No Dia Nacional do Combate ao Alcoolismo, celebrado em 18 de fevereiro, a Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev) reforça o alerta sobre os prejuízos provocados pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas e destaca a importância da prevenção e do acesso ao tratamento.
A data chama atenção para um problema que, apesar de socialmente aceito, pode evoluir para quadros graves de dependência química, com impactos físicos, psicológicos e sociais.
1. Não existe consumo totalmente seguro
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo abusivo é caracterizado pela ingestão de 60g ou mais de álcool puro em uma única ocasião — o equivalente a quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais doses para homens.
Ainda assim, a OMS ressalta que não há um nível totalmente seguro de consumo de álcool. O uso frequente ou em grandes quantidades pode evoluir para dependência.
2. O álcool é uma droga socialmente aceita
Por ser lícito, de fácil acesso e culturalmente associado a momentos de lazer, o álcool costuma fazer parte do cotidiano de muitas pessoas. Esse fator contribui para a naturalização do consumo excessivo.
O psicólogo especialista em dependência química da Seprev, Júnior Amaranto, explica que o padrão de uso exagerado é um sinal de risco que merece atenção.
“É importante considerar que o uso excessivo e prolongado aumenta significativamente os riscos à saúde, podendo resultar em consequências graves e até permanentes. Além dos impactos físicos, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas também pode gerar prejuízos sociais e financeiros para quem exagera na dose. É preciso tomar cuidado”, alerta o especialista.
3. Os prejuízos vão além da saúde física
A dependência química pode provocar complicações hepáticas e cardiovasculares, transtornos mentais como ansiedade e depressão, conflitos familiares, problemas no trabalho, endividamento e até envolvimento com outras substâncias.
O impacto, portanto, não se restringe ao indivíduo, mas atinge também familiares e a rede social.
4. O álcool lidera os atendimentos no estado
Dados da Rede Acolhe, programa do Governo de Alagoas voltado ao tratamento da dependência química, mostram a dimensão do problema.
Em 2025, foram registrados 5.248 encaminhamentos para comunidades terapêuticas. Desses, 4.337 declararam uso de álcool — o que representa cerca de 83% dos atendimentos realizados ao longo do ano.
5. A recuperação é possível
O alagoano Luiz Francisco é um exemplo de superação com o apoio da Rede Acolhe. Durante o período em que esteve em uma comunidade acolhedora, ele contou com acompanhamento de psicólogos, assistentes sociais e técnicos especializados.
“Tive muitos problemas com o álcool e, por consequência, também me envolvi com outras substâncias. Diante da situação, busquei ajuda na Rede Acolhe e fui encaminhado para uma comunidade, onde recebi todo o apoio necessário durante o meu tratamento. Hoje estou livre do álcool, trabalhando, e continuo sendo acompanhado pelo programa. Esse apoio foi fundamental para que eu pudesse reconstruir a minha vida”, relatou.
Onde buscar ajuda
Pessoas que desejam acolhimento em comunidades credenciadas pelo Governo de Alagoas podem procurar atendimento presencial nos Centros de Acolhimento em Maceió e Arapiraca.
Também é possível agendar visita das equipes técnicas pelos telefones (82) 98802-8755 e (82) 3315-1913.