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Força, história e trajetória das mulheres praças na Polícia Militar de Alagoas

Foto: Assessoria

Após conhecer trajetórias inspiradoras deoficiais da corporação, a segunda parte da série em homenagem ao Dia da Policial Feminina de Alagoas aborda a presença e a relevância das praças.

Atualmente, na ativa, entre subtenentes, sargentos, cabos e soldados, elas somam 1.194 mulheres e representam 91,8% do efetivo feminino atuando na instituição.  

Como o ingresso das primeiras turmas ocorreu no final da década de 80, um total de 318 mulheres praças já concluíram o seu tempo de serviço regulamentar e hoje usufruem da aposentadoria, chamada no militarismo de condição de reserva ou reforma, ganhando, assim, o título de veteranas.  

A Lei Estadual nº 8.118/2019 instituiu a data oficialmente, definindo as celebrações para 28 de novembro, em uma referência ao dia da chegada das duas primeiras turmas de policiais femininas no Estado, no ano de 1989. Neste dia, o contingente se apresentou ao quartel e iniciou o período de formação. Os editais do concurso foram publicados em 5 de agosto daquele ano e resultaram na admissão de 47 candidatas, sendo 12 para o curso de sargentos e 35 para a turma de soldados.

Passados 36 anos, a mulher segue fazendo história na corporação. As pioneiras abriram o caminho para que hoje se tenha representações do efetivo feminino em todos os postos, graduações, quadros e atividades. De coronéis a soldados, são profissionais que, em diversas funções, cumprem sua missão, entregando o melhor serviço à sociedade. Com a presença feminina ao longo dos anos, a PM-AL foi adquirindo características peculiares próprias da mulher. Ganhou graça, sem perder a força.  

Cada uma destas mulheres escreveu e escreve sua própria história na PM, entregando disciplina e comprometimento com o serviço que executam. Hoje, vamos conhecer alguns dos nomes por trás destas fardas. Dessa forma, três representantes do quadro de praças da PM foram selecionadas para compor esta segunda parte da série em homenagem à data comemorativa e compartilharam experiências, visões e opiniões sobre ser policial militar feminina em Alagoas.  

Subtenente Roraine: veterana clarinetista da Banda de Música  

A história da subtenente Roraine Vilela é marcada pelo pioneirismo. Oriunda da turma de soldados de 1998, ela foi a primeira mulher a integrar a banda de música da corporação, no ano de 2010. Lá, exerceu a função de músico clarinetista, até ingressar na reserva, em março de 2025. Ao longo dos 15 anos a serviço do Centro Musical, ela acompanhou inúmeras formaturas, solenidades, desfiles, homenagens e outras atividades nas quais os músicos frequentemente estavam presentes. Por ser a única representante do quadro feminino, chamava bastante atenção nas apresentações, nas quais sempre estava com seu instrumento clarinete.  

“Entrei na PM jovem, com determinação e vontade de servir. Ao longo da carreira, construí minha trajetória com disciplina e dedicação. Fui a primeira policial militar feminina a fazer parte da banda de música, o que abriu portas para outras mulheres. Incentivei muitas a aprenderem um instrumento e também a se sentirem capazes de ocupar esse espaço”, destacou a veterana.  

Sargento Marta: quase 20 anos na atividade operacional  

Atualmente integrando a equipe tática do Batalhão Rodoviário (BPRv), a sargento Marta Calheiros é considerada uma referência de policial feminina operacional. Com mais de 19 anos de carreira, todos eles atuando nas ruas, ela conquistou grande experiência ao servir no 13º Batalhão (quando da nomenclatura de Batalhão de Eventos), 8º BPM, 12º BPM (na antiga nomenclatura de Batalhão de Guardas), Batalhão de Trânsito e 5º BPM.  

Desde seu ingresso, em 2006, ela coleciona na ficha funcional mais de 60 elogios de seus comandantes, por ter se destacado nas suas atividades, em ocorrências de apreensão de armas de fogo, de drogas, roubos, no combate à violência doméstica e no sucesso em operações policiais das quais participou. Hoje ela comanda a guarnição Tático 1 do BPRv, atuando junto a policiais masculinos, passando a eles sua experiência e conhecimento.  

“Como toda mulher, a rotina da vida é bastante corrida para conciliar trabalho, casa, família, atividade física e lazer, porque todas essas áreas têm a sua importância. Procuro, no pós-serviço, me desconectar um pouco do mundo militar e realizar outras atividades, cuidando da saúde física e mental para recarregar as energias. Assim, consigo sempre me manter em condições e preparada para qualquer necessidade do plantão”, ressaltou a militar.  

Soldado Rafaela: a força da mulher militar no interior  

A soldado Rafaela Castro representa as mulheres destacadas em unidades do interior alagoano. Atualmente servindo na 1ª Companhia Independente, sediada em São Miguel dos Campos, a militar ingressou na PM em 2018 e é conhecida como uma mulher focada na saúde e bem-estar.  

Corredora amadora e residente em Alagoinhas, na Bahia, a policial alia a atividade profissional com a maternidade, cuidados com a saúde e treinos. “Conciliar tantos papéis realmente não é uma tarefa fácil, mas é justamente dessa nossa capacidade nata de sermos múltiplas de onde tiro a força necessária para enfrentar os desafios. Meu desejo na corporação é me manter comprometida com a missão de proteger e representar com dignidade a farda que escolhi vestir”, assegurou.

