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O Brasil tem hoje 30,4 milhões de empreendedores, sendo 10,4 milhões de mulheres, segundo a PNAD/IBGE. A participação feminina cresce ano após ano, impulsionada por trajetórias marcadas tanto por necessidade quanto por inovação. Em muitos casos, são mulheres que transformam desafios cotidianos em renda, autonomia e impacto comunitário.
Para reconhecer esse movimento global, a ONU instituiu o 19 de novembro como o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino. A data incentiva visibilidade, políticas públicas e apoio estruturado às mulheres que enfrentam barreiras como acesso limitado ao crédito, falta de redes estratégicas e dificuldades para equilibrar múltiplas jornadas.
É nesse cenário que iniciativas como a Be.Labs, fundada pela brasileira Marcela Fujiy, vêm ganhando protagonismo ao oferecer capacitação, comunidade e ferramentas práticas para empreendedoras das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste — o chamado Novo Eixo.
Capacitação adaptada à realidade das mulheres
A Be.Labs já formou 4.660 mulheres em 160 turmas, alcançando 13 estados e 358 cidades, com mais de 8 mil horas de mentorias. Em 2025, deve fechar seu melhor ano, com faturamento estimado de R$ 1,3 milhão.
Segundo Marcela Fujiy, a metodologia foi criada porque muitas mulheres não se reconheciam como empreendedoras. “Elas administram o negócio enquanto cuidam dos filhos, dos pais idosos ou de outro emprego. Muitas começam da necessidade, mas geram impacto real na economia e na comunidade”, afirma.
O programa Efeito Furacão começa com o reconhecimento da identidade empreendedora e evolui para temas como propósito, estratégia, marketing digital, modelo de negócio, finanças, contabilidade e jurídico. Tudo adaptado ao contexto de quem começa de forma intuitiva, informal e com poucos recursos.
Resultados concretos para os negócios
Pesquisas realizadas em 2023 e 2024 mostram avanços expressivos entre as participantes do Efeito Furacão:
- 72,6% passaram a separar finanças pessoais e do negócio
- Faturamento mensal teve crescimento médio de 50,5%
- 70,7% melhoraram a precificação
- 95,9% passaram a usar múltiplos canais de venda
- A dificuldade no controle financeiro caiu 47,2%
Os efeitos não são apenas econômicos:
- 82,7% adquiriram habilidades de gestão
- 80,6% relatam maior autoestima
- 87,5% se orgulham de quem se tornaram como empreendedoras
A importância da rede e da sensação de pertencimento
Uma queixa recorrente entre empreendedoras é a solidão na tomada de decisões. Muitas cuidam sozinhas do negócio e da família, o que torna o processo mais difícil.
Por isso, o Efeito Furacão inclui uma comunidade digital exclusiva onde elas trocam experiências, pedem ajuda, compartilham aprendizados e até formam parcerias comerciais.
A sororidade — apoio entre mulheres — é trabalhada como ferramenta de desenvolvimento econômico e emocional.
Histórias que mostram o impacto da formação
Ceará: tradição que virou negócio sustentável
Rosineide de Araújo Sousa, do Cajueirinho, transformou a cajuína artesanal da família em um negócio estruturado e com potencial nacional. No Efeito Furacão, formalizou a empresa, organizou finanças, planejou expansão para Fortaleza e São Paulo e transformou um produto tradicional em marca profissionalizada, sustentável e de impacto social.
Acre: moda, identidade e criatividade
Fernanda Honório Amorim, criadora da 8 Colors, desenvolve camisaria autoral com referências afro-brasileiras, regionais e pop. Durante o programa, estruturou o financeiro, pesquisou o público, criou reservas para expansão e agora se prepara para abrir um quiosque de shopping — marco de crescimento e profissionalização.
Por que é uma solução
O modelo aplicado pela Be.Labs funciona porque:
- Reconhece a realidade das empreendedoras brasileiras
- Ensina finanças de forma acessível e aplicável
- Oferece comunidade e apoio contínuo
- Transforma negócios informais em empreendimentos sustentáveis
- Aumenta renda e autonomia para mulheres de regiões historicamente menos atendidas
Para Marcela, histórias como as de Rosineide e Fernanda mostram que o empreendedorismo feminino não é apenas resistência — é motor de desenvolvimento econômico.
“Podemos ir muito mais longe. São mulheres gerando renda, emprego e riqueza, além de inspirarem outras mulheres”, afirma.