Após 15 anos enfrentando depressão, artesã alagoana muda de vida em projeto Economia Solidária

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Foto: Célio Junior/Secom Maceió

Desde cedo, aos 12 anos, Elisabete de Lima aprendeu com a avó a trabalhar com a palha e folha de ouricuri. O processo de fabricação de peças artesanais, como pulseiras, vassouras e materiais do sítio onde morava foi passado para a artesã como uma tradição. Aos 42 anos, Bete decidiu se cadastrar na Secretaria Municipal de Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes) para integrar um empreendimento solidário. Este gesto mudou sua vida.

A chegada dela no grupo não foi de uma hora para outra. Desde os 26 anos, Elisabete sofre de depressão, ansiedade, síndrome do pânico e chegou a fazer tratamento fisioterápico por estar perdendo o movimento das mãos. O convite para integrar um empreendimento solidário veio na hora certa.

“Era muito doloroso. Chorava muito vendo todas as minhas linhas que não conseguia mais pegar. Foram quatro anos de tratamento e na terapia tinha uma senhora que fazia todo tipo de artesanato. Quando eu comecei a recuperar os movimentos, comecei a acumular os produtos em casa”, conta a artesã.

Semtabes possui dois pontos fixos em atividade: no Maceió Shopping e no Pátio Shopping; e vai instalar outro no Jaraguá, no Mercado 31. Foto: Bárbara Wanderley/Secom Maceió
Semtabes possui dois pontos fixos em atividade: no Maceió Shopping e no Pátio Shopping; e vai instalar outro no Jaraguá, no Mercado 31. Foto: Bárbara Wanderley/Secom Maceió

Quando uma amiga convidou Bete para a Economia Solidária, ela logo se interessou. “Eu trabalhava com artesanato, mas até então era só uma terapia. Quando entrei no grupo, eu tomava seis medicamentos por dia. Eu tinha medo, de falar e de me engasgar. Agora, só de explicar para cada pessoa como aquela peça é produzida, com carinho e dedicação de cada artesã, aquilo foi me distraindo e fui diminuindo minhas medicações. Eu vivo de forma mais saudável”, revela Elisabete.

A secretária adjunta da Semtabes, Ríssia Rodrigues, explica que a mudança na vida da Elisabete mostra que o trabalho realizado pela Prefeitura de Maceió é muito mais do que gerar oportunidade de renda. É cuidar de cada maceioense.

“Nós estamos no processo de reativação do Conselho Municipal de Economia Solidária e buscando políticas públicas que possam fomentar ainda mais a Economia Solidária. Queremos trazer novos segmentos e oportunizar novas histórias de superação como a da Bete”, afirma Ríssia.

Ríssia Rodrigues explica que Semtabes está trabalhando para reativar Conselho Municipal de Economia Solidária e garantir mais oportunidades para o segmento. Foto: Gabriel Moreira/Secom Maceió
Ríssia Rodrigues explica que Semtabes está trabalhando para reativar Conselho Municipal de Economia Solidária e garantir mais oportunidades para o segmento. Foto: Gabriel Moreira/Secom Maceió

A Semtabes possui dois pontos fixos de comercialização ativos: um no Maceió Shopping (Mangabeiras) e um no Pátio Shopping (Benedito Bentes); e trabalha na instalação de um novo ponto dentro do Mercado 31, no Jaraguá. Nos locais, os 20 grupos cadastrados na Prefeitura de Maceió fazem a comercialização dos seus produtos.

A Elisabete e mais de 100 artesãos inscritos na Economia Solidária têm a oportunidade de compartilhar suas histórias de vida, a forma como fabricam os produtos, os cuidados e a intenção da peça. Para a Bete, essa é a parte que mais gosta.

“Faço muitas peças de macramê, crochê, bolsas e isso ainda dói, mas quando termina, você vê aquilo é gratificante. E quando os clientes passam e olham e dizem ‘Nossa! Que trabalho bonito!’. Eu fico feliz. Foram 15 anos sem sair de dentro de casa e agora eu estou aqui”, ressalta a artesã.

*com Ascom Semtabes