocinar mais rápido. Vai muito além disso, possibilitando transformar uma comunidade ou um país de forma significativa’’, conta.

Machismo e racismo no ambiente da tecnologia

Gesyca conta que, não é fácil ser mulher na tecnologia, os desafios são muitos e principalmente por ela ser uma mulher preta falando de tecnologia. “Quando adentramos em um campo que ainda é liderado por homens se torna ainda mais complicado, pois devo estar provado o tempo inteiro que sei, que tenho habilidade e capacidade para tal”.

Ela continua dizendo que, historicamente, áreas ligadas a ciências, tecnologia, engenharia e matemática foram dominadas por homens, em sua maioria, sem ressaltar que são espaços masculinizados, e em geral, são espaços de poder.

“Não é só o machismo. Assédio moral que tenho que lidar, também, os preconceitos raciais. Já atendi clientes que proferiram falas racistas, como também, reuniões com parceiros (empresas). Eu e minha sócia já recebemos diversos elogios com o cunho pejorativo “gosta de palco” “ousadas”, etc, nunca reconhecendo o trabalho ou nossa intelectualidade. Porém, toda essa narrativa faz compreender e principalmente serve como combustível para continuar”, enfatizou.

Prêmio Mulher Destaque Portal Eufemea

Gesyca foi vencedora na categoria Tecnologia no Prêmio Mulher de Destaque Eufemea. Para ela, ganhar em primeiro lugar fez com que ela refletisse sobre a resiliência dela diante de tantas situações desagradáveis, como: machismo, assédio moral.

“Quando vem um prêmio em uma área que estou empreendendo e me especializando a cada dia é como se fosse um atestado da trilha que venho construindo profissionalmente e da certeza que estou no caminho certo. Sei que a caminhada é longa e por meio do meu trabalho venho conquistando meu espaço. É por meio de reconhecimento como esse que me motiva ainda mais em continuar e motivar a outras mulheres juntamente com a minha sócia Alessandra por meio da nossa Startup Mulheres Connectadas”, conclui.