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Eu, Fêmea: “Não há sentença de morte, mas uma nova chance de viver”

Relato de Luciana Martins

No Dia Nacional da Luta contra o Câncer de Mama, fui convidada pela jornalista Raíssa França, CEO do Portal Eufêmea, para contar um pouco da minha história. Eu me chamo Luciana Martins, sou jornalista e Relações Públicas e fui diagnosticada com câncer de mama em julho deste ano.

Descobri o nódulo na hora do banho. Foi um susto porque nunca senti nada e, de repente, tinha um caroço enorme na minha mama esquerda. De imediato, fui fazer os exames de mamografia e ultrassom das mamas, e foi neste momento que a médica me pediu que procurasse urgente uma mastologista, porque ela não estava gostando do que tinha visto. Naquele momento, desconfiei do diagnóstico e preparei a minha mente.

Foto: Luciana Martins/Cortesia

E fui à mastologista, Dra. Lígia Teixeira, quem eu tinha conhecido há dois anos fazendo assessoria de imprensa sobre o Outubro Rosa. Levei os exames e começamos a investigação para ter a certeza do diagnóstico. Uma série de outros exames foi solicitada até que a confirmação chegou: câncer de mama. E a minha resposta à doutora foi: eu vou me curar.

Comecei meu tratamento pela quimioterapia: oito sessões. Fui para a consulta com a oncologista, Dra. Paula Karoline, que me explicou que seriam quatro sessões vermelhas (porque o medicamento é vermelho) e quatro sessões brancas (porque o medicamento é branco).

Nas quatro primeiras sessões, senti muito enjoo, vomitei, tive prisão de ventre e diarreia, efeitos colaterais do tratamento. Com 13 dias da primeira quimio, meu cabelo caiu em grande quantidade. Fiquei com uns buracos, mas depois decidi raspar e assumi a minha careca. Agora estou na fase branca, e o efeito colateral desta vez foi a fadiga. Senti muito cansaço físico, meu corpo só pedia cama e foram quatro dias de repouso.

Mesmo durante o tratamento, busco manter a minha rotina. Tenho ido treinar ao menos duas vezes por semana e, quando me sinto mais forte fisicamente, vou três vezes e não deixei de trabalhar. Cada etapa vencida é comemorada porque é, sim, uma vitória. Não é um tratamento fácil, mas nunca tive medo e nunca questionei a Deus porque estava acontecendo comigo.

O que descobri neste processo? Sou muito amada. Tive uma rede de apoio gigante, que inclui amigas, familiares e a minha igreja Batista do Farol, que tem orado por mim e estado ao meu lado todo tempo. Ao dormir, eu agradeço a Deus pelas pessoas que Ele colocou no meu caminho. Eu não tinha dimensão do quanto eu era querida até me ver diante de uma fase em que eu precisaria desse apoio, e ele chegou de forma incondicional.

Deus tem cuidado de mim todo tempo e vejo, em cada etapa que passo, a presença d’Ele comigo. Ainda tenho um longo caminho pela frente e não tenho dúvidas de que tudo vai dar certo, porque eu confio no Deus que tenho e nos profissionais de saúde que têm cuidado de mim durante esse processo.

Quero deixar aqui o meu agradecimento à minha equipe multidisciplinar: Dra. Manuela Galvão, oncologista, e Glauce, nutricionista oncológica, que têm cuidado da minha alimentação e suplementação; à Dra. Paula Cavalcante, farmacêutica, que cuida de mim com as suas agulhas mágicas (risos); ao meu personal trainer, Regis Cavalcanti, que exige de mim o melhor do ponto de vista físico, respeitando o meu momento; e à minha amiga de escola, Dra. Luciana Benevides, oncologista, que tem estado ao meu lado não apenas como profissional médica, mas, acima de tudo, como amiga que acolhe.

E a você, Raíssa, por me permitir compartilhar um pouco do que estou vivenciando e mostrar que, quando recebemos o diagnóstico, não há sentença de morte, mas, sim, uma nova chance de viver, de reescrever a nossa história, as nossas relações, e, acima de tudo, de cuidar de nós mesmos.

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