A Justiça de Alagoas determinou, nesta terça-feira (17), a soltura da médica Nadia Tamyres Silva Lima, presa após a morte do ex-marido, o também médico Alan Carlos de Lima Cavalcante, assassinado a tiros no dia 16 de novembro, em Arapiraca, no Agreste do estado.
A decisão é do desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), que concedeu liminar em habeas corpus e substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
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Alan Carlos de Lima Cavalcante foi morto dentro de um carro estacionado em frente à Unidade Básica de Saúde do Sítio Capim (UBS), na zona rural do município. O médico foi encontrado já sem vida no banco do motorista.
Anteriormente, a Eufêmea teve acesso ao documento do Ministério Público de Alagoas (MPAL), no qual a mulher relata mais de duas décadas de violências e situações de abuso que ela atribui a Alan. O médico foi denunciado formalmente pelo promotor Saulo Ventura de Holanda, da 2ª Promotoria de Justiça de Arapiraca, em junho de 2025. Em setembro, a Justiça aceitou a denúncia e o tornou réu.
De acordo com o documento, o casal manteve um relacionamento por 22 anos, que teria sido marcado por agressões físicas, morais e psicológicas. A médica procurou a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) para denunciar o caso e pedir ajuda em dezembro de 2024. A pasta, então, acionou o MPAL.
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A decisão
Ao analisar o pedido da defesa, o relator entendeu que a decisão que manteve a prisão preventiva se baseou, de forma genérica, na gravidade do crime, sem apresentar elementos concretos que demonstrassem risco atual à ordem pública. O magistrado destacou que, conforme o entendimento consolidado dos tribunais superiores, a gravidade abstrata do delito não é suficiente, por si só, para justificar a prisão cautelar.
Na decisão, o desembargador também levou em consideração o contexto do caso, apontando que o conflito que culminou na morte do médico era direcionado exclusivamente à vítima, não havendo indícios de que a investigada represente ameaça à coletividade. Com o óbito, segundo o relator, cessaria eventual risco de reiteração do conflito.
Outro ponto considerado foi o fato de Nadia Tamyres ser ré primária, possuir residência fixa e vínculos profissionais, exercendo as funções de médica concursada e professora universitária. O magistrado ressaltou ainda que ela não tentou fugir, tendo sido localizada poucas horas após os fatos, em local público, desarmada e sem resistência.