Dezembro chegou e, com ele, aquela sensação estranha de que estamos em um tribunal onde nós somos a juíza, a ré e o júri. A gente abre a lista de metas escrita em janeiro e começa a dar “check” no que faltou. E é aí que o luto começa.
O luto pela mulher que prometeu que, em 2025, seria a ‘musa do bem-estar’; o luto da versão que teria guardado mais dinheiro, que deveria ter feito uma transição de carreira ou tido mais paciência nas relações. O luto pela mulher que disse a si mesma que este ano seria diferente, mas que se deparou com tantas batalhas que não conseguiu ‘ser’, apenas existir.
Mas deixa eu te contar um segredo: a versão de você que não aconteceu em 2025 foi a que precisou dar lugar à versão que sobreviveu.
Talvez a mulher que ‘não foi à academia 5x por semana’ tenha sido a mulher que segurou a barra de uma crise familiar. Talvez a mulher que ‘não tirou o projeto do papel’ tenha sido aquela que escolheu salvar a própria saúde mental. Talvez a mulher que disse que tudo seria diferente tenha se deparado com tantos problemas que precisou, simplesmente, focar em se manter viva. Manter-se viva, sã e inteira em um mundo que tenta nos fragmentar o tempo todo já é o maior projeto do ano.
Precisamos viver o luto das nossas expectativas irreais para podermos, finalmente, enxergar quem realmente fomos em 2025: fomos o que deu para ser.
Agora, o convite é outro. Em vez de escrevermos uma nova lista de cobranças para a mulher que você será em 2026, que tal escrevermos uma carta de intenções baseada no carinho?
Para a mulher de 2026, eu desejo menos “performance” e mais presença. Desejo que ela tenha o direito de ser inacabada, de mudar de ideia, de descansar sem sentir que está perdendo tempo. Para a mulher de 2026, eu desejo que ela consiga ser quem se é com mais carinho, afeto, cuidado.
Em 2025, a Eufêmea também enfrentou seus próprios lutos: reorganizamos a estrutura, nos despedimos de colaboradoras queridas, paramos e respiramos. Foi preciso silenciar para analisar, repensar e, finalmente, entender como continuar a nos mover.
E talvez esse seja o verdadeiro encerramento de ano: reconhecer que não fomos tudo o que planejamos, mas fomos exatamente o que era possível. Que sobreviver também é um verbo de coragem e que entrar em um novo ano não exige uma versão melhor de nós, apenas uma versão mais honesta, viva e tratada com carinho.
E o nosso brinde de fim de ano é para você, que está aí do outro lado, talvez cansada, talvez atravessando o luto silencioso do que não aconteceu. Que você possa honrar a mulher que ficou pelo caminho sem transformá-la em culpa.