As três militares compartilharam experiências, visões e opiniões sobre ser policial militar feminina em Alagoas. Confira:

Na sua visão, o que significa ser policial feminina?  

Subtenente Roraine: Ser policial feminina é unir firmeza e sensibilidade. É enfrentar desafios, representar outras mulheres e provar que podemos estar em qualquer função com competência e coragem.  

Sargento Marta: É exercer a função de policial feminina com excelência, assim como deve ser também para o policial masculino. Para isso, é preciso, primeiramente, coragem, vocação e dedicação. Devemos observar e nos espelhar nas boas referências que temos na corporação como forma de aprendizado. No serviço operacional, encontramos muitos desafios; cada ocorrência é única, pois lidamos com pessoas que possuem diferentes tipos de comportamento. A sociedade, quando necessita da polícia, espera uma resposta rápida e eficiente, sem diferenciar gênero.  

Soldado Rafaela: Para mim, ser policial militar feminina, além da realização de um grande sonho, é exercer a missão policial com dedicação, competência e responsabilidade, contribuindo para a segurança da sociedade e mostrando que a mulher tem um papel essencial dentro da instituição. Habitar um espaço que historicamente foi masculino não é tarefa fácil, precisamos nos posicionar com autoridade, técnica e responsabilidade pública, mas também carrego comigo uma presença que derruba estereótipos sobre força, comando e proteção. Ser policial feminina é representar outras mulheres, abrir caminhos e reforçar que a segurança pública é um espaço de todos que desejam servir com ética, disciplina e compromisso.   

Como a senhora vê o papel da policial feminina atualmente na corporação?  

Subtenente Roraine: Hoje, a policial feminina é essencial. Atuamos na linha de frente, na liderança e em funções estratégicas, trazendo visão, técnica e empatia que fortalecem a instituição.  

Sargento Marta: As policiais femininas estão cada vez mais capacitadas. Conquistaram seu espaço por mérito e hoje atuam em diversas áreas da segurança pública, seja no serviço administrativo, no operacional (no comando de guarnição), no comando de unidades ou até no alto comando, exercendo suas funções com responsabilidade e eficiência, da mesma forma que o efetivo masculino.  

Soldado Rafaela: Vejo que o papel da policial feminina na corporação hoje é fundamental e cada vez mais reconhecido. A mulher policial contribui não apenas com a competência técnica e operacional, mas também com uma visão mais ampla e humana sobre segurança pública, estreitando os laços do Estado junto à sociedade. Nosso trabalho fortalece o atendimento à comunidade e amplia a representatividade dentro da instituição. Além disso, atuamos desde o patrulhamento ostensivo ao comando de equipes, gestão administrativa e ações especializadas.  

Qual momento a senhora aponta como mais marcante na sua carreira e por quê?  

Subtenente Roraine: O mais marcante foi perceber que meu trabalho inspirou outras mulheres, especialmente na banda. Ver colegas criando coragem para aprender um instrumento e seguir esse caminho mostrou que minha presença abriu oportunidades reais.  

Sargento Marta: Foram vários momentos, mas o que marca a carreira do policial militar é a sensação de dever cumprido. É quando somos bem-sucedidos nas operações e nas ocorrências, e ouvimos frases de reconhecimento como:

“Muito obrigado por prender o assassino que ceifou a vida do meu marido.”

“Obrigado por recuperar minha moto, meu celular…”  

São esses gestos de agradecimento que fazem valer cada segundo de adrenalina vivido nas situações de risco que enfrentamos ao abraçar a carreira policial.  

Soldado Rafaela: Desde que ingressei na Polícia Militar, em 2018, vivi muitos desafios e aprendizados, passei por três unidades, convivi com muitos companheiros de farda e vi muitas histórias frente às ruas. Me deparei com muitas vítimas em situações de vulnerabilidade e, sem dúvida, essas ocorrências me trouxeram grandes lições. Lembro que, em 2019, recém-formada, estive em uma ocorrência onde a mãe tinha sido espancada pelo seu companheiro e pai de suas duas filhas. Após o pedido de apoio da vítima, fomos até a residência, onde nos deparamos com aquela situação de total vulnerabilidade, as crianças assustadas. Foi aí que a nossa atuação fez total diferença para que aquela mulher e aquelas crianças ficassem livres do agressor que foi conduzido para a delegacia e autuado na Lei Maria da Penha. Foi onde percebi de forma muito clara o impacto real do nosso trabalho na vida das pessoas. Em muitos casos, não se trata apenas de uma ação policial, mas de um gesto humano que muda o rumo daquelas histórias. Ver a confiança da população, sentir que minha presença faz diferença e entender a responsabilidade de vestir esta farda reforçam em mim que escolhi o caminho certo. Esses momentos simbolizam tudo o que acredito na profissão: coragem, preparo, empatia e compromisso com o bem-estar da sociedade.  

Nesta sexta-feira (28), após conhecer histórias de mulheres no oficialato e de praças da Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), a terceira matéria da série sobre o Dia da Policial Feminina será publicada. A última especial pretende refazer o percurso histórico da data comemorativa, a partir das pioneiras que abriram o caminho para as contemporâneas vestirem a honrosa farda da corporação.

*Com Assessoria

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