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Nutrição e menstruação: seleção adequada de alimentos e comidas podem ajudar na diminuição de alguns sintomas

Foto: Assessoria

A menstruação é algo que faz parte da rotina da mulher desde muito cedo, ainda no início da puberdade. Entre a menarca e a menopausa, a mulher vai observar o ciclo menstrual por décadas, menstruando entre 400 a 500 vezes durante a fase fértil ao longo da vida. Apesar de ser uma consequência natural da maturação sexual, esse é um período que pode ser muito doloroso e traumático para muitas mulheres.

É importante saber que nem toda menstruação é “normal”. O excesso de perda sanguínea e situações de desconforto prolongado podem indicar uma condição que ainda passa despercebida. Evitar sair de casa durante a menstruação, interromper a prática de atividades esportivas, ter preocupação com vazamentos e cólicas intensas são alguns exemplos dos impactos observados no período menstrual, o que acaba tendo consequências na qualidade de vida da mulher.

De acordo com a nutricionista especialista em saúde da mulher, Andressa Ferro, mesmo sendo uma condição inerente ao próprio corpo, é preciso estar atento a alguns fatos que não são considerados normais. “A mulher sofre essas oscilações hormonais que acabam impactando em muitos aspectos.

As dores são muito presentes, e isso é algo que a gente consegue palpar, mas a mulher também sofre uma oscilação humoral, em relação ao seu próprio desenvolvimento cognitivo e sua performance no trabalho. É preciso se conhecer, para saber seus limites, se utilizar do estilo de vida, da alimentação e da suplementação para abrandar o máximo possível e trazer conforto para esses dias”, reflete.

Além disso, é importante estar atento caso a TPM passe de sete dias antes, ou seja, se torne algo que impacte nas relações e atividades cotidianas. “Nesses casos é preciso procurar ajuda porque provavelmente há uma desregulação hormonal que está agravando esses sintomas. Muitas vezes a mulher já tem um problema clínico, como endometriose, e que pode estar comprometendo essa qualidade de vida.

Normalmente a TPM aparece três dias antes do ciclo menstrual e modifica o humor, vitalidade, força e disposição, além de fazer a mulher tender a comer um pouquinho mais, mas não é nada exacerbado. Se isso se alastrar demais e a intensidade for muito alta, já chamamos de TDPM, que é uma tensão disfórica pré-menstrual, que nesse caso é uma condição clínica e deve ser tratada”, conta a nutricionista.

Importante observar também como a parte nutricional entra no ciclo menstrual. A escolha dos alimentos que consumimos é resultado de uma complexa relação entre fatores hormonais, fisiológicos, psicológicos e culturais. O aumento do apetite ou a preferência por certos alimentos em determinados momentos do ciclo menstrual podem ser explicados a partir das flutuações hormonais. A seleção adequada de alimentos e comidas podem ajudar na diminuição de alguns sintomas pré-menstruais e, inclusive, melhorar a saúde menstrual.

“Três dias antes do ciclo menstrual há uma queda muito grande dos hormônios para que um novo ciclo comece. Essa queda impacta diretamente nas sensações de bem estar da mente, os chamados neurotransmissores, como a serotonina, adrenalina e dopamina. Quando esses hormônios caem, acabam impactando na saúde emocional e por isso a mulher fica um pouco mais intolerante e querendo comer mais. Essa comida, através dos alimentos palatáveis ricos em açúcar e gordura, age de uma forma muito rápida, despertando no cérebro esses neurotransmissores que estão baixos, e serão os responsáveis por trazer uma sensação de bem estar que o corpo não está tendo”, explica Andressa Ferro.

A especialista ainda ressalta que a mulher só está procurando na comida uma forma de se regular, sendo este ponto em que ela tende a descontar na comida. “É muito comum ver mulheres com uma vontade exagerada de comer carboidratos, doces ou gorduras, justamente buscando essa auto regulação. Porém isso pode ser feito de diversas maneiras, e não só através do alimento, que podem ser introduzidas naquele período de TPM e que vão trazer sensações de conforto e bem estar que são necessidades fisiológicas”.

“Por isso é importante que a mulher compreenda a sua situação atual para que não exija algo além da sua capacidade de momento, que resultam em um estresse maior ao corpo e cobranças exacerbadas, que podem inclusive gerar uma compulsão alimentar”, alerta.

No entanto, nenhuma fase do ciclo menstrual da mulher se torna impeditiva para realização de qualquer atividade, seja trabalho, treino ou alimentação. Nesse período pré-menstrual, a mulher tem tendência a ser intolerante, os hormônios que regem esse período não dão tanta força, potência ou vitalidade, além de estar mais inflamada por conta da descamação do endométrio que irá começar.

A nutricionista Andressa Ferro ressalta que nessa fase é imprescindível pensar na característica do exercício físico, sendo algo mais lúdico, que desperte sensações de bem-estar, que não sejam tão exaustivos e que sejam mais regenerativos e de caráter de recuperação tanto física como emocional.

“Não adianta a mulher chegar nessa fase e ela querer pegar o mesmo peso que ela pega quando ela está em uma fase ovulatória. Essa percepção sobre o próprio corpo vai permitir que, alinhado a um profissional do meio, arrume estratégias através da prática de exercícios físicos que façam com que ela continue treinando nesse período, já que vai ser algo muito benéfico no processo anti-inflamatório. A mulher nunca é constante e a alimentação e suplementação precisam caminhar junto dentro desse ciclo”, destaca.

*Com Assessoria