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“A fenda da lagoa”: Escritora alagoana lança livro sobre bairros que estão afundando em Maceió

Foto: Divulgação

A escritora Lili Buarque, natural de Maceió, lança este mês seu primeiro livro, intitulado “A fenda da lagoa”, pela Editora Cachalote. A obra, realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, operacionalizado pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), reúne 30 crônicas que estabelecem um diálogo entre o passado e o presente da autora e de sua família no bairro do Pinheiro, em Maceió.

Para marcar este momento especial, Lili Buarque realizará dois eventos de divulgação: o primeiro em Maceió, no sábado, dia 6 de julho, no Carambola Lab (R. Sá e Albuquerque, 378, Jaraguá), das 17h às 20h; e o segundo em São Paulo, no dia 1º de agosto (quinta-feira), na Livraria Megafauna (Av. Ipiranga, 200 – Loja 53 – República), das 19h às 22h. A entrada para ambos os eventos é gratuita, com o livro disponível para compra a R$49,90.

Os bairros do Pinheiro e outros cinco circundantes da Lagoa Mundaú, todos localizados na capital alagoana, foram totalmente evacuados nos últimos anos devido ao afundamento da região, provocado pela extração predatória de sal-gema pela Braskem. Este é considerado o maior crime ambiental urbano em andamento no mundo, com mais de 60 mil famílias desalojadas, mas o Brasil ainda conhece pouco dessa tragédia.

Na obra, a autora se dedica a refletir sobre a atual situação do bairro com a tragédia que agora assola a região, o legado de sua família, que era responsável por uma típica padaria do bairro, e os primeiros conflitos vividos com a chegada da maturidade. Paralelamente, ela entrelaça essas experiências com a vida na comunidade do bairro Pinheiro, revelando como esse ambiente moldou sua visão de mundo inquieta e curiosa.

Lili Buarque, que além de escritora é servidora pública, musicista e produtora cultural, decidiu utilizar a literatura como meio para garantir que essas histórias não sejam esquecidas. Seu livro “A fenda da lagoa” é um testemunho poderoso das vidas afetadas e um alerta sobre a necessidade de preservar a memória e a história dos bairros e suas comunidades.

“Vivi boa parte da vida no bairro do Pinheiro e, mesmo depois de sair de lá, o bairro seguiu sendo minha casa. A padaria, a casa dos meus avós, o balé, a livraria. Um pouco de tudo o que sou hoje, passou por muito do que fui vivendo ali”, explica a escritora.

A família da autora construiu e geriu uma padaria no bairro por mais de 40 anos, a Belo Horizonte. Era um ponto popular do bairro, que atraía pessoas de outras regiões de Maceió devido a boa qualidade de seus produtos. Hoje, a padaria, que antes servia de ponto de encontro de figuras marcantes da região, virou escombros, assim como todo o bairro do Pinheiro.

“Eu estava no Pinheiro quando houve o primeiro grande tremor de terra, em 2018”, completa Lili. “De lá para cá foram anos e anos de angústia, revolta e muita tristeza. Familiares, amigos, vizinhos, gente de uma vida inteira tendo que sair de suas casas de maneira forçada, abandonando seus lugares e sonhos de uma vez. Eu precisava resgatar, de alguma maneira, as vidas felizes que passaram por ali, não queria que esses sentimentos afundassem também”.

São episódios pessoais de Lili que se embaralham ao antigo cotidiano do bairro e com a atual tragédia do afundamento do solo: festas de São João que tomavam conta das ruas e as fogueiras que jamais serão montadas ali novamente; encontros com amigos no mirante da lagoa Mundaú, que não existe mais; idas burocráticas em um cartório da região, que mantém em seu nome a um bairro ao qual não pertence mais. Histórias para relembrar e histórias para não esquecer.

A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, celebrou o lançamento do livro. “A obra da talentosa Lili Buarque resgata e preserva a memória e a história dos bairros afetados pelo afundamento do solo em Maceió. É um testemunho sensível e profundo das vidas impactadas por essa tragédia e um convite à reflexão sobre a importância de proteger nossas comunidades e nosso patrimônio”, disse a gestora.

*Com Assessoria