Ex-militar, mulher trans e influencer: conheça a única indígena candidata em Alagoas

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Foto: Cortesia

Ela é a única candidata indígena em Alagoas para as eleições de 2022, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bianca Nunes, mulher trans, ex-militar, ficou conhecida após mostrar a transição corporal nas redes sociais e se tornou influenciadora digital. Agora, ela é candidata a deputada estadual pelo MBD.

Ao Eufemea, Bianca, 24 anos, relata sua trajetória política e a importância de representar a comunidade LGBTQIA+ e indígenas. Bianca nasceu na tribo Wassu Cocal, em Joaquim Gomes, Alagoas.

Representatividade na política

Bianca lamenta por ser a única mulher trans e indígena candidata. Para ela, sua candidatura servirá para inspirar outras pessoas a participarem do meio político e representar diversos grupos.

“Não dá para ser mulher trans, indígena, não dá para ser da comunidade LGBTQIAPN+ ou mesmo, descendente de indígena e não lutar por sua representatividade no governo”, diz.

A candidata relata que através das redes sociais, busca oferecer voz a quem já sofreu algum tipo de violência. Ela resolveu entrar na política após receber um convite para se candidatar.

“Foi uma surpresa! Eu nunca tinha pensado nisso. Durante muito tempo fui alguém que tinha horror de política e de políticos. Até que uma amiga me falou uma frase de Platão”, relembra.

A frase que Bianca cita é: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.” A candidata disse que a frase despertou seu interesse pela política.

“Precisamos de outras leis, precisamos dar voz a quem sofre de violência. E foi isso que me motivou. Essa chance de representar minorias que precisam ser ouvidas, porque estão desesperadas atrás de melhores condições para viver”, afirma a candidata.

Preconceitos enraizados

Nunes avalia que a falta de respeito é a principal dificuldade enfrentada em sua candidatura. Ela afirma ainda que a sociedade tem preconceitos enraizados sobre mulher trans e indígenas, por isso ocupar espaço na política causa desprezo e desvalorização.

“São comentários, olhares, gente que nem percebe como estão sendo desrespeitosas. Sei que causo estranheza e curiosidade para muita gente. Sei que tem gente que acha um absurdo ver uma mulher trans, indígena, concorrendo à deputada estadual. É normal ver trans na prostituição, indígena na miséria, mas concorrendo a um cargo na política é loucura!”, conclui Bianca